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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015 às 16:32 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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J. J. Abrams é dono de uma carreira que nos torna quase convictos de que ele é incapaz de fazer um filme ruim. Grande conhecedor da linguagem televisiva, tendo produzido seriados como "Alias" e "Lost", Abrams sabe como manter a atenção do público em uma trama. Em seus filmes, como em "Missão Impossível 3" e em ambos os Star Trek, mostra que sabe criar narrativas ágeis e cheias de energia. E é com a confiança de um cineasta maduro que o diretor de "Super 8" vai mexer na franquia mais adorada e reverenciada do cinema. Mas o fato que faz toda a diferença aqui é que Abrams é um grande fã da série, tratando o material com muito respeito.

Se esforçando para introduzir este novo filme dentro da estética dos filmes que lhe precederam, a abertura clássica com os letreiros iniciais e as transições de cortina presentes nos filmes anteriores se mantém. A trilha sonora de "John Williams", agora renovada e mais sutil que na última trilogia, é outro fator que faz com que o filme se comunique com os anteriores. O diretor em dados momentos investe em travellings, nos já esperados flashes de luz (flares) e efeitos visuais específicos (como o hiperespaço, que visualmente se assemelha à dobra em Star Trek), mas tudo de maneira admiravelmente contida. A sua preocupação aqui é outra, J. J. Abrams não quer reinventar a série, mas sim dar um ar novo olhando para trás, naquilo que de melhor Star Wars já produziu.

As referências construídas neste "Star Wars: O Despertar da Força" remetem muito à "Star Wars: Uma Nova Esperança", abraçando a jornada do herói sem nenhum pudor, mas melhorando muitos defeitos que o episódio original apresentava, como alguns diálogos fracos e personagens arquetípicos. Reparem como a primeira sequência do filme remete a primeira sequência de "Uma Nova Esperança", mostrando a grandiosidade na nave imperial e a importância conferida a personagens secundários. A presença do androide BB8 é funcionalmente similar à dos androides R2-D2 e C-3PO, com o humor e o carisma do personagem funcionando tão bem quanto. No que se refere ao humor, o grande acerto do filme é não conferi-lo somente à um ou outro personagem, mas todos tem os seus momentos de descontração e humor no longa, exalando certo entusiasmo ao público.

Dispensando o uso de câmera digital empregada por George Lucas nos filmes mais recentes, fica muito claro que o uso de efeitos práticos e película na filmagem tornam o longa visualmente rico e crível. Destaque para a “recriação” da cena da cantina, filmado num breve plano-sequência. Os efeitos visuais só tropeçam um pouco na concepção de um personagem que aparece num holograma, mas não chega a comprometer o filme.

Pois se em "Uma Nova Esperança" tínhamos personagens arquetípicos que só foram demonstrar a sua humanidade em "O Império Contra-Ataca", em "O Despertar da Força" a concepção dos personagens adquire uma maior complexidade. Desde Finn, interpretado por John Boyega com carisma, humor e coragem, Rey de Daisy Ridley, a heroína dotada de muito charme, resiliência e esperteza, lembrando muito as heroínas que hoje em dia são retratadas pela Disney, como em "Valente", "Frozen" ou "Enrolados", refletindo um papel mais ativo da mulher nas grandes franquias (outro paralelo é "Mad Max – Estrada da Fúria", que também acerta na representação feminina) Nesse sentido a presença de uma vilã feminina (Gwendoline Christie como Capitã Phasma) se faz bem interessante. Kylo Ren de Adam Drive já está entre os grandes vilões da franquia, dotado de uma complexidade admirável, um descontrole que ao mesmo tempo reflete a sua insegurança e seu caráter ameaçador. Oscar Isaac como Poe Dameron, o mais experiente do trio central, apesar de não ter tanto tempo de tela, é muito crível e consegue conferir importância e respeito ao seu personagem. Os personagens que estavam presente nos primeiros filmes, Han Solo, Chewbacca, Leia e Luke são devidamente reapresentados, conferindo certa nostalgia ao longa, mas exercendo funções bem claras e importantes na história contada. Suas presenças nunca soam gratuitas. Lupita Nyong'o  interpreta uma Maz Kanata construída a base de captura de movimento, e insere um conceito diferente aquele que estávamos acostumados a ver na série, onde a Força parecia ser unicamente controlada pelos Jedi. Aqui o conceito de Força aparece mais expandido, algo que qualquer um pode sentir. O Lider Supremo Snoke  e o General Hux também tem um papel bem representado neste primeiro longa, deixando certa curiosidade sobre qual serão seus destinos nos próximos filmes.

O ritmo que Abrams confere ao filme é uma de suas maiores qualidades. Em nenhum momento sentimos o tempo passar ao assisti-lo e, assim como procurou fazer em Star Trek, a cada momento algo diferente acontece, cenários variam e a ação sempre flui, tendo momentos que podem ser colocados entre os mais memoráveis da franquia, com destaque para uma luta de sabres de luz que pode não a melhor tecnicamente, mas que é sem dúvida intensa, assim como o filme inteiro.

A conclusão do longa, além de um gancho para o próximo, conclui o conflito estabelecido e tem um clímax admirável.

Dessa forma, perdendo unicamente para "O Império Contra – Ataca", este "O Despertar da Força" é aquele Star Wars que sempre queríamos ver desde que a trilogia original se concluiu, sem medo de ser criativo, se baseando numa jornada do herói muito bem contada, apresentando personagens complexos, tendo um humor inserido organicamente no filme e podendo representar a chance de estarmos vendo mais uma mitologia ser construída (ou despertada).


Elenco: Daisy Ridley, Carrie Fisher, Mark Hamill, Harrison Ford, Adam Driver, Gwendoline Christie, Domhnall Gleeson, Oscar Isaac, Peter Mayhew, Lupita Nyong'o , John Boyega, Andy Serkis, Kenny Baker
Direção: J.J. Abrams
Musica: John Williams
Fotografia: Daniel Mindel

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