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domingo, 23 de agosto de 2015 às 16:54 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



Fazendo uso da experiência que tinha com documentários e com o fato deste filme ter sido primeiramente imaginado como um, Alain Resnais realiza um longa eternizado pela memória da realidade e da ficção, procurando criar uma experiência que se assemelhe à memória que procura evocar.



Atriz francesa tem um caso com um arquiteto japonês em Hiroshima, onde fora para realizar um filme.

Utilizando imagens de arquivo do ataque nuclear de 1945, a narração lírica de Emmanuelle Riva conduz o filme, com sua bela voz, bela aparência e um profundo conflito amoroso intenso do passado em Nevers, que atinge inclusive altos níveis de loucura. As imagens dos corpos entrelaçados atingem o nível da desfiguração e desintegração pelo pó, rimando com as imagens do ataque. As imagens são sobrepostas num fade-in fade-out que exprime o lirismo que o filme sugere.


As situações e diálogos parecem ressurgir pelo menos duas vezes no longa, e o arquiteto japonês se revela um fio condutor das lembranças revividas pela personagem. Pondo em evidência o horror e a loucura da guerra, Alain Renais também quer tornar o filme uma poesia do esquecimento.


Esquecer para tornar possível seguir em frente, esquecer o romance do passado e também o do presente, esquecer o horror intenso de Hiroshima. E as falas se repetem de novo, os frames se repetem de novo, pelo menos duas vezes.


A personalidade é contestada, as sensações são de fato contestadas e inclusive a lembrança do filme é contestada. Ficam algumas sequências em mente, mas sempre com uma impressão de algo que escapa aos dedos, um flash back efêmero do passado, uma cidade morta, um amor morto, um corpo coberto pela poeira atômica da lembrança.






Data de lançamento: 10 de junho de 1959 (França)
Direção: Alain Resnais
Roteiro: Marguerite Duras
Música composta por: Georges Delerue, Giovanni Fusco
Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Pierre Barbaud

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