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Ela

domingo, 23 de fevereiro de 2014 às 18:54 Postado por Gustavo Jacondino 1 Comment



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Ela” acompanha a história de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele adquire um novo sistema operacional com alta capacidade de inteligência artificial. Ao iniciá-lo, ele conhece “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que do tempo, a amizade dos dois se aprofunda em um inusitado amor um pelo outro.

Theodore, desde o início da projeção, estabelece as características de um personagem solitário que, em sua complexa dicotomia, tem mais habilidade em se comunicar com os outros, expressando emoções de terceiros, do que estabelecer uma comunicação saudável com outros seres humanos à sua volta.

Ao se relacionar com o seu novo Sistema Operacional, que por definição trata de emular um ser humano, o potencial da auto reflexão se faz presente em Theodore, inclusive ao tentar refletir sobre o seu antigo relacionamento.

O diretor Spike Jonze trata de fazer o bom uso de todo o potencial que a sua história pode oferecer. Ao pintar a sociedade tecnocrata formada por indivíduos que, lado a lado, mal olham uns para os outros, relacionando-se com seus compactos computadores, dando inclusive uma perspectiva extrema, mas nunca exagerada, do que uma tecnologia desse tipo poderia gerar em seu uso desenfreado e inconsciente.

Pois Spike Jonze, que já trabalhara com o brilhante roteirista Charlie Kaufman, que por sua vez explorara um tema parecido em “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, sobre a dor de uma separação, mas também sobre a importância das experiências vividas em comunhão, por mais desagradáveis que algumas delas possam ser. Pois se em “Brilho Eterno...” uma tecnologia é utilizada para remover lembranças, aqui a tecnologia serve ao personagem de Joaquin Phoenix como única alternativa de escapismo da realidade, a fim de preencher o vazio que leva sua vida.

Dessa forma, preferindo investir num relacionamento uma inteligência artificial, fica claro que Theodore busca, sim, uma solução para a sua solidão, mas ter que se comprometer com as responsabilidades de um relacionamento sério de convivência, e com as dores que podem advir dele.

Spike Jonze trata de explorar outro potencial instigante de sua história: o fato de que Samantha, como um Sistema Operacional, tendo acesso a um amálgama de informações e podendo processá-las de maneira poderosa, como nenhum ser humano seria capaz de fazer, por mais humana que possa parecer em suas interações (apesar de usar toda a sua capacidade de processamento para se parecer mais com um ser humano), inevitavelmente acaba desenvolvendo capacidades de percepção que vão além da visão de qualquer indivíduo. Pois, sendo o ser humano igualmente resultado de várias informações, sensações, lembranças, instintos e percepções, abre espaço para a discussão sobra a humanidade de Samantha, sobre até onde o desenvolvimento de uma inteligência artificial criaria uma “consciência de si”. Pois nem isso Spike Jonze deixa de explorar em seu filme.


Convidando o seu personagem (e a nós mesmos) a olhar para a realidade à nossa volta de maneira mais otimista e, acima de tudo, ativista, Spike Jonze nos incita a pensar que a vida nada mais é do que aquilo que fazemos dela, não é perfeita, muitas vezes sofremos, mas é real, limitada e, por isso mesmo, não podemos perder a oportunidade de dar um rumo a ela por nós mesmos.

Direção e Roteiro: Spike Jonze

Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Olivia Wilde, Rooney Mara, Chris Pratt, Portia Doubleday, Cassandra Starr, Sam Jaeger

1 Response so far.

  1. […] Ela ★★★★★ – Solidão, a dificuldade deixada pelos relacionamentos que terminam, a presença da tecnologia e um pouco de esperança constituem essa obra prima de Spike Jonze. […]

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