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quarta-feira, 29 de agosto de 2012 às 21:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Tem filmes que merecem ser lembrados eternamente pela sua importância política e social. É o caso de Mississipi em Chamas, de Alan Parker.
O desaparecimento de ativistas que defendem os direitos humanos desencadeia uma perigosa e importante investigação pelo FBI envolvendo as ações da Ku Klux Klan. Aparecem Ward (Willem Dafoe) e Anderson (Gene Hackman), tendo que trabalhar juntos e superar algumas diferenças.

As personalidades de cada um dos agentes é o que mais chama a atenção quando confrontamos os seus métodos de trabalho. Ward é mais pragmático e procura seguir sempre as diretrizes e procedimentos do FBI, enquanto Anderson sabe das possíveis consequências que essa investigação pode causar, do estrago que irão representar se forem longe de mais, porém a sua experiência o faz dosar muito bem a gentileza e carisma com a rudeza e a firmeza necessárias em alguns momentos-chave. A investigação caminha de fato com as descobertas feitas por Anderson de maneira pouco convencional, mas que se mostra apropriada e vital. “Essa gente saiu do esgoto. Talvez fosse para lá que devêssemos ir”, é o que Anderson responde para Ward em dado momento da projeção. Como descobrir o modo como foi violado os diretos humanos, sem violarmos os direitos de quem outrora os violou no passado? É uma assustadora pergunta que surge quando assistimos ao filme. “Qualquer um que vê isto acontecer e ignora é culpado... Talvez todos nós sejamos”. A culpa recai pelos que cometeram o assassinato, sobre quem viu ou soube e não fez nada, e sobre aqueles que, mesmo conseguindo prender os culpados, se fazem culpados pela maneira como agiram para concretizar o seu intento. A direção de Parker, como sempre, é maravilhosa ao alternar momentos de discussão e investigação com momentos de pura tensão, muito bem regidos pela trilha de Trevor Jones, que mesmo sem evocar um tema inesquecível de que vamos lembrar depois, faz com que sua trilha soe muito eficiente dentro do filme, o que já é o bastante. Reparem nos momentos-chave em que ocorre a ausência do som ambiente para dar lugar a canções e os momentos em que vemos relatos do povo de Mississipi falando sobre o que acham da ação do FBI ou do modo como os negros são tratados. Dafoe e Hackman estão brilhantes em suas interpretações, conseguindo com poucas frases e interações passar a aura das personagens. O elenco de apoio se sai igualmente brilhante.

Dessa forma, Alan Parker nos entrega algo mais que um filme, mas uma autorreflexão necessária e um estudo sobre a sociedade, suas ações, sua formação e principalmente: seu futuro.

Diretor: Alan Parker

Produtor: Frederick Zollo e Robert F. Colesberry

Roteiro: Chris Gerolmo

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