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Ela

domingo, 23 de fevereiro de 2014 às 18:54 Postado por Gustavo Jacondino 1 Comment



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Ela” acompanha a história de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele adquire um novo sistema operacional com alta capacidade de inteligência artificial. Ao iniciá-lo, ele conhece “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que do tempo, a amizade dos dois se aprofunda em um inusitado amor um pelo outro.

às 18:38 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.


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Uma compilação da trilogia “Before Sunset" sobre amor lésbico, revestido de uma profundidade tal qual Kieslowski imprimia em seus filmes. É sim um denso estudo de personagem que merece todos os destaques que é possível se dar a um filme, pela entrega de suas interpretes, empenho do diretor, ambições e realização memoráveis.


O diretor Abdellatif Kechiche resolve contar a sua história, ou melhor, a história de Adèle, através essencialmente de closes em seu rosto e de algumas pessoas à sua volta. Sempre temos, assim, o seu ponto de vista. O interessante é notar que diversas vezes o importante é retratar as reações da personagem, suas expressões, os daqueles enquanto dorme, come, lê, deixando de lado as expressões dos outros para simplesmente situar a personagem num contexto específico: sala de aula, passeata, janta com a família, momento de descontração com os amigos.


Retratando todos os detalhes da vida de Adèle,  Kechiche não pode deixar de retratar a descoberta da identidade sexual da menina. Nesse quesito é notável o trabalho do diretor e dos atores para recriar cenas de sexo que realmente são difíceis de não imaginar que realmente ouve uma relação verdadeira. Porém as cenas surgem como as mais críveis que um longa poderia conceber, em seus detalhes, duração, paixão e auto descoberta, sem soar vulgar ou mesmo desrespeitoso aos interpretes, mas inspirando admiração pelo engajamento e talento dos mesmos, que encarnaram os personagens com propriedade, lhes conferindo a própria identidade, não só uma voz ou um corpo. Desde os primeiros minutos a empatia com Adèle é imediata.


O que vemos é sim uma autêntica auto descoberta através do sexo, que aos poucos torna-se um amor que consome, cria vazios, deixa marcas profundas, não por ser proveniente de uma relação homossexual, mas por ser proveniente de uma intensa relação entre dois seres humanos.


E Adèle, com o decorrer da relação, termina por se estabelecer como um complemento de Emma, sendo feliz por estar ao seu lado, aparentemente não almejando nada mais na própria vida, a não ser o seu trabalho e seu relacionamento, tendo neste a felicidade da manutenção por ter sido aquilo que de mais intenso experimentara na vida. Porém Emma é capaz de encontrar prazer em sua arte, tendo um arsenal de referenciais para sua vida que a tornam, apesar de gostar muito dela, independente de Adéle.


A simbologia adotada ao redor da cor azul, em pontos chave do filme, numa luz que preenche Emma, num vestido, toalha, água do mar, contribui para enfatizar a importância de Emma para Adèle e a sua luta para resgatar momentos importantes de seu relacionamento.


http://www.youtube.com/watch?v=3qxWpl-_PQo

Assim, é pesaroso perceber a dependência de uma em relação à outra, que caminha sem rumo, sem dar chance à novas oportunidades de ser feliz, em função daquilo que de mais importante viveu até ali, mas que infelizmente agora habita em algum lugar do passado.


Direção: Abdellatif Kechiche

Roteiro: Abdellatif Kechiche

Elenco: Léa Seydoux, Aurélien Recoing, Adèle Exarchopoulos, Catherine Salée, Salim Kechiouche, Benjamin Siksou, Mona Walravens, Alma Jodorowsky, Jérémie Laheurte

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014 às 16:01 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem comunicação com a base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.


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Partindo de uma premissa muito simples, Alfonso Cuarón nos presenteia com uma Odisseia existencial que se utiliza dos perigos do espaço para dar forma à superação e paradoxalmente à submissão humana àquilo que de maneira perturbadora lhe domina: a Física.


Alheia aos perigos do espaço, Stone também se encontra alheia aos perigos da autodestruição sugerida pelo seu trauma do passado, tornando a sua luta pela sobrevivência ainda mais penosa, árdua, porém gratificante por representar o seu renascimento para a vida, visualmente bem representado pela sequência final, uma imagem do interior da personagem, que revive a própria evolução da espécie humana.


Cuarón representa o espaço da maneira mais fidedigna possível que um filme de ficção pode ser, focando de maneira excepcional na interação com o meio, a maneira de se deslocar, os perigos do espaço. Ali vemos a metáfora das forças inerentes ao ser humano e que este é incapaz de controlar, tendo de se adaptar.  Destaque para os planos-sequência (ou falsos planos-sequência), sendo que o plano-sequência inicial dura 13 minutos. Cuarón conduz a filmagem como se sua câmera estivesse à deriva do espaço, junto aos seus personagens, sem se limitar em termos de espaço, girando e viajando com tamanha liberdade, tornando o longa tecnicamente surpreendente.


Respeitando a Física num dos pontos mais fundamentais, e que muitos filmes passam por cima, a ausência de som no espaço, preenchida por sons diegéticos e pela respiração dos astronautas, só é substituída nos momentos de tensão pela trilha sonora, que carrega em si acordes que remetem de maneira pontual ao suspense, tensão e cria um bom substituto ao som do impacto dos destroços, inexistente no vácuo do espaço.


A fotografia de Emmanuel Lubezki , aliado aos planos da filmagem, cria com perfeição um ambiente que, apesar de amplo e aberto, por vezes de estabelece como claustrofóbico, gerando em dados momentos uma das mais belas imagens da Terra em perspectiva, aliada a uma tensão inigualável.


Quanto aos erros de Física cometidos pelo filme, existem dois em particular que poderiam ter sido evitados, um que envolve a morte de um personagem, contrariando a terceira lei de Newton, e outro envolvendo um extintor de incêndio, contrariando o princípio da conservação da quantidade de movimento. No mais, os outros equívocos são compreensíveis, a fim de impulsionar a trama e gerar efeitos dramáticos.


http://www.youtube.com/watch?v=nLtjGN2KMyA

Num filme de 90 minutos que se passa unicamente no espaço, Cuarón constantemente prende a nossa atenção, ao mesmo tempo em que nos concede planos longos e alguns contemplativos, numa das maiores lutas pela sobrevivência já vistas no cinema.


Direção

Alfonso Cuarón

Elenco

George Clooney

Sandra Bullock

Roteiro

Alfonso Cuarón

Jonás Cuarón

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014 às 16:23 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Homenageando Eduardo Coutinho, não posso deixar de colocar a o link de vídeo do seu filme exibido numa mostra de São Paulo. Disponibilizado por Pablo Villaça em sua página no facebook, o filme é uma produção audiovisual que dificilmente veremos em tela grande ou DVD / BLU-RAY. Editando uma série de trechos da programação aberta das quatro grandes emissoras nacionais, o filme proporciona a assustadora visão de tem alguma coisa errada.

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Propagando nas primeiras horas do dia a ignorância e inverdades científicas para tornar os expectadores cada vez mais dementes, vemos mentiras descaradas que informam que determinada vitamina está associada à riqueza ou que determinado complemento de Cálcio é capaz de causar um efeito praticamente mágico e instantâneo. Pouco vemos das produções voltadas às crianças. A programação da manhã é voltada para donas de casa dementes. Determinado noticiário se mostra no mais alto grau de machismo ao dizer que o homem, por ser mais forte, não deve bater em mulher, basta simplesmente "segurar pelo braço". Não precisa agredir, basta reprimir a sua liberdade segurando-a pelo braço. O mesmo apresentador praticamente incentiva a reação ao assalto, numa performance risível. A âncora de outro jornal, após  noticiar duas tragédias, simplesmente sorri para a tela, dizendo "Vamos mudar de assunto", passando a noticiar sobre moda. Novelas propagando esterótipos maniqueístas em atuações ridícualas, programas que tem a intensão de embelezar as mulheres, mas só as tornam parecidas com a sua apresentadora, que ironicamente diz que não existe programa igual ao seu. Realmente não há. Após isso, lavemos a alma com programas religiosos que vem com a tentadora libertação espiritual, de tornar-nos imunes às mazelas que nos rodeias, mas somente se pagarmos seis parcelas de determinado valor, vindo a adquirir seus maravilhosos produtos (uma carteirinha de teólogo?). Nos cultos cansamos de ver preconceitos, desvios de valores, ignorância, o tabu do sexo, em performances grandiosamente risíveis. Mulheres que exibem seus corpos, mais jornais que noticiam informações alienadas, novelas que tem a intensão de retratar o drama mas que para um espectador médio só desperta o riso.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=0uNtVacMFRw

 

Por que a televisão aberta produz nesse nível audiovisual amador? O que será daquele que tem o hábito constante de assistir a programação da TV aberta? Afinal, por que ainda assistimos televisão?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 às 12:49 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

A vida numa rua de classe média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado, após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranquilidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia (Maeve Jinkings), casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho.


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Muitas vezes um filme não se define por si só, mas faz sentido quando visto num contexto mais amplo de outras obras. Sempre uso como exemplo o longa ”Crash”, de David Cronenberg, que pra mim só se torna um complemento da sua obra anterior e uma citação para as obras futuras. Não é a toa que vemos um pouco de “Crash” em, por exemplo, “Marcas da violência”, onde Cronenberg faz um verdadeiro estudo de comportamento e relacionamento através de duas cenas de sexo entre seus personagens. Assim, a minha primeira impressão sobre “O Som ao Redor” foi um pouco deturbada pela minha má interpretação das intenções do diretor. Todavia, ao fazer uma sessão dupla com o improvável “Waking Life” de Linklater, passei a pensar em ambos os filmes como crônicas, cada um com um foco diferente.


O filme de Kleber Mendonça Filho nos proporciona a visão pessoal da vida em um bairro de Recife, através de uma narrativa baseada numa sonoplastia construída através de um misto de sons diegéticos, fazendo-se uso do conceito de “ponto de vista sonoro” para cada personagem, selecionando, dessa forma o som ambiente para proporcionar ao expectador o mundo interno de cada personagem.


Vindo à tona fotos em preto e branco do nosso passado seguido de um corte seco para um menino de bicicleta e uma garota de patins num plano – sequencia muito bem construído, podemos perceber a intensão do filme: traçar um panorama da vida da classe média, considerando seus anseios, angústias e, principalmente, o aparente marasmo de suas vidas. Filhos de passado cruel, que se reflete na maneira como Francisco administra a ‘sua rua’, como se fosse o seu engenho, recrutando membros da família para o trabalho e protegendo o seu neto relapso e criminoso, a classe média retratado parece não ter um passado ou uma história da qual se orgulhe, se refugiando em seus roubos, em seus eletrodomésticos, em suas frustrações, em suas melancolias. Uma classe que termina por vender sua vida por um salário mínimo ou por programas de televisão vazios de significado.


“O Som ao Redor” apresenta um clima de tensão crescente, em particular com a chegada de um personagem que tem a proposta de proporcionar ‘segurança’. Pois com a chegada de Clodoaldo, vemos evidenciada mais uma paranoia dos personagens retratados: o seu isolamento domiciliar, o medo do contato. Numa sociedade fundada por meio de violência e sustentada por ela, não é de se espantar que as coisas cheguem nesse nível de paranoia.


http://www.youtube.com/watch?v=wweuSi_krNs

Logo de cara me senti tentado em encarar “O Som ao Redor” como um filme de vingança e, se assim fosse, o longa estaria a todo o tempo escondendo o jogo, para causar o impacto da revelação baseado num foco em histórias que não exercem nenhuma função para o filme como um todo. Se fosse um filme de vingança. Mas seria julgar todo um filme por uma revelação que surge no final. Sendo que a referida revelação só contribui para a visão que expus até aqui. Não, “O Som ao Redor” é uma crônica sobre a vida da classe média brasileira no microcosmo de um bairro de Recife, um retrato pessoal e intimista que Kleber Mendonça Filho constrói, não se preocupando com uma trama em específico, mas sim em retratar a vida daquelas pessoas na dimensão exata em que se sucede. Assim como “Waking Life”, que promove uma exploração interior no aspecto da sensação, dos sentidos e da filosofia, “O Som ao Redor” promove a nossa auto exploração enquanto membros de uma sociedade construída nas condições que conhecemos.


Direção: Kleber Mendonça Filho

Duração: 131 minutos

Música composta por: DJ Dolores

Roteiro: Kleber Mendonça Filho

Elenco: Maeve Jinkings, Gustavo Jahn, Irma Brown, Ana Rita Gurgel,Caio Almeida, Irandhir Santos, Júlio Rodrigues, Sebastião Formiga,Lula Terra, Dida Maia, Felipe Bandeira, Waldemar José Solha,Mauricéia Conceição, Graziela Santos da Rocha, Gabriela Santos da Rocha

domingo, 2 de fevereiro de 2014 às 14:03 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Cineasta Eduardo Coutinho é morto a facadas no Rio.

O que marca a notícia da morte do cineasta é a sua brutalidade.Morto a facadas em sua casa no Rio de Janeiro, sendo o principal suspeito seu filho, que supostamente sofre de doenças mentais.

às 13:42 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O The Wall Street Journal acaba de noticiar que o ator e diretor Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento

O The Wall Street Journal acaba de noticiar que o ator e diretor PhilipSeymour Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento.