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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 às 15:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


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 Em 2089 uma equipe de cientistas viajam através da nave Prometheus até um planeta distante baseados nas escavações de Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) em cavernas, que encontraram padrões nos desenhos que aparentemente apontam para um lugar específico do Universo, de onde extraterrestres podem ter partido para criar a vida humana na Terra.


Ridley Scoot não é padrão de qualidade já faz tempo e isso não é novidade pra ninguém. Nos primeiros minutos de seu filme somos agraciados com ótimos efeitos e composição de ambientes muito rica que só um grandioso longa de ficção científica pode oferecer. O robô David (Michael Fassbender) preenche o filme inspirando uma certa dúvida em relação às suas motivações, tanto pelo atuação de Fassbender como pela maneira como foram retratados os androides no decorrer da série Alien, ora como ameaça, ora como companheiros. E as sequências iniciais já são interessantes pela menção à “Lawrence da Arábia”, remetendo à consciência que David tem de estar explorando um novo mundo assim como Lawrence explorara o deserto. Porém tem elementos que surgem divertidos, mas acabam por contribuir para nos tirar do filme em si, como uma voz que remete à HAL9000 de “2001-Uma Odisseia no Espaço” ou os sonhos de  Elizabeth em que a presença do pai se faz de grande importância, aliado ao apelido Ellie e o sobrenome Holloway de seu colega-namorado, que me lembrou de imediato Eleanor Aroway (‘Ellie Holloway’) de “Contato”. Pois as pistas se mostram corretas no sentido em que apontam para um filme de ficção científica que busca fundamentar sua trama através de ideias, como nos dois longas citados. Mas aí está o problema. Confesso que tive dificuldade em aceitar a concepção de um “criacionismo cósmico” embutido de tecnologia a fim de parecer científico quando na verdade vemos Charlie Holloway dizer para Elizabeth Shaw: ‘- Não seja cética’. Ridículo defender a crença e condenar o ceticismo, uma vez que todo o conhecimento científico se fundamenta neste. Mais ridículo ainda é ver uma cientista que ‘acredita’ porque escolhe acreditar e nunca se refere à evidências ou certezas, ou mesmo as vitais incertezas e dúvidas.

Os cientistas presentes no filme não honram sua profissão, uma vez que um geólogo que se perde na área que ele próprio se encarregara de mapear e um biólogo que gosta de brincar com ‘cobras extraterrestres’, que só por serem extraterrestres já pede uma maior precaução do mesmo, enfim, são coisas que enfraquecem a lógica do filme e os sustos que poderiam surgir desses momentos. Nesse sentido “Prometheus” está bem distante de “O Oitavo Passageiro”, se constituindo mais num “Alien X Predador” mais caprichado visualmente, com boas cenas de ação, com grande ambição de ser mais do que é e, claro, sem o Predador, mas encontrando um equivalente humanoide em meio a um elenco grandioso.

Para quem procurou Guy Pearce e só achou nos créditos, ele está desperdiçado numa maquiagem bem pesada e artificial, quase ridícula, como Peter Weyland.

Assim, ao propor uma premissa que já surge meio problemática e estabelecer personagem rasos, (com exceção de David, que é bem interessante e o personagem mais ‘humano’ do filme) “Prometheus” não assusta nem um pouco e o máximo que pode provocar é certa admiração pelos efeitos que envolvem as criaturas no final do filme, realmente muito bem feito, mérito da equipe técnica do filme, mas infelizmente não digo o mesmo de Scoot, que eu não acredito ser a mesma pessoa que fez  “O Oitavo Passageiro” ou “Blade Runner”, meus filmes favoritos do gênero. A cereja do bolo é que o filme não conclui nada no final, jogando para numa possível continuação a explicação do que de fato aconteceu ali. Com o perdão do trocadilho, “Prometheus” promete, mas não cumpre, que nem Ridley Scoot.

Prometheus, 2012

Diretor: Ridley Scott

Roteiro: Damon Lindelof,Jon Spaihts,Ridley Scott

Diretor de fotografia: Dariusz Wolski

Compositor: Marc Streitenfeld


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