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quarta-feira, 29 de agosto de 2012 às 21:21 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” conta a história do jornalista Mikael Blomkvist (Craig), condenado por uma matéria escrita contra um empresário poderoso. Temendo prejudicar a reputação da revista “Millennium”, ele decide se afastar e é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Plummer) para investigar o desaparecimento de sua sobrinha ocorrido há 40 anos. Cercado pela estranha família Vanger, que inclui ex-nazistas e segredos pesados, Mikael acaba contando com o auxílio da hacker Lisbeth Salander (Mara), uma jovem problemática que encontra-se sob supervisão do Estado em função de seu passado.

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O filme de cara já nos apresenta um ritmo ágil de contar o seu prólogo, ao apresentar os personagens. Vem diminuindo seu ritmo após o seu envolvente clip musical, em que começa a estabelecer a trama policial e posteriores conflitos entre personagens, até o momento em que a dupla central de encontra e dá início a investigação. Uma improvável dupla de investigadores composta por um jornalista econômico acusado de difamação e uma hacker órfã. Dado o bom desenvolvimento que temos de ambos, é interessante notar que mesmo depois de o “mistério ter sido solucionado”, David Fincher nos entrega mais alguns minutos de sua projeção para que possamos acompanhar o rumo de seus personagens, uma vez que são estes que nos impulsionam a entrar nessa história, em especial Lisbeth Salander.

Tecnicamente, é interessante a maneira como as cenas são concatenadas dentro do longa, como aquela seqüência de perseguição de um carro por uma moto, demonstrando paralelismo bem estruturado entre os movimentos dos veículos e os seus respectivos destino ao final da seqüência. Apesar de cortes rápidos, a seqüência consegue ser completamente verossímil, inclusive na explosão que surge após o carro sofrer a queda, com a aproximação da personagem de Rooney Mara e o insistente pisca do carro, induzindo a interpretação de que uma faísca produzida pelo pisca é o resultado da posterior explosão.

Mais próximo do final vemos novamente a personagem de Rooney Mara comentar com seu “tutor”, enquanto jogam xadrez, que encontrou um amigo, do tipo que ele ia gostar. Após a fala, ela avança um peão, num plano bem privilegiado que temos do tabuleiro, permitindo prever uma possível “investida” pretendida pela personagem, a fim de que o “amigo” se torne “algo mais”, como o próprio roteiro já cansou de pontuar em diferentes momentos da trama.

Assim, apesar de um grande mistério por trás da já comentada investigação e de sua inusitada e surpreendente conclusão (e, porque não, emocionante), o que prevalece em Millenium são, acima de tudo seus personagens. E seu eu disse anteriormente que a dupla de investigadores era improvável, ao final percebemos o porquê, quebrando não só a ilusão alimentada por Lisbeth Salander, mas também como um interessante recurso de David Fincher para nos ajudar a sair de sua projeção e encarar o pragmatismo do mundo real, que inevitavelmente Salander terá de enfrentar também. Dessa forma, após a experiência vivida, saímos modificados, apesar de voltarmos ao nosso estágio inicial, onde tudo teve início (personagens e expectadores).

Direção: David Fincher

Roteiro: Steven Zaillian

Título original: The girl with the dragon tattoo, 2011

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