• RSS
  • Delicious
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
terça-feira, 11 de julho de 2017 às 10:24 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Desde “Homem Aranha 2” de Sam Raimi, filme que seguramente é um dos melhores exemplares de filmes de super-heróis, que o personagem perdera o seu caminho no cinema. “Homem Aranha 3” repete a mesma fórmula empregada nos longas anteriores de criar problemas pessoais para Peter pondo em xeque os seus ideais como Homem Aranha e recorre ao clichê da donzela (Mary Jane) em perigo, desta vez com uma quantidade absurda de vilões e com um Venon deslocado que nunca parece pertencer de fato ao filme. A reimaginação do personagem funciona em alguns momentos tendo seu melhor desempenho em “O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro”, mas não justifica o reboot nunca e conta com um Andrew Garfield que nunca consegue encarnar um Peter Parker que remeta à essência do personagem presente nos quadrinhos ou nas séries animadas. Porém esse não é o problema de “Homem Aranha – De Volta ao Lar”, que parte do personagem já apresentado em “Capitão América: Guerra Civil” e insere o Peter Parker de Tom Holland nesse universo cinematográfico da Marvel de maneira orgânica e crível, acertando em não levar para as telas a já conhecida origem do personagem, procurando construir as nuances de sua personalidade em outras circunstâncias e contextos.

segunda-feira, 10 de julho de 2017 às 12:35 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



É uma tarefa quase impossível falar de “Mulher - Maravilha” sem pensar em questões de representatividade da mulher no cinema mainstream. Isso porque filmes protagonizados por mulheres e que fazem parte do universo dos super-heróis, como “Mulher Gato” ou “Elektra”, foram erros estrondosos, além de não terem sido dirigidos por mulheres. Mas apesar do discurso político e social que é perfeitamente possível se associar ao filme, “Mulher - Maravilha” é um filme leve, bem humorado e, tal qual sua personagem nesse momento de sua vida, inocente.

quarta-feira, 7 de junho de 2017 às 10:46 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Com uma mensagem potente e relevante, Barry Jenkins entrega um filme que merece ser visto também pela sua concepção cinematográfica contemporânea. Com uma câmera que sutilmente viaja junto com seus personagens através da trajetória do garoto Chiron (Ashton Sanders), que desde o início do longa sofre de preconceitos e opressões, testemunhamos, num elenco composto exclusivamente por atores negros, o peso e a dificuldade do preconceito na sociedade contemporânea. Questões sobre homossexualidade e drogas são abordadas pelo filme com maturidade e verdade através da trajetória de seu personagem.

quinta-feira, 1 de junho de 2017 às 10:25 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Um enquadramento específico é capaz de definir muito bem este mais novo trabalho do diretor Mel Gibson. Desmond Doss, soldado que trabalha na ala médica do exército americano e se recusa em pegar em armas durante a Batalha de Okinawa, interpretado com muito comprometimento e competência por Andrew Garfield, está coberto em sangue é banhado em água, num frame composto pelo céu limpo e pleno ao fundo, simbolizando praticamente um batismo, que para Doss faz muito sentido, uma vez já tendo sofrido os impactos das relações violentas com o pai e com o irmão, tem na sua própria dor física e martírio a construção de sua redenção. Os símbolos religiosos se fazem presentes e muito bem explorados por Gibson, mas a maturidade do diretor aparece quando vemos que o personagem usa a religião como um meio de transcender sua própria realidade e amenizar os traumas causados pela relação conflituosa, apesar de respeitosa, com o pai, encarnado por Hugo Weaving com sua costumeira competência e intensidade.

quinta-feira, 25 de maio de 2017 às 10:50 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Depois de emplacar os sucessos “O Sexto Sentido” e “Corpo Fechado”, M. Night Shyamalan começou ver sua carreira passar por uma fase incerta. Depois de comandar o eficiente “Sinais”, “A Vila” demonstrou, além de outras coisas, o quanto o é dependente  de contar uma história com alguma reviravolta na trama. Sendo capaz de construir discursos interessantes e abraçar a natureza tridimensional dos personagens que concebe, Shyamalan demonstrara pouco disso em “Fim dos Tempos” ou “A Dama na Água”, filmes que trazem discursos mal resolvidos e desenvolvidos de maneira de maneira pobre. Em “A Visita” foi possível vislumbrar um lampejo do Shyamalan de antigamente, criando tensão e envolvendo o expectador, mas numa trama mais problemática, calcada numa espécie de falso documentário que, pela sua fotografia trabalhada e enquadramentos bem compostos, trai a premissa do filme, de que tudo é filmada pela personagem do filme, que conta inclusive com cenas externas do céu e do horizonte não filmadas pela personagem.

quarta-feira, 10 de maio de 2017 às 12:09 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



Geralmente séries de comédia com episódios de pouco mais de vinte minutos se baseiam na criação de estereótipos para caracterizar seus personagens, com o objetivo de desenvolver com certa agilidade uma trama no tempo estipulado. "The Big Bang Theory", apesar de eu ter visto poucos episódios, em temporadas variadas, é uma das séries que mais usa a criação de estereótipos de personagens. Esta mais nova série da Netflix, "Girlboss", criada por Kay Cannon, gera essa impressão nos primeiros episódios, contando a história "baseada livremente em fatos reais" de Sophia, uma garota narcisista que não consegue se ajustar a nenhum emprego e tem um relacionamento difícil com o pai, mas que por acaso descobre ao criar uma conta do eBay e passar a vender roupas vintage por ela reformadas e revendidas uma possível vocação e independência financeira, criando a sua página no eBay chamada Nasty Gal.

terça-feira, 25 de abril de 2017 às 13:47 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Werner Herzog sabe como ninguém narrar um história, seja ela através da narrativa do cinema de ficção ou através de documentário. Em "Eis os Delírios do Mundo Conectado", disponível na Netflix, o diretor de "Fitzcarraldo", "O Homem Urso", "Aguirre, a Cólera dos Deuses", "A Caverna dos Sonhos Esquecidos" e "O Enigma de Kaspar Hauser" conduz o documentário através de suas intervenções constantes (algo que particularmente não gosto muito em documentários, quando o diretor aparece ou deixa transparecer que está conduzindo a narrativa ao invés de dar a impressão que seus "personagens" conduzem a narrativa. Sim, é uma ilusão, mas uma ilusão que como expectador gosto de alimentar), que ao invés de soarem intrusivas e de explicitarem o quanto o diretor conduz a narrativa, pelo contrário, fortalecem o discurso e o propósito da reflexão através de reflexões ponderadas e questionamentos pertinentes que se conciliam  com a curiosidade construída em cada segmento do documentário, separado em  capítulos.