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quinta-feira, 11 de outubro de 2012 às 12:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O cinismo mordaz de Billy Wilder, que por sinal encontra paralelo com os personagens aqui retratados, é a força motriz deste clássico que se mantém atual até hoje, e provavelmente sempre será atual não importa quanto tempo a humanidade durar, uma vez que os sentimentos ali trabalhados são universais e a muito arraigados pelos seres humanos. Isso e muito mais podemos concluir da história de Joe Gill (William Holden), um roteirista desempregado que se vê obrigado a narrar as circunstâncias que levaram a sua morte, resultado de um relacionamento com uma megalomaníaca e ex-estrela do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson).


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De cara o roteiro já estabelece a personalidade de cada personagem dentro da trama, levando o malfadado Joe Gill a encontrar na sua crítica interpretada por Nanci Olson o sepultamento de seu sonho de fazer sucesso em Hollywood e no encontro com Norna Desmond a estranha, assustadora e ao mesmo tempo cômica chance de ter todo o glamour que buscava, mas desta vez vindo de um passado que já estava sepultado.


A composição das cenas que nos mostram o interior da mansão em Sunset Boulevard consiste maravilhosamente numa mescla de climas, do decadente ao gótico, sempre com o toque insano e que flerta com o terror, não é a toa que a figura do mordomo careca e aparentemente frio que esconde um segredo me pareça algo tão orgânico a esse gênero. Me refiro ao personagem de Erich von Stroheim, o grande protetor de Norma Desmond e também, a propósito, fora seu primeiro marido.


Recheado de frases memoráveis (“Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.”), “O Crepúsculo dos Deuses” também conta com atores que fazem completamente jus a sua metalinguagem e crítica a Hollywood, uma vez que Norma Desmond, a atriz ultrapassada é interpretada por Gloria Swanson, também uma atriz nesse estado de carreira (e confia plenamente na sanidade de Swanson em sua vida pessoal na época em questão), que em dado momento do longa é levada a assistir um filme mudo (Queen Kelly - 1920) do qual ela estrelara na vida real, sob a direção de Erich von Stroheim, filme traumático para ambos devido ao desastre gerado para suas careiras. Contando também com as presenças dos “bonecos de cera” Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson, Cecil B. DeMille interpretando a si mesmo, que aos olhos de Wilder parece estar a um passo da decadência protagonizada por sua amiga. O olhar incisivo de Wilder lhe rendeu uma boa história.


Contado com um final de cunho sombrio e ao mesmo tempo presenteando sua protagonista com mais uma chance de flertar com as câmeras, que é sugerida na nostalgicamente sensível cena do interior do estúdio da Paramout com DeMille, a loucura de sua de Norna Desmond (“Ninguém dá as costas para uma estrela”) não depende só dela. Hollywood e os meios de comunicação contribuem para que pessoas assim se tornem, e Wilder teve a coragem de dizer isso aqui, como teria coragem de dizer em outras oportunidades (“A Montanha dos Sete Abutres”).


Sunset Boulevard,1950


Direção: Billy Wilder


Roteiro: Charles Brackett /Billy Wilder / D.M. Marshman Jr.

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