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terça-feira, 26 de janeiro de 2021 às 21:47 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Robyn, uma jovem inglesa que ambiciona ser caçadora, vai à Irlanda com seu pai para tentar acabar com um bando de lobos, vistos como demoníacos. Quando a jovem salva uma garota nativa selvagem, sua amizade a leva a descobrir o mundo dos Wolfwalkers, que tem o seu espírito transformado em lobo enquanto dormem.


Existe um certo preconceito na nossa cultura tecnicista moderna em julgar os mitos da antiguidade como uma forma de expressão irracional, enquanto que a ciência seria o resultado de uma racionalidade superior. Pois na verdade os mitos são, sim, uma expressão de racionalidade e sofisticação simbólica ímpar das sociedades do passado.

Wolfwalkers usa o prisma dos mitos irlandeses para discutir a dicotomia entre a sociedade humana em ascensão e a destruição da natureza, sobre a demonização dos mitos populares durante a ascensão do cristianismo, sobre a relação entre liberdade e aprisionamento no tratamento com a mulher na jornada de Robyn por sua emancipação.


Fugindo do padrão mercadológico das animações de computação gráfica popularizadas pela Pixar, que investem num realismo visual que às vezes dilui o encanto imaginativo que a imagem pode ter, Wolfwalkers é uma animação tradicional 2D feita com aquarela, desenhos feitos a lápis ou carvão e que trabalha nas formas geométricas a expressão de dois mundos distintos. Se dentro dos muros do castelo as formas dos desenhos são quadradas e pontiagudas, na floresta as formas são circulares, as cores são mais vibrantes e os movimentos fluidos. Por vezes é possível enxergar o rascunho dos desenhos em algumas cenas.


Com tantos temas complexos que são tratados em Wolfwalkers, mas sem perder de vista que é uma animação voltada ao público infantil, a expressividade dos personagens e as decisões tomadas dão um rumo para a trama que engaja muito o espectador no jogo de valores entre vida/morte e liberdade/aprisionamento, e é interessante pensar na sua história como uma expressão inicial do mito do lobisomem, demonizado posteriormente pela cultura cristã dominante.




Diretores: Tomm Moore, Ross Stewart


Elenco: Honor Kneafsey, Eva Whittaker, Sean Bean, Simon McBurney,Tommy Tiernan, Maria Doyle Kennedy, Jon Kenny, Nora Twomey,Oliver McGrath


Roteiro: Will Collins


Música: Bruno Coulais


Montagem: Darragh Byrne, Richie Cody, Darren T. Holmes

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