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sábado, 2 de agosto de 2014 às 14:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Apesar das más interpretações que o título pode sugerir com o emprego da palavra egoísta, o autor Richard Dawkins traça aqui muitas respostas para perguntas fundamentais sobre a natureza dos seres vivos multicelulares. Uma das principais é a de como seres inicialmente provenientes de uma única célula vieram a se tornar formações de conglomerados dessas entidades. Ou mesmo, tendo num filamento de DNA a unidade replicante, como esta veio a formar a estrutura celular conhecida, e desta, a multiplicidade de organismos que povoam o nosso planeta?



12134 - GEne egoista
Unicamente propondo a ideia do gene replicante, ou gene imortal, o gene egoísta que dá nome à obra, e partindo deste raciocínio para que pensemos todo o comportamento animal individual e em grupos (primeiro o que é bom para o gene, para a sua perpetuação, não para o indivíduo ou para o organismo), Dawkins abre caminho para possíveis respostas. Se for mais seguro para o gene estar agrupado com outros genes em um “casulo funcional”, comando sua síntese toda vez que se replicaram, por que não o fariam, e por que a seleção natural não lhes favoreceria? Pois não seria mais fácil uma concatenação de “casulos”, cada qual especializado em determinado função, dentro do microcosmo de um organismo ainda maior? Pois a seleção natural não favoreceria esse tipo de mutação? Que tal uma bactéria que viesse a se especializar em alguma função dentro do organismo, como a síntese de alguma proteína útil, e que tivesse igualmente interesse e meios de se reproduzir pelo mesmo canal, ou “gargalo”, que esse organismo maior se reproduz? Essa bactéria não poderia ser incorporada ao indivíduo, sem que possamos habilmente distinguir entre dois organismos distintos após alguma geração?


Pois estas são algumas ideias interessantes que tomam forma nesta fascinante leitura do autor de “Deus, um delírio”. Pois, para bem compreender as nuances que permeiam os conceitos usados por Dawkins, se faz obrigatório o conhecimento básico de biologia (se você não sabe quem é Darwin e a sua contribuição para a ciência, nem toque em “O Gene Egoísta”), algumas noções de estatística e muita mente aberta, a fim de não deixar de apreciar a leitura por falta de referências ou mesmo preconceitos. Tive contato com a tradução de Rejane Rubino, publicada pela Companhia Das Letras, em edição revista e atualizada publicada em 2013.

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