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quinta-feira, 16 de agosto de 2012 às 06:25 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Este texto apresenta alguns spoilers (revelações sobre a trama).

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Guerreiro é um ótimo filme até os seus minutos finais, onde pega todas as suas qualidades e simplesmente as joga para o ar “pra ver no que vai dar”, ou simplesmente por querer concluir a história de maneira mais aceitável ou digestível para o público, ou porque seus realizadores perderam a mão no final, o que é uma pena.
O longa conta a história de dois irmãos que resolvem entrar em um campeonato de MMA, um para não perder a casa onde vive com sua mulher e filhas, o outro por motivos obscuros que serão revelados no decorrer do filme. Mas descobrimos que o passado deles é mais sombrio que podíamos imaginar.

O filme tem como ponto alto a estética de “filme documentário”, ou “filme com câmera digital”, dando aquele clima de “vídeo do you tube” que já vem se tornando convenção, mas que não deixa de ser agradável e soa apropriado para a história que conta. Entremeado pelas filmagens tremidas, movimentos de câmera rápidos, alguns zooms, imagens desfocadas e planos fechados, vemos a história de uma família fragmentada por um passado que vai se revelando aos poucos. Tom Hardy encarna seu personagem de maneira a formatá-lo como o que mais sofreu pelo abandono de pai e do irmão e pela morte da mãe. E o filme acerta em não evidenciar se esse abandono é mais uma amargura de Tommy, principalmente no que se refere ao irmão, que já havia optado por compartilhar a vida com a namorada e declara nem saber que sua mãe estava doente, uma vez que Tommy não contou. Tommy é dominado pela descrença e amargura agindo de maneira implacável com o pai e o irmão. E que dizer de Brendan (Joel Edgerton), que depois de abandonar as lutas para se tornar professor se vê obrigado a voltar a esse mundo para tentar salvar a vida que construiu para sua família, contando com o apoio da sua compreensiva esposa? E mesmo o pai, Paddy Conlon interpretado por Nick Nolte de maneira brilhante, passa a aura de tentar se restabelecer depois dos erros do passado, possivelmente ele sendo o verdadeiro culpado pelo estado de Tommy e do afastamento de Brendan, mas mesmo assim é tocante vê-lo procurando reatar os laços perdidos. Uma cena em particular, que envolve a família de Brendan, a citação das netas, enfim, consegue ser muito tocante. E num cenário de drama criado convincentemente, damos início aos combates. E são os ótimos combates. Enquanto Tommy esmaga seus adversários em lutas rápidas, procurando sempre o nocaute seco e rápido,Brendan se mostra um verdadeiro Rock Balboa com um treinador muito estrategista, suportando a luta até o momento em que pode conduzi-la para o chão onde tem mais vantagem, superando as próprias limitações. Não é preciso nem dizer qual personagem comove e envolve mais, o misterioso e seco Tommy, que não comemora nenhuma vitória no octógono, ou o limitado Brendan, que luta pela própria família e suporta tudo com muita força, esperando o momento certo em que pode terminar com a luta e sair com a vantagem.

Porém, temos o enfrentamento dos dois irmãos. Aqui o confronto se torna mais dramático. E vai tudo muito bem, até o momento em que aparece uma trilha sonora que, particularmente me jogou para fora do filme. E até a sequência final, que se preocupa menos com a luta e mais com a reconciliação dos irmãos, que em tese tinha tudo para funcionar, soou fraca e até ridícula da maneira em que foi executada, pelo menos pra mim. E olhe que por tudo que fora apresentado, só Deus sabe a vontade que eu tinha de sair 100% satisfeito do filme. Mas dessa vez saio 90% satisfeito.

Título Original: Warrior

Direção: Gavin O'Connor


Roteiro: Cliff Dorfman, Gavin O'Connor, Peter Anthony Tambakis


Produtores: Greg O'Connor


Países de Origem: EUA


Duração: 140 min

Tipo: Ação/Drama

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