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sexta-feira, 16 de maio de 2014 às 11:37 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Atenção : O texto contém spoilers, leia somente após assistir ao filme

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Sabemos do talento de Marc Webb.O seu autêntico e sensível “500 Dias com Ela” é um retrato fiel e comovente sobre os relacionamentos da nossa era. E toda essa habilidade em desenvolver personagens além de uma estética rebuscada que permeou a narrativa do filme citado faz dessas características a marca do cinema de Webb. E é uma marca mesmo. Do fraco “O Espetacular Homem Aranha” tiramos de bom a interação entre o jovem casal Peter e Gwen. De resto o filme peca no vilão, na ação, na estética construída através de cores dessaturadas, e no próprio herói, que surge cheio de dúvidas, incertezas e insatisfações por vezes não muito claras no filme, enfim, Peter Parker está extremamente irritante e choroso no primeiro filme do reebot. Parte disso se deve, sim, à atuação incerta de Andrew Garfield, que não encontrara o tom certo do seu personagem. Em contrapartida, Emma Stone sabe quem é Gwen Stacy e demostra isso com muito talento e charme durante todo o longa. Mas em “O Espetacular Homem Aranha 2”, de cara sabemos que estamos vendo um filme mais bem resolvido e que se salva pela experiência adquirida por Webb em matéria de ação e efeitos, e da melhor desenvoltura de Andrew Garfield. De novo o ponto alto é o filme que Marc Webb quer fazer: o filme sobre Peter e Gwen. Já o filme que a Sony e os fãs do Homem Aranha esperam ver é satisfatório e bem divertido. Porém, cabe a discussão: somos reféns da história criada por Stan Lee, ao matar Gwen, ou isso enriquece o filme? Claramente o filme inteiro fica em função de seu final trágico, não é a toa que vemos o Homem Aranha mais engraçado já retratado, um dos filmes mais coloridos e dinâmicos do personagem, tudo para criar um contraponto que de fato é bem satisfatório quando chegamos ao final. Mas não bastaria somente a dor da partida de Gwen para Londres? Afinal o casal tem caminhos diferentes, por mais que se gostem, dificilmente dariam certo pelos caminhos distintos que escolheram. Será o ato de coragem tomado ao retratar a morte de Gwen, na verdade, um ato de covardia, ao tornar por demais idealista um amor jovem que possivelmente não iria durar muito, por medo de desenvolver a dor da partida, preferindo a dor da perda, que possui maior apelo psicológico? Pois a adaptação pode, sim, reformular os aspectos de uma narrativa concebida a mais de trinta anos nos quadrinhos, a fim de ter seus temas em conformidade com sua época. Pois o filme seria acusado de covarde por não matar Gwen? Possivelmente. Mas terá sido essa a melhor escolha? Constantemente vemos no filme a luta contra a finitude da existência, desde em Max Dillon que sonha em ser visto e lembrado, em Harry Osborn que luta contra a própria morte, passando por Peter e seu dever de herói, até chegarmos em Gwen, na sua busca pela excelência profissional. Perdemos um deles, penso se era realmente necessário perder uma personagem tão rica e tão bem interpretada. Pelo menos nesse sentido o trabalho de Marc Webb é memorável, ao tornar seus personagens autênticos o bastante para que possamos nos preocupar com eles.



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