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quarta-feira, 5 de setembro de 2012 às 13:06 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Acima de tudo uma obra de grandiosidade visual, pena que em detrimento de seu conteúdo intelectual. Ben-Hur conta a história da amizade de Messala (Stephen Boyd) e Judah Ben-Hur (Charlton Heston), que termina numa falsa acusação de atentado ao governador romano e nas juras de vingança de Ben-Hur seguida da escravidão e uma “ajudinha” do destino, passando por encontrar um Jesus Cristo sem rosto que, na verdade, é o verdadeiro protagonista do filme.


Baseado num romance do século XIX escrito pelo general da Guerra Civil Lew Wallace, é uma história totalmente focada na compaixão cristã em meio à violência romana, que eu julgo não ser muito do gosto dos judeus, uma vez que Ben-Hur poderia até representar no cinema o ungido dos rabinos, não fosse o seu ódio por Roma freado pelo amor cristão.

Foi uma produção, apesar de um pouco conturbada, de 15 milhões de dólares, 350 papéis com falas, 50 mil figurantes, contou com 40 versões diferentes de roteiro e indicado a 12 prêmios Oscar, tendo perdido um só, o de roteiro, o que não surpreende muito.

Com uma abordagem bem teatral, que investe nos planos em que há a interação de personagens no mesmo quadro em cenas de diálogo com poucos cortes e muitas frases de para-choque de caminhão, presenciamos espetáculos grandiosos como nos planos ricos em detalhes dos palácios, a chegado do governador, a batalha dos navios que inclusive conta com belas cenas de corpos mutilados. Sem contar a maravilhosa trilha sonora que ecoa por um tempo depois de assistirmos o filme e do elemento homossexual na amizade de Messala com Judah, claramente presente na atuação de Stephen Boyd e no reencontro dos dois em que há o entrelaçamento das taças enquanto tomam vinho simbolizando um matrimônio promissor.

O destaque maior é, sem sombra de dúvida, a corrida de bigas, muito bem dirigida por William Wyler, conseguindo ser muito emocionante e rica em detalhes quando vista hoje.

Com um desfecho piegas e se baseando num milagre atribuído ao verdadeiro protagonista da história, Ben-Hur deixa a impressão que pretende, de ser uma grande obra visual a fim de dar o destaque ao personagem que lhe é o centro das atenções, por mais que não vejamos o seu rosto, pois essa é a formula para multiplicar o milhão investido, e multiplicou mesmo, salvando na época a MGM e nos deixando um bom exemplar sobre até onde poderia ir a grandiosidade do cinema em 1959.

Ben-Hur, 1959

Direção: William Wyler

Produção: Sam Zimbalist

Roteiro: Karl Tunberg

Fotografia: Robert Surtees

Musica: Miklós Rósza

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