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domingo, 16 de fevereiro de 2014 às 16:01 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem comunicação com a base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.


Imagem

Partindo de uma premissa muito simples, Alfonso Cuarón nos presenteia com uma Odisseia existencial que se utiliza dos perigos do espaço para dar forma à superação e paradoxalmente à submissão humana àquilo que de maneira perturbadora lhe domina: a Física.


Alheia aos perigos do espaço, Stone também se encontra alheia aos perigos da autodestruição sugerida pelo seu trauma do passado, tornando a sua luta pela sobrevivência ainda mais penosa, árdua, porém gratificante por representar o seu renascimento para a vida, visualmente bem representado pela sequência final, uma imagem do interior da personagem, que revive a própria evolução da espécie humana.


Cuarón representa o espaço da maneira mais fidedigna possível que um filme de ficção pode ser, focando de maneira excepcional na interação com o meio, a maneira de se deslocar, os perigos do espaço. Ali vemos a metáfora das forças inerentes ao ser humano e que este é incapaz de controlar, tendo de se adaptar.  Destaque para os planos-sequência (ou falsos planos-sequência), sendo que o plano-sequência inicial dura 13 minutos. Cuarón conduz a filmagem como se sua câmera estivesse à deriva do espaço, junto aos seus personagens, sem se limitar em termos de espaço, girando e viajando com tamanha liberdade, tornando o longa tecnicamente surpreendente.


Respeitando a Física num dos pontos mais fundamentais, e que muitos filmes passam por cima, a ausência de som no espaço, preenchida por sons diegéticos e pela respiração dos astronautas, só é substituída nos momentos de tensão pela trilha sonora, que carrega em si acordes que remetem de maneira pontual ao suspense, tensão e cria um bom substituto ao som do impacto dos destroços, inexistente no vácuo do espaço.


A fotografia de Emmanuel Lubezki , aliado aos planos da filmagem, cria com perfeição um ambiente que, apesar de amplo e aberto, por vezes de estabelece como claustrofóbico, gerando em dados momentos uma das mais belas imagens da Terra em perspectiva, aliada a uma tensão inigualável.


Quanto aos erros de Física cometidos pelo filme, existem dois em particular que poderiam ter sido evitados, um que envolve a morte de um personagem, contrariando a terceira lei de Newton, e outro envolvendo um extintor de incêndio, contrariando o princípio da conservação da quantidade de movimento. No mais, os outros equívocos são compreensíveis, a fim de impulsionar a trama e gerar efeitos dramáticos.


http://www.youtube.com/watch?v=nLtjGN2KMyA

Num filme de 90 minutos que se passa unicamente no espaço, Cuarón constantemente prende a nossa atenção, ao mesmo tempo em que nos concede planos longos e alguns contemplativos, numa das maiores lutas pela sobrevivência já vistas no cinema.


Direção

Alfonso Cuarón

Elenco

George Clooney

Sandra Bullock

Roteiro

Alfonso Cuarón

Jonás Cuarón

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