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sexta-feira, 3 de agosto de 2012 às 22:44 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
É difícil não olharmos para esta reinvenção do mais popular herói da Marvel e não traçarmos uma comparação daquela aventura muito bem dirigida por Sam Raimi há dez anos.
O próprio longa tenta não criar elementos parecidos com os filmes de Raimi, como, por exemplo,  a recorrente frase “grandes poderes implicam em grandes responsabilidades” tem uma versão alternativa em O Espetacular Homem Aranha, como se estivesse olhando para o filme de dez anos atrás, mas rapidamente desviando o olhar. Infelizmente essa é a impressão que fica por termos duas versões do mesmo filme em tão pouco intervalo de tempo e realizado pelo mesmo estúdio, no mesmo país. Uma tentativa descarada de repetir a mesma fórmula para provocar o mesmo sucesso financeiro.

Mas, mesmo assim, O espetacular Homem Aranha é um bom filme. Seu tom é mais adolescente com toques dramáticos, em contrapartida ao tom de humor negro que Raimi imprimiu em seus filmes, elemento recorrente na cinematografia do diretor, o que justifica a presença de Marc Webb na direção de filme, tendo realizado anteriormente o agradável "500 dias com ela". Até mesmo a história ganha força ao invocar a origem do próprio Peter Parker ao se referir aos seus pais. E seu talento científico também ganha destaque ao sintetizar a teia e os lançadores. A presença de Peter e Gwen na tela também reforça o filme, investindo numa personagem que, ao contrario de Mary Jane, que tinha uma queda pelos “garotos fortes” da escola e só posteriormente se descobriu apaixonada por Peter (ou, na verdade, pelo Homem Aranha, vai saber) a nossa Gwen Stacy se orgulha de ser a primeira da classe, chega até a defender Peter e, seguramente ambos formariam um casal mesmo que Peter não fosse picado pela aranha e não ganhasse seus poderes. Gwen gosta de Peter, e não do Homem Aranha. Esse é um elemento cativante na trama, o que faz com que o Lagarto surja como uma ameaça real à segurança dos personagens e do próprio  Aranha.

Outro aspecto que vale a pena ressaltar, que pode até enfraquecer o filme aos olhos de uns, mas que serve para tornar (ou tentar tornar) o Homem Aranha mais “real”, ou pelo menos mais próximo da personalidade de um adolescente, é o fato da sua identidade não ser nem um pouco secreta, uma vez que temos que engolir uma cena em que o herói vai salvar uma criança e, para, eu diria, acalmá-la, não assustá-la, retira a sua máscara, algo que acontece muito no longa. Inclusive, numas das cenas finais, em que o Aranha enfrenta seu vilão, em um determinado momento o policial, pai de Gwen “assume” a tarefa de enfrentar o Lagarto (o primeiro plano em que ele surge no meio da luta com a sua arma e a sua frase de efeito é, no mínimo, dispensável ). “Ora bolas, Peter, você é só um adolescente, vai embora pra casa que já ta tarde, eu assumo daqui” (essa fala não tem no filme, mas é a impressão que temos). Todavia, são esses elementos que acabam dando certo charme, eu diria, ao filme, ao expor a fragilidade de seus heróis. Aliás, o vilão surge uma pouco, eu diria, estereotipado ou mesmo caricato, mas que se mostra adequado ao filme.

Outra característica interessante de notar é a nova roupa do herói e sua movimentação nas lutas com o Lagarto, mais ágil em seus movimentos aracnídeos, além do pontual senso de humor característico do personagem.

Assim termina a nova versão do clássico personagem da Marvel, de maneira agradável e com uma ponte para uma futura continuação (apesar dessa ponte ser construída através de pontas soltas do roteiro). Mas a interação entre Gwen e Peter é tão interessante e bonita que eu gostaria de ver um filme de Marc Weber sobre os dois, sem o Homem Aranha. Afinal, Peter  Gwen já são interessantes e complexos por si só.

OBSERVAÇÃO: Melhor participação do Stan Lee em filmes de personagens da Marvel.

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