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domingo, 5 de agosto de 2012 às 20:51 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
Grande papel de Robert De Niro, em numa atuação soberba e nunca mais esquecida pela história do cinema, interpretando Travis Bickle, um motorista de táxi que, para a sua ruína, conhece como a palma de sua mão uma Nova York suja, drogada e prostituída, assim ficando embriagado por esse mundo, ao mesmo tempo que percebe sua impotência diante deste.
E, como se não bastasse Travis não conhece e nem vive nada além daquele mundo. "Não acredito que alguém deva passar a vida centrado em si mesmo, morbidamente. Acredito que é preciso se tornar uma pessoa como outra qualquer". Mas no roteiro de Paul SchraderTravis já tinha ido longe demais. Ao tentar se inserir de maneira "normal" na sociedade ou tentando achar uma motivação para viver nela, Travis se envolve numa campanha política. Tentando construir uma relação, corteja a bela auxiliar de campanha Betsy (Cybill Sheperd). Todavia, ao falhar desastrosa e lamentavelmente, sua misantropia aumenta em intensidade. Em busca de um motivo, procura desconstruir a sociedade ao planejar um assassinato de um candidato à Presidência. Ao falhar novamente, tenta redimir a sociedade (e a si mesmo) entregando-se à missão suicida de resgatar uma prostituta menor de idade (Jodie Foster) de seu cafetão.

O filme é regido por elementos de cinema noir, evidenciado pela trilha jazzística de Bernard Herrmann como também pela narração de Travis (a famosa narração em off). Taxi Driver funciona como um filme policial noir sombrio, só que visto pelos olhos, não de um policial, mas de uma pessoa comum, anônima. De que maneira iria reagir com tal visão da violência, com tal visão do torpe e do cruel? Aquilo que Travis faz não é o que ele é, mas nada mais que resultado da circunstância e do lugar em que ele vive.

Em seu ato final, Travis resolve agir de maneira prática em relação ao que lhe inquietou durante todo o longa: simplesmente pega uma arma e ataca seus inimigos de maneira inconsequente dando uma resposta tão brutal quanto a que ele recebia dia após dia em sua rotina de mal-estar urbano. Mas Taxi Driver funciona também como uma bússola moral para o espectador, uma vez que a maneira como reagimos ao final (seja de maneira indiferente, seja apoiando a atitude de Travis ou reprovando-a, seja até interpretando aquele final como um sonho do próprio personagem, enfim) indica a maneira como vemos o mundo, o que achamos certo ou não ou que simplesmente estamos perdendo tempo em buscas de respostas que não existem.

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