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domingo, 19 de agosto de 2012 às 10:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Em mais de cem anos de cinema, poucos de nós viveu a época do cinema mudo. Sem dúvida uma das épocas mais importantes para que fossem desenvolvidas estratégias de linguagem que viraram convenções obrigatórias e para estabelecer astros e estrelas desse circuito.
Foi a época em que o cinema se firmou como arte, e não uma simples sucessão de imagens projetadas, mas uma linguagem. E a partir daí o seu desenvolvimento acompanhou as mudanças do século XX. E nada mais adequado do que proporcionar àqueles que não viveram a época clássica do cinema experimentar o prazer de ver um filme mudo, falando sobre a época dos filmes mudos e do advento do som, de maneira comovente a homenagear a Sétima Arte. Na Hollywood de 1927 George Valentim  (Jean Dujardin), astro do cinema mudo, teme que a chegada do cinema falado o faça cair no esquecimento. Enquanto que a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma jovem dançarina por quem Valentim se sente atraído, recebe uma oportunidade para trabalhar no segmento.

George Valentim se estabelece como um grande e influente astro já no início da projeção, ganhando o público pelo carisma marcante. E o encontro com Peppy Miller só confirma o carisma construído por Jean Dujardin para o seu personagem, como também demonstra a graça encontrada por Bérénice Bejo para compor a ascensão do cinema falado e se estabelecer como uma diva. E o momento em que Valentim se encontra em seu camarim ouvindo sons diegéticos, percebendo - se incapaz de falar, resume perfeitamente bem o drama do personagem, preso num mundo tornado antiquado, em que os padrões de gosto e consumo de um público definem a ausência ou não de sentido à sua vida dedicada à sua arte. Porém somos impelidos a pensar o porquê de Valentim não querer se tornar um astro do cinema falado. Como muitos cineastas da época que adquiriram a visão artística da ausência sonora, da expressividade física, da linguagem direta e econômica, Valentim parece ter apontar certa dose de insegurança (“ninguém vai querer ouvir minha voz”) ou mesmo orgulho (“Eu não preciso de você”). O Artista tem sequências muito interessante, como a do bar, onde Valentim derrama bebida em seu próprio reflexo no balcão (“o que você se tornou?”), ou a que está a assistir seus próprios filmes e termina por destruí-los, e quase se destruindo também. E com um final que inverte as expectativas de maneira graciosa, seguido de uma maravilhosa sequência de dança, contamos com um único momento em que o som aparece de maneira a estabelecer certa esperança ao futuro de Valentim, e, claro, do cinema também. Quem sabe essa breve olhada para trás não nos permite criar um futuro mais promissor, não só como quem produz filmes, mas como quem consome também.

Diretor: Michel Hazanavicius

Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell.

Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat

Roteiro: Michel Hazanavicius

Fotografia: Guillaume Schiffman

Trilha Sonora: Ludovic Bource

Distribuidora: Paris Filmes


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