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sábado, 11 de agosto de 2012 às 13:33 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O ótimo “Jogos Vorazes” se vale de conceitos muito interessantes para construir sua trama e sua relação personagens-expectadores. A história se baseia num conflito anual envolvendo jovens casais de 12 distritos em um jogo de sobrevivência em que somente um sobreviverá.  Depois que a irmã mais nova é convocada a participar no jogo, a garota de 16 anos Katniss Everdeen se voluntaria para substituí-la. Kainiss se vê obrigada a tomar atitudes de ordem moral e inclusive em questões de amor.


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Gary Ross acerta ao fazer da câmera um termômetro emocional de Kainiss. Quando somos apresentados ao distrito 12 Ross conta sua história através de cortes ágeis em planos fechados, em angulações não muito convencionais, tendendo para o documental. É o que dá credibilidade à natureza miserável e triste dos habitantes do distrito 12, me lembrando Inverno a Alma em sua estética.  Ao chegarmos na “cidade grande”, onde ocorrerão os jogos, o seu visual soa pouco futurístico, sem muitos detalhes, mais dedicado aos figurinos (quase que cosplay). Novamente é nos momentos mais subjetivos de Katniss que a câmera capta planos fechados, altera o som e busca angulações diferentes, de maneira sutil. A substituição do som por uma trilha mais suave acaba sendo fundamental em dados momentos, do longa. Em um filme que as mortes de jovens são inevitáveis, por mais comercial e escapista que procure ser, a decisão de Ross de dar certa dignidade a uma seqüência em particular que conta com muitas cenas de morte, usando-se da trilha suave de que falei e de cortes rápidos dando um ritmo frenético ao momento relatado, enfim, é uma decisão acertada, servindo de base para as decisões morais de Katniss ao lidar com a morte de uma personagem que a auxilia. Mas a sobrevivência é um instinto básico do ser humano e Katniss não abre mão disso, como também nos não abrimos mão dele ao nos vermos projetados na personagem central. Mas Katniss precisa também vencer fora da floresta, uma vez que se encontra num reality show, e o poder da imprensa e opinião pública tornam-se vitais. Mesmo que para obtê-lo ela tenha que dizer que sente aquilo que não sente, uma vez que ela precisa conquistar a vitória sob os olhos de quem faz daquilo um espetáculo.


É no final que o filme perde um pouco a sua força, surgindo ameaças armadas pelos produtores do programa que perdem um pouco de sua dramaticidade ao sabermos para qual do lado eles pendem. Outro momento forçado é o do, eu diria, “vamos comer o fruto proibido”. Ou Katniss tem uma moral de ferro ou é altamente experta para prever a atitude dos produtores do jogo. O filme também carece de detalhes sobre o seu mundo, não tornando obrigatória, mas remetendo que se trata de uma adaptação de um material literário. Em suma, é um ótimo filme, que se sustenta por seus personagens e seus conflitos, não tendo pressa pra contar a sua história, não foge da natureza política da trama, e não abre mão de estabelecer um conflito romântico triangular no desfecho e uma promessa de um conflito ainda maior.

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