Um enquadramento específico é capaz de definir muito bem este mais novo trabalho do diretor Mel Gibson. Desmond Doss, soldado que trabalha na ala médica do exército americano e se recusa em pegar em armas durante a Batalha de Okinawa, interpretado com muito comprometimento e competência por Andrew Garfield, está coberto em sangue é banhado em água, num frame composto pelo céu limpo e pleno ao fundo, simbolizando praticamente um batismo, que para Doss faz muito sentido, uma vez já tendo sofrido os impactos das relações violentas com o pai e com o irmão, tem na sua própria dor física e martírio a construção de sua redenção. Os símbolos religiosos se fazem presentes e muito bem explorados por Gibson, mas a maturidade do diretor aparece quando vemos que o personagem usa a religião como um meio de transcender sua própria realidade e amenizar os traumas causados pela relação conflituosa, apesar de respeitosa, com o pai, encarnado por Hugo Weaving com sua costumeira competência e intensidade.
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