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quinta-feira, 1 de junho de 2017 às 10:25 Postado por CultComentário 0 Comments


Um enquadramento específico é capaz de definir muito bem este mais novo trabalho do diretor Mel Gibson. Desmond Doss, soldado que trabalha na ala médica do exército americano e se recusa em pegar em armas durante a Batalha de Okinawa, interpretado com muito comprometimento e competência por Andrew Garfield, está coberto em sangue é banhado em água, num frame composto pelo céu limpo e pleno ao fundo, simbolizando praticamente um batismo, que para Doss faz muito sentido, uma vez já tendo sofrido os impactos das relações violentas com o pai e com o irmão, tem na sua própria dor física e martírio a construção de sua redenção. Os símbolos religiosos se fazem presentes e muito bem explorados por Gibson, mas a maturidade do diretor aparece quando vemos que o personagem usa a religião como um meio de transcender sua própria realidade e amenizar os traumas causados pela relação conflituosa, apesar de respeitosa, com o pai, encarnado por Hugo Weaving com sua costumeira competência e intensidade.

quinta-feira, 25 de maio de 2017 às 10:50 Postado por CultComentário 0 Comments


Depois de emplacar os sucessos “O Sexto Sentido” e “Corpo Fechado”, M. Night Shyamalan começou ver sua carreira passar por uma fase incerta. Depois de comandar o eficiente “Sinais”, “A Vila” demonstrou, além de outras coisas, o quanto o é dependente  de contar uma história com alguma reviravolta na trama. Sendo capaz de construir discursos interessantes e abraçar a natureza tridimensional dos personagens que concebe, Shyamalan demonstrara pouco disso em “Fim dos Tempos” ou “A Dama na Água”, filmes que trazem discursos mal resolvidos e desenvolvidos de maneira de maneira pobre. Em “A Visita” foi possível vislumbrar um lampejo do Shyamalan de antigamente, criando tensão e envolvendo o expectador, mas numa trama mais problemática, calcada numa espécie de falso documentário que, pela sua fotografia trabalhada e enquadramentos bem compostos, trai a premissa do filme, de que tudo é filmada pela personagem do filme, que conta inclusive com cenas externas do céu e do horizonte não filmadas pela personagem.

quarta-feira, 10 de maio de 2017 às 12:09 Postado por CultComentário 0 Comments



Geralmente séries de comédia com episódios de pouco mais de vinte minutos se baseiam na criação de estereótipos para caracterizar seus personagens, com o objetivo de desenvolver com certa agilidade uma trama no tempo estipulado. "The Big Bang Theory", apesar de eu ter visto poucos episódios, em temporadas variadas, é uma das séries que mais usa a criação de estereótipos de personagens. Esta mais nova série da Netflix, "Girlboss", criada por Kay Cannon, gera essa impressão nos primeiros episódios, contando a história "baseada livremente em fatos reais" de Sophia, uma garota narcisista que não consegue se ajustar a nenhum emprego e tem um relacionamento difícil com o pai, mas que por acaso descobre ao criar uma conta do eBay e passar a vender roupas vintage por ela reformadas e revendidas uma possível vocação e independência financeira, criando a sua página no eBay chamada Nasty Gal.

terça-feira, 25 de abril de 2017 às 13:47 Postado por CultComentário 0 Comments


Werner Herzog sabe como ninguém narrar um história, seja ela através da narrativa do cinema de ficção ou através de documentário. Em "Eis os Delírios do Mundo Conectado", disponível na Netflix, o diretor de "Fitzcarraldo", "O Homem Urso", "Aguirre, a Cólera dos Deuses", "A Caverna dos Sonhos Esquecidos" e "O Enigma de Kaspar Hauser" conduz o documentário através de suas intervenções constantes (algo que particularmente não gosto muito em documentários, quando o diretor aparece ou deixa transparecer que está conduzindo a narrativa ao invés de dar a impressão que seus "personagens" conduzem a narrativa. Sim, é uma ilusão, mas uma ilusão que como expectador gosto de alimentar), que ao invés de soarem intrusivas e de explicitarem o quanto o diretor conduz a narrativa, pelo contrário, fortalecem o discurso e o propósito da reflexão através de reflexões ponderadas e questionamentos pertinentes que se conciliam  com a curiosidade construída em cada segmento do documentário, separado em  capítulos.

terça-feira, 14 de março de 2017 às 13:20 Postado por CultComentário 1 Comment


Geralmente filmes que se baseiam em histórias em quadrinhos se sobressaem quando transcendem a sua fonte e desenvolvem melhor, com a linguagem do cinema, situações e conflitos. Como são mídias diferentes, filmes devem ser espelhados por filmes e quadrinhos por quadrinhos. Por mais que se tente encontrar uma linguagem cinematográfica que unifique as duas mídias, “Logan” deixa uma coisa clara: os melhores exemplares de adaptações de quadrinhos são aqueles que nunca se esquecem que são adaptações, são filmes e acima de tudo, existem em função de seus personagens complexos e cheios de potencial dramático que podem ser explorados de maneira única no cinema. “Logan” é um filme que entende muito bem essa lógica e a aplica com perfeição e invejável segurança.




Em um dado momento de “La La Land” surge num diálogo uma ideia interessante em relação a Sebastian, personagem de Ryan Gosling, que tenta constantemente, e de maneira frustrada, salvar o Jazz e procurar constantemente transmitir aos outros a paixão que tem por esse estilo de música. Em contrapartida recebe como resposta o questionamento de como ele pretende salvar o Jazz, que foi criado por pessoas que transcenderam a música ao seu redor e a revolucionaram, se ele próprio é tão clássico e tradicional, sendo incapaz de repetir a revolução musical que tanto admira? Pois “La La Land” sofre um pouco desse mal, de procurar ser um musical que remete a outros títulos do gênero, mas que apresenta apenas um lampejo da genialidade que os clássicos tinham.



Usando o mundo da moda como ponto de partida para construir um interessante discurso sobre o mundo das aparências movido ao consumismo e padrões de beleza, “Demônio de Neon” é um filme curioso, dirigido por Nicolas Winding Refn (de "Apenas Deus Perdoa", "Drive" e "Bronson", entre outros), que busca constantemente entregar ao espectador cada vez mais sensações e menos enredo.

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