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quarta-feira, 7 de junho de 2017 às 10:46 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Com uma mensagem potente e relevante, Barry Jenkins entrega um filme que merece ser visto também pela sua concepção cinematográfica contemporânea. Com uma câmera que sutilmente viaja junto com seus personagens através da trajetória do garoto Chiron (Ashton Sanders), que desde o início do longa sofre de preconceitos e opressões, testemunhamos, num elenco composto exclusivamente por atores negros, o peso e a dificuldade do preconceito na sociedade contemporânea. Questões sobre homossexualidade e drogas são abordadas pelo filme com maturidade e verdade através da trajetória de seu personagem.



O diretor entrega enquadramentos compostos com uma beleza extrema e se comunica muito bem através da fotografia remetendo muitas vezes ao cinema de Wong Kar Wai (“Felizes Juntos”, “Amor à Flor da Pele”, “2046”), ao mesmo tempo que sua câmera dinâmica produz alguns momentos de perda de foco , lembrando muito os últimos trabalhos de Terrece Mallick, assim como a maneira crua com que retrata a realidade de Chiron remete ao que Fernando Meirelles fizera em “Cidade de Deus”, Bruno Barreto em “Última Parada 174” e mesmo Walter Salles ao longo de sua filmografia. Dessa forma Barry Jenkins já se torna um cineasta que se destaca pelo difícil equilíbrio entre o lirismo e a crueza que ditam o tom de “Moolight”.



O estudo de personagem desenvolvido aqui em três capítulos que formam os três atos da história compõe um arco para o protagonista, estabelecendo um ciclo. Todas as características desenvolvidas pelos interpretes deste personagem formam uma unidade e transmitem um toque de tristeza para o garoto. Barry Jenkins mais uma vez acerta quando evita de estabelecer uma relação de pai e filho entre Chiron e Juan durante todo o longa e criar um filme melodramático parecido com muitos que já existem. A sua maneira de contar essa história é eficiente, poderosa e permite grande reflexão sobre a natureza do ser humano, sobre a sociedade contemporânea e a busca de identidade.

Spoiler  (Leia somente se já assistiu ao filme)

É interessante perceber que por mais que Chiron seja tratado como homossexual ao longo dos dois atos do filme, o personagem em si em nenhum momento parece ter a chance de se descobrir dessa forma. Tendo tido uma experiência de caráter sexual com Kevin, filmada de maneira sutil e terna pelo diretor, Chiron  é um ser humano que sente a falta de afeto, tendo-o encontrado nessa experiência. Retratado desde o início como um garoto que parece construir um muro ao seu redor baseado nas experiências traumáticas com a mãe e na escola e dessa forma parece nunca ter tido a liberdade necessária para se descobrir, como retrata em seu diálogo com Kevin já no terceiro ato, em que revela que aquela experiência fora a única vez que outra pessoa o  tocara. É no terceiro ato que temos também a grande transformação do personagem e o fechamento do ciclo, quando Chiron, agora apelidado de Black, se torna um traficante tal qual Juan, que lhe acolhera no primeiro ato do longa. É ali que o personagem fortifica o muro que o separa das pessoas, criando uma persona a fim de se proteger das pancadas que a vida lhe desferira desde cedo, se escondendo dos outros nessa nova personalidade e, consequentemente, de si mesmo. O mais triste é que toda essa dor não se limita a um personagem de um filme, mas é sintoma de uma parcela da sociedade excluída e oprimida pelas suas opções ou simplesmente pela cor de sua pele. 



Direção: Barry Jenkins

Elenco: Alex R. Hibbert , Ashton Sanders , Trevante Rhodes , Naomie Harris , Janelle Monáe, Jaden Piner , Jharrel Jerome , André Holland , Mahershala Ali

Roteiro: Barry Jenkins

Fotografia: James Laxton

Música: Nicholas Britell

Montagem: Joi McMillon , Nat Sanders

Design de Produção: Hannah Beachler

Figurino: Caroline Eselin

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