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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 às 15:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


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 Em 2089 uma equipe de cientistas viajam através da nave Prometheus até um planeta distante baseados nas escavações de Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) em cavernas, que encontraram padrões nos desenhos que aparentemente apontam para um lugar específico do Universo, de onde extraterrestres podem ter partido para criar a vida humana na Terra.

às 15:04 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Os momentos mais importantes da nossa vida são os primeiros. A influência que as impressões que a infância nos deixa de herança são a semente da nossa definição como seres humanos. Nesse sentido, “Árvore da vida” discorre sobre isso de uma maneira tal que promove um estudo sobre o ser humano enquanto estrutura que se forma física e psiquicamente. Contando a história de Jack O’Brien (Sean Penn adulto; Hunter McCracken na adolescência), filho mais velho do Sr. O’Brien (Bradd Pitt) e sua esposa (Jessica Chastain), que vivem numa cidadezinha do Texas durante a década de 50, e dos irmãos R.L. (Laramie Eppler) e Steve (Tye Sheridan), Jack cria um laço mais estreito com o primeiro, que tem a morte citada ao início do filme.

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Terrence Malick capta suas imagens de maneira a focar em detallhes como mãos, olhares, angulos baixos, planos tortos e ângulos inusitados, construindo seu filme com o que parece serem fragmentos de lembranças dos seus personagens, principalmente de Jack. E ao buscar diferenciar a ‘natureza’ da ‘graça’, dando à primeira a característica de ser fria e egoísta, ao passo que a segunda se estabelece como generosa cheia de dádivas, Malick vai corroborar para que possamos concluir que uma está presente na outra, pois ao ter que confrontar a dor da perda de seu filho, a personagem de Jessica Chastain nos faz ver não só o significado da compaixão, mas sim de onde ela surgiu. Com sequências lindas do Big Bang, da formação do Planeta e do surgimento da vida, podemos presenciar a gênese da compaixão presente em dois seres pré-históricos que de certa forma acabam por ir de encontro ao puro extinto e questionar o seu papel com o outro. E quando vemos um meteoro atingir a Terra e que causará a extinção dessa espécie em particular, podemos refletir se o ato de compaixão demonstrado não é algo constante dos seres dotados da capacidade de viver, independente da espécie que pertencem. Pois essa é a única segurança e aconchego que temos num Universo que acabamos de presenciar a formação: o outro. Viver e ter a capacidade de amar se constitui na maior dádiva que a natureza nos concedeu em milênios de evolução. Quanto a presença de Deus e propósitos específicos e metafísicos da vida, essa considero ser uma criação humana muito subjetiva para a leitura daquilo que nos rodeia.

A simbologia de Malick atinge objetivos religiosos bem específicos, mas que também louva a ciência, como na cena em que a mãe irá dar luz ao seu filho e vemos uma criança sair de uma casinha debaixo d’agua, remetendo a origem aquática da célula primitiva já mostrada anteriormente pelo cineastra.

A maneira como Malick contrasta dois mundos diferentes para Jack se estabelece quando o vemos adulto, rodeado por ambientes geométricos que exprimem a sensação de vazio e inexpressividade pela quase ausência de elementos de decoração e por um ar sempre formal. Em contrapartida as passagens que envolvem a sua infância surgem com a ambientação que mostram calor humano, do quintal, às histórias contados por sua mãe, a exploração dos ambientes que empreende na companhia de outros garotos, até a criação que seu pai lhe imprime. Esta tem uma importância fundamental através do constaste que proporciona, remetendo às definições de ‘natureza’ e ’graça’ anteriormente citadas. Enquanto sua mãe é doce, gentil, amável, o pai é duro, severo, exigente e punitivo. Um representa as belezas do mundo e aquilo que pede admiração e amor, devolvendo-os em dobro. Outro representa as durezas do mundo, a luta contra a própria destruição e a vontade do auto-crescimento a fim de se estabelecer como ser diante de tudo que vai contra isso. Na minha visão, enquanto uma vem da capacidade de admirarmos e compreender o mundo, do nosso contato e compreensão da natureza, a segunda se encontra mais presente na sociedade construída através do tempo, através da afirmação do indivíduo e da necessidade de sobreviver às intempéries da sociedade de consumo. Posso complementar dizendo que essa estrutura social construída pelo ser humano encontra paralelo na própria vida na natureza, que sempre cobrou de nós (mais de nossos ancestrais  sem dúvida) a capacidade de enfrentar adversidade, oponentes mais fortes e adaptação ao que estava por surgir. Mas as duas maneiras de viver se completam, não se vive uma sem sentir falta da outra. Malick nos aconselha então que valorizemos a descoberta, a curiosidade, o amor. Dessa maneira a plenitude da vida será atingida fazendo uso de todas as ferramentas que a natureza nos entrega para que possamos viver. E descobrindo isso, Jack é capaz de olhar para o seu mundo frio e enxergar um lampejo de esperança. Quiça possamos também fazer o mesmo.

The Tree of Life, 2011

Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Diretor de fotografia: Emmanuel Lubezki

Compositor: Alexandre Desplat

quinta-feira, 11 de outubro de 2012 às 12:15 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Festival de Cannes, 1960. O filme vaiado pelo público será o que receberá celebrado por influentes críticos e cineastras por meio de uma declaração e apontado como segundo melhor filme já feito pela revista Sight & Sound três anos depois. “A Aventura” estabelece o já consagrado Michelangelo Antonioni e é o seu divisor de águas tanto para sua carreira como para o cinema. Então vamos a ela: um grupo de romanos burgueses resolve ir para um cruzeiro, parando numa pequena e desolada ilha rochosa para uma tarde de ócio, até que Anna (Lea Massari) desaparece, a quem somos apresentados ao início do filme, junto de sua amiga Claudia (Monica Vitti) e de seu namorado Sandro (Gabriele Ferzetti), com o qual tem uma problemática relação que é sugerida.


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Aliás, em “A Aventura” tudo é simplesmente sugerido, como o tubarão e o barco misterioso que aparecem em dado momento em cena, que podem servir de possíveis explicações para o desaparecimento de Anna. Esta inclusive inventara que vira um tubarão, terminando com a tarde de banhos dos amigos e demonstrando que algum sentimento indeterminado que varia entre insatisfação, monotonia, tudo com alguma culpa atrapalhava o relacionamento com Sandro. Se inventara ou não o tubarão, se fora pega por ele ou não, se fugira para realizar o seu desejo de estar sozinha e longe de Sandro ou se fora raptada por extraterrestres, enfim, não importa e nem essa é a preocupação de Antonioni. Naquele ponto esse já havia estabelecido as pessoas pelas quais teria o interesse de estudar ao longa da narrativa, e o posterior romance que se constrói de maneira intensa e vívida por Claudia e Sandro é a cereja do bolo, que já fora sugerido pelo plano da janela em que Anna, no apartamento de Sandro, se deita em sua cama e vemos Claudia a olhar da rua e Sandro reagindo com o fechar da cortina. Interessante notar que antes do desaparecimento de Anna e pouco depois desse fato, não acreditamos que ali irá surgir uma paixão, pois ela é construída aos poucos de uma maneira autêntica e cadenciada que só Antonioni poderia conceber.


Dessa forma, a busca desesperada por Anna vai se transformando em um amor culpado vivido por Claudia, e é instigante vermos como a culpa caminha de dentro para fora. Quando esta já se rende ao romance com Sandro, numa maravilhosa sequência filmada por Antonioni vemos que a culpa de Claudia agora se apresenta sob os olhares de desejo e curiosidade vindos dos homens que lhe rodeiam. E haja homens para fazer aquela cena do retrato subjetivo de uma alma atormentada pelo desejo de ter aquilo que não é seu. Por essa razão a busca por pistas de Anna se converte numa descoberta sexual pelo casal, uma desculpa para se conhecerem e viverem a paixão, tanto que não mais esperam encontrar a desaparecida, mas unicamente encontrar um espaço para viverem juntos.


Curioso fato que permeia “A Aventura” é sua semelhansa com “Psicose” por apresentar na premissa o elemento da “protagonista” que morre no meio do filme. A sempre interessante inversão de expectativas. Poderíamos traçar paralelos com “A Doce Vida”, que encontra também a sua equivalente estrela de Anita Ekberg do filme de Fellini, na pele da escritora interpretada por Dorothy De Poliolo. Curioso o fato, uma vez que as três produções datam de 1960.


É notável perceber o realismo conseguido por Antonioni através do olhar perdido e gestos fúteis de seus personagens, que ele insiste em filmar, tornando simples sequências em longos momentos de introspecção e verdade que nenhum filme dogma 95 seria capaz de retratar. Podemos muitas vezes, ao assistir ao “A Aventura”, pararmos para pensar na vida e nos perdermos nos olhos de Monica Vitti, como eu fiz em vários momentos, mas terminamos por reconhecer na traição de Sandro a quebra de uma promessa, e no perdão de Claudia a esperança no feminino que pode resistir ao advento da burguesia, das horas preenchidas por ócio, de fraudes e do sexo fácil. Mas podemos temer que Claudia possa partilhar de sentimentos similares aos de Anna no início do longa.


L'Avventura, 1960


Direção: Michelangelo Antonioni


Roteiro: Michelangelo Antonioni, Elio Bartolini, Tonino Guerra


Produção: Cino del Duca 

às 12:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O cinismo mordaz de Billy Wilder, que por sinal encontra paralelo com os personagens aqui retratados, é a força motriz deste clássico que se mantém atual até hoje, e provavelmente sempre será atual não importa quanto tempo a humanidade durar, uma vez que os sentimentos ali trabalhados são universais e a muito arraigados pelos seres humanos. Isso e muito mais podemos concluir da história de Joe Gill (William Holden), um roteirista desempregado que se vê obrigado a narrar as circunstâncias que levaram a sua morte, resultado de um relacionamento com uma megalomaníaca e ex-estrela do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson).


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De cara o roteiro já estabelece a personalidade de cada personagem dentro da trama, levando o malfadado Joe Gill a encontrar na sua crítica interpretada por Nanci Olson o sepultamento de seu sonho de fazer sucesso em Hollywood e no encontro com Norna Desmond a estranha, assustadora e ao mesmo tempo cômica chance de ter todo o glamour que buscava, mas desta vez vindo de um passado que já estava sepultado.


A composição das cenas que nos mostram o interior da mansão em Sunset Boulevard consiste maravilhosamente numa mescla de climas, do decadente ao gótico, sempre com o toque insano e que flerta com o terror, não é a toa que a figura do mordomo careca e aparentemente frio que esconde um segredo me pareça algo tão orgânico a esse gênero. Me refiro ao personagem de Erich von Stroheim, o grande protetor de Norma Desmond e também, a propósito, fora seu primeiro marido.


Recheado de frases memoráveis (“Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.”), “O Crepúsculo dos Deuses” também conta com atores que fazem completamente jus a sua metalinguagem e crítica a Hollywood, uma vez que Norma Desmond, a atriz ultrapassada é interpretada por Gloria Swanson, também uma atriz nesse estado de carreira (e confia plenamente na sanidade de Swanson em sua vida pessoal na época em questão), que em dado momento do longa é levada a assistir um filme mudo (Queen Kelly - 1920) do qual ela estrelara na vida real, sob a direção de Erich von Stroheim, filme traumático para ambos devido ao desastre gerado para suas careiras. Contando também com as presenças dos “bonecos de cera” Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson, Cecil B. DeMille interpretando a si mesmo, que aos olhos de Wilder parece estar a um passo da decadência protagonizada por sua amiga. O olhar incisivo de Wilder lhe rendeu uma boa história.


Contado com um final de cunho sombrio e ao mesmo tempo presenteando sua protagonista com mais uma chance de flertar com as câmeras, que é sugerida na nostalgicamente sensível cena do interior do estúdio da Paramout com DeMille, a loucura de sua de Norna Desmond (“Ninguém dá as costas para uma estrela”) não depende só dela. Hollywood e os meios de comunicação contribuem para que pessoas assim se tornem, e Wilder teve a coragem de dizer isso aqui, como teria coragem de dizer em outras oportunidades (“A Montanha dos Sete Abutres”).


Sunset Boulevard,1950


Direção: Billy Wilder


Roteiro: Charles Brackett /Billy Wilder / D.M. Marshman Jr.