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É difícil assistir a "Spotlight: Segredos Revelados" e não se lembrar do clássico "Todos os Homens do Presidente" de Alan J. Pakula ou mesmo de "O Informante" de Michael Mann, tanto pela abordagem adotada pelo diretor Thomas McCarthy quanto pela relevância do tema abordado, lembrando que existem histórias que merecem ser retratadas nas telas da maneira como McCarthy aborda, sem chamar a atenção para si, dividindo a importância das decisões e ações para cada personagem, formando uma equipe coesa interpretada por um elenco igualmente eficiente.
O paralelo que o filme traça com o estilo de jornalismo empregado é algo que impressiona. Num mundo marcado pela rapidez das informações e da constante desinformação gerada pelos veículos que deveriam fazer o contrário, uma equipe que tem o luxo de investigar uma pauta por pouco mais de um ano, levantando todas as provas e evidências necessárias para viabilizar a publicação da notícia, é algo que não deveria impressionar, mas hoje em dia surpreende pela responsabilidade e envolvimento profissional que falta no nosso tempo, dominado pelos interesses das grandes corporações e pelo domínio de um modelo econômico capitalista carente de uma efetiva regulamentação mundial.

Conseguindo criar tensão constante através de investigação e dos relatos de testemunhas junto com a música, direção e fotografia que são apropriadamente sutis,  o filme envolve também por mostrar o tipo de reação que a pesquisa vai gerando no mundo interno de cada personagem, desde a preocupação pelas crianças no bairro, a insegurança e desconforto por ter um membro da família católico praticante e não conseguir mais confiar na instituição, passando pelo equilíbrio de se liderar uma equipe de jornalistas e lidar com a pressão editorial de um jornal que tem diminuído o número de vendas, até chegar ao personagem que parece ter menos envolvimento social, sendo mais ligado ao trabalho, mas que tem se envolve mais que os outros com a informação, gerando certa revolta de sua parte, revelando muito sobre a personagem num dos grandes momentos do longa. Cabe dizer que os letreiros finais do longa, que citam países em que ocorreram casos parecidos com o que fora retratado, não deixa de gerar certo incômodo.

Envolvente, bem dirigido e com um elenco que trabalha em conjunto com maestria, Spotlight é um filme, acima de tudo, fiel à história que conta, em enredo e tom, o que o torna essencial nos dias de hoje, num mundo que precisa repensar a maneira como trata a informação de um modo geral.

Direção: Thomas McCarthy

Roteiro: Josh Singer, Tom McCarthy

Fotografia: Masanobu Takayanagi

Música: Howard Shore

Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery

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