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quarta-feira, 22 de agosto de 2012 às 10:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Em se tratando de fazer cinema, o Brasil apresenta alguns impasses para os seus realizadores. Sim, é difícil produzir cinema aqui, mas Cidade de Deus foi um filme que conseguiu superar essas dificuldades e se mostrar um filme inventivo, ao mesmo tempo em que, contando uma história chocantemente real, não tenta ser mero produto de consumo escapista e descartável.

Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia a dia da favela onde vive, onde a violência aparenta não ter fim.


Fernando Meireles investe na narração em off de Buscapé para contar a sua história em paralelo com outros eventos daquele mundo. A própria presença de Buscapé como um aspirante a fotógrafo funciona muito bem, pois tem a capacidade de, ao mesmo tempo em que está envolvido naquele ambiente, olhar de fora e em perspectiva, tendo uma visão mais independente do que está acontecendo, e nos conceder essa visão com a sua narração. Mas se Meireles é bem sucedido na narrativa inventiva e ágil, muito bem montadas por sinal (com destaque para a história da boca dos Apês, ou a sequência de fusões mostrando o crescimento físico de Dadinho ao mesmo tempo em que este está atirando num alvo baixo em que temos o ponto de vista), também acerta ao não tornar a violência um artigo de consumo ou estética, evitando mostrar balas entrando nos corpos ou a cena de estupro, que unicamente é sugerida. A naturalidade com que o elenco interpreta seus personagens confere também uma verossimilhança que facilita a inserção na narrativa.


E, se Cidade de Deus é o filme brasileiro que mais tem apelo internacional, é unicamente porque não é só um filme sobra favela, mas unicamente um filme sobre personagens, que vivem uma história universal, sobre violência, drogas, inveja, orgulho, discriminação social e criminalidade. O que já serve para torná-lo marcante na cinematografia brasileira.


Diretores: Fernando Meirelles, Kátia Lund

Escrito por: Paulo Lins (livro), Bráulio Mantovani (roteiro)

Elenco: Matheus Nachtergaele , Alexandre Rodrigues , Leandro Firmino da Hora , Seu Jorge , Phellipe Haagensen , Douglas Silva , Jonathan Haagensen , Graziella Moretto , Alice Braga , Daniel Zettel , Darlan Cunha , Gero Camilo , Mary Sheila

Roteiro: Bráulio Mantovani

Produção: Andrea Barata Ribeiro

Fotografia: César Charlone

Música: Ed Côrtes , Antonio Pinto

Montagem: Daniel Rezende

Design de Produção: Tulé Peak

Figurino: Bia Salgado , Inês Salgado




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