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sexta-feira, 31 de agosto de 2012 às 10:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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No início de sua projeção de cara somos apresentados ao decadente circo Esperança (com todas as interpretações possíveis que podemos dar a esta frase). O contraponto em que Selton Mello nos permite ver a decadência do circo é exatamente na subjetividade do palhaço Benjamin.
Seu caráter, num misto de preocupado com alienado e pontuando suas interações com certa dose de humor negro faz com que notemos o nível de deslocamento que este sente  com sua atividade e com uma série de fatores que o preocupam, como dinheiro, o fato de não ter um alvará para o circo nem uma carteira de identidade, entre outros. Nesse meio tempo somos apresentados a uma série de personagens que transmitem esse ar de frustração de uma classe trabalhadora que vive de sonhos e esperança. E é este sentimento que é a força motriz desse filme, porque é atrás dele que o palhaço Benjamin vai buscar aquilo que ele julga ser sua verdade (ou melhor dizendo: identidade, com todas as interpretações possíveis que podemos dar a esta palavra). E a saída de determinada personagem do circo, que inevitavelmente representou a sensualidade, luxuria e cobiça, em três momentos distintos da trama, alguns deles severamente observados pelos olhos de uma criança, faz com que naturalmente o circo siga o seu trabalho se aproximando cada vez mais do nome que ostenta a sua fachada.

Dessa forma o retorno de Benjamin ao circo nunca soa de maneira frustrada, pois o personagem de Selton Mello, no decorrer da trama, vai se dando conta de seu destino à medida que sofre e devaneia.  Mas não é este um destino cruel, uma vez que Benjamin se convence que faz aquilo que sabe de melhor, e somos apresentados novamente ao circo, de maneira semelhante na sequência inicial, porém com uma importante apresentação de dada personagem do circo, que inevitavelmente representou a inocência, fé e esperança (olha essa palavra de novo) em três momentos distintos da trama, graciosamente observados pelos olhos de um palhaço que descobriu o valor de seu labor.

Direção de Selton Mello

Roteiro de Selton Mello e Marcelo Vindicatto

Produção de Vânia Catani

Direção de Fotografia de Adrian Teijido

Direção de Arte de Claudio Amaral Peixoto

Trilha Sonora de Plínio Profeta

Elenco: Selton Mello, Larissa Manoela , Paulo José, Moacyr Franco, Giselle Motta
 

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