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terça-feira, 25 de abril de 2017 às 13:47 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Werner Herzog sabe como ninguém narrar um história, seja ela através da narrativa do cinema de ficção ou através de documentário. Em "Eis os Delírios do Mundo Conectado", disponível na Netflix, o diretor de "Fitzcarraldo", "O Homem Urso", "Aguirre, a Cólera dos Deuses", "A Caverna dos Sonhos Esquecidos" e "O Enigma de Kaspar Hauser" conduz o documentário através de suas intervenções constantes (algo que particularmente não gosto muito em documentários, quando o diretor aparece ou deixa transparecer que está conduzindo a narrativa ao invés de dar a impressão que seus "personagens" conduzem a narrativa. Sim, é uma ilusão, mas uma ilusão que como expectador gosto de alimentar), que ao invés de soarem intrusivas e de explicitarem o quanto o diretor conduz a narrativa, pelo contrário, fortalecem o discurso e o propósito da reflexão através de reflexões ponderadas e questionamentos pertinentes que se conciliam  com a curiosidade construída em cada segmento do documentário, separado em  capítulos.

Procurando entender o fenômeno do mundo conectado, Herzog traça  o histórico da criação da Internet e mostra sua faceta progressista e como ela contribui para aumentar o conhecimento humano nas áreas científicas, de maneira muitas vezes inusitadas.


Em contrapartida a utilização da Internet no âmbito social e pessoal muitas vezes tem potencializado atitudes destrutivas e alimentado vícios e situações traumatizantes. Quando vemos uma mãe dizer que a Internet é a personificação do diabo, por mais que isso soe uma irracionalidade não podemos culpa-la por dizer isso, dado o conhecimento de sua má experiência com a Rede


Quando Herzog vai falar sobre o futuro da rede, não deixa também de pôr em evidência o ar idealista a ao mesmo tempo quase insano de pessoas geniais que usam a internet para o avançado do conhecimento humano, mas que quando pensam sobre o futuro se permitem extrapolar as barreiras entre homens e máquinas. Abordando inclusive a falta da presença da Internet entre astrônomos do projeto SETI em Arecibo, que não podem expôr seus satélites com as interferências provenientes da rede, Herzog retorna ao tema mais caro construído ao longo de sua carreira: a relação do homem com a natureza, nos fazendo refletir sobre como individual e coletivamente fazemos uso da tecnologia que nos mantém conectados.





Eis os Delírios do Mundo Conectado 
(Lo and Behold, Reveries of the Connected World, EUA – 2016)
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Com: Lawrence Krauss, Kevin Mitnick,  Elon Musk, Sebastian Thrun, 
Lucianne Walkowicz, Robert Kahn, Ted Nelson, Hilarie Cash, Christina Catsouras, 
Sam Curry, Leonard Kleinrock, Tom Mitchell

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