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sexta-feira, 6 de novembro de 2015 às 07:50 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

"007 Casino Royale" foi o filme responsável por dar um ar novo para a franquia 007. Nele tínhamos um James Bond que sentia a responsabilidade e o perigo de ter uma licença para matar. Em "Casino Royale" havia humanidade em James Bond, além de um admirável fim trágico. Após uma continuação inferior, o terceiro filme com Daniel Craig  no papel do espião ganha, pelo diretor Sam Mendes um ar clássico e recheado de referências aos longas anteriores vividos por outros atores. Nesse "007 contra Spectre" temos novamente a nostalgia ditando o tom do filme.


Uma enigmática mensagem do passado de Bond o coloca no caminho para revelar uma organização sinistra. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, Bond se aproxima de descobrir uma verdade escondida que ameaça destruir tudo o que ele lutou para proteger.

Começando com um plano sequência espetacular que mostra James Bond agindo no México, temos aquela que pode ser uma das maiores cenas de abertura dos longas do espião, com uma sequência de ação tensa, bem orquestrada e envolvente. A abertura com a música de Sam Smith é outro grande momento, principalmente porque demonstra a intenção do filme de querer compor uma quadrilogia do espião, tencionando relacionar a história dos outros longas neste.

Explorando mais do passado de James Bond e procurando encontrar nisso um elo com o vilão e com a clássica organização Spectre que já aparecera em outros filmes do personagem, possivelmente temos aqui a atuação mais fraca de Daniel Craig, que em alguns momentos parece demonstrar o cansaço de interpretar o personagem. Num breve momento a participação de Monica Bellucci confere certa química com o ator, mas dura pouco.

Discorrendo sobre o uso da tecnologia e monitoramento para o uso do serviço secreto, a discussão parece a nada levar e se assemelha demais com a trama principal de "007 Operação Skyfall", reciclada aqui.

A atuação de Léa Seydoux como Madelaine Swan (uma referência à obra de Proust, "Em Busca do Tempo Perdido") é bem convincente em tentar criar uma bond girl de destaque e que participa da ação, mas conta com diálogos pobres e momentos implausíveis na transição do arco da sua personalidade ao longo do filme. Se em um momento ela diz nunca querer cair nos braços de Bond, no outro ela mesma se atira de encontro ao espião sem que possamos entender ao certo o que aconteceu para ela mudar de opinião.

Christoph Waltz como o vilão do longa faz uma atuação mais contida, explorando a caricatura composta de seu estereótipo para personagens. Sem a mesma energia de "Bastardos Inglórios", seu vilão acaba por ser burocrático e sem charme, passando longe do Silva de Javier Bardem ou Le Chiffre de Mads Mikkelsen.

Parecendo ter se inspirado na trilogia Batman de Christopher Nolan, este 007 de Sam Mendes procura explorar a iconografia e a nostalgia dos longas anteriores tentando dar um ar realista, uma justificativa ou explicação para alguns personagens, tudo num ar mais sombrio, solene e com um senso de humor muito próprio. O problema é que nada parece justificar a importância a que o filme confere a si mesmo, nem nos temas que explora nem tão pouco na construção dos personagens, contando com um dos roteiros mais pobres da série.

Vale citar que a cinematografia e a música composta para o filme por Thomas Newman, a variedade de cenários e referências criadas, além do trabalho de direção como um todo e muitas das cenas de ação funcionam maravilhosamente bem, porém quando analisadas isoladamente, pois no conjunto temos um segundo ato bem longo e cansativo, após o qual o filme se recupera para o terceiro ato, mas conclui de maneira insípida e alienada.

Dessa forma, o 24º longa da franquia 007 não consegue alcançar a eficiência e a nostalgia de Skyfall, apesar de tentar constantemente, e passa longe de dar a dimensão e complexidade que o personagem atingira em Casino Royale, o que é uma pena, pois a citação às aventuras anteriores do espião não bastaram para dar unidade aos quatro últimos longas da série.


Direção: Sam Mendes

Música: Thomas Newman

Fotografia: Hoyte Van Hoytema

Elenco: Daniel Craig, Monica Bellucci, Léa Seydoux, Christoph Waltz, Ralph Fiennes

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