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quinta-feira, 6 de novembro de 2014 às 20:52 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



Um grupo de exploradores faz uso de um “buraco de minhoca” recém-descoberto para superar as limitações de uma viagem espacial humana explorar novos mundos habitáveis a fim de salvar a população da Terra da extinção.


O mais novo trabalho do grande diretor Christopher Nolan conta com os tropeços de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, lembra o bom estilo de narrativa de Nolan, mas por procurar alternar o tom do filme entre o dramático-sentimental e o racional-crível, desliza por não desenvolver nem um dos dois bem.

Interstellar” conta com uma introdução bem cadenciada, recheada de explicações para situar o expectador sobre os personagens, qual a situação da humanidade, que tipo de solução pode ser tomada, enfim, estabelecendo os elementos essenciais para que possamos entender o que vai se suceder a partir da jornada dos exploradores.

O destaque vai para Cooper, que é um dos poucos personagens complexos ao longo do filme e que conta com uma atuação memorável de Matthew McConaughey. As sequências que envolvem Cooper com a filha Murph são realmente carregadas de muita emoção.

Pois quando se inicia a jornada e acompanhamos os personagens no espaço, que é o melhor momento da projeção, logo de início temos constantes filmagens da borda da aeronave, num espaço apropriadamente sem som. Quando Nolan mostra a aeronave entrando na atmosfera de um planeta, deixa-a sair do quadro por alguns momentos. O diretor se mostra, assim, desajeitado no manejo dos elementos que filma, creio que por isso investe seguidamente na filmagem da aeronave focada num plano bem fechado, num ponto de vista que provem do exterior próximo da nave, e não de algum ponto do espaço, num plano geral, mais apropriado para as ações do segundo ato do filme.

Seguidamente Nolan invoca uma das suas marcas na carreira de diretor, que é o bom uso da montagem paralela, executada pelo talentoso Lee Smith, evocando as sensações de urgência e importância ao que narra. Em dados momentos, devido às teorias envolvidas e à quantidade de explicações dadas no filme em forma de diálogos expositivos, Nolan procura evocar a nossa atenção e preocupação através da trilha e da montagem.

Hanz Zimmer aqui faz um trabalho muito bom, criando temas apropriados e que inclusive remetem a “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, pela solenidade e transcendência que a música clássica desempenhava no clássico de Kubrick. Até aqui temos um misto de “2001” com “Contato”(destaque para os robôs, referência clara ao filme de Kubrick), contando com alguns momentos bem interessantes que procuram relacionar a exploração do espaço com as teorias da Relatividade de Einstein e teorias mais modernas, todas elas levadas em consideração na medida certa, como, por exemplo, a explicação do formato do ‘buraco de minhoca’ usado na exploração ou a passagem de tempo sofrida pelos personagens.


Pois, quando o longa caminha para a sua conclusão, temos alguns momentos que destoam do que vinha sendo mostrado. A maneira como o filme trata de sentimentos e os usa em benefício da narrativa é um ponto fraco. Uma dada revelação ao final do longa sobre as verdadeiras intenções de determinado personagem, a meu ver, contribuem para enfraquece-lo e acaba dando um novo rumo à narrativa, para poder a partir daí caminhar para a sua conclusão. A presença de um novo personagem na trama (outro interessante personagem complexo e multifacetado), que me surpreendeu até pelo intérprete, contribui para essa mudança de rumo, um verdadeiro atalho que o roteiro encontrou para, aí sim, convergir na explicação final de tudo que se apresentara.



Chegamos no ponto fraco do filme. Literalmente utilizar a física quântica para justificar o que ocorre no final do longa, mesmo que elementos já tenham sido inseridos no início da narrativa para que passam fechar com a conclusão, é uma liberdade que não me soou muito coesa. E é frustrante ver como Christopher Nolan conclui o seu filme, pois é um diretor que sempre se mostrou genial nesse ponto, deixando sempre um último frame antes do corte capaz de suscitar discussões e surpresas, nessa oportunidade acaba de maneira pouco inspirada, insípida, nos deixando com a sensação de uma rica experiência mal sucedida, recheada de boas ideias, mas que faltaram ser mais bem selecionadas. Enfim, um longa que tropeça na própria ambição.













Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan

Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Casey Affleck, Jessica Chastain, Michael Caine, Topher Grace.

Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas, Linda Obst

Fotografia: Hoyte Van Hoytema

Montador: Lee Smith

Trilha Sonora: Hans Zimmer

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