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quinta-feira, 20 de setembro de 2012 às 16:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 

Sean Penn, além de um ator incrível, vem demonstrando ser um igualmente incrível e competente diretor. Em seu “Na Natureza Selvagem” conta a história real de Christopher McCandless (Emile Hirsch), um jovem idealista que resolve realizar uma viagem até o Alasca, buscando viver isolado na natureza, procurando a essência de si mesmo.

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Seria fácil num filme desses perder o contato essencial entre expectador e personagem. Nesse contexto, os recursos narrativos de Penn se mostram eficazes desde o início do filme a fim de que possamos entrar no mundo interior de Christopher McCandless, para que as suas aventuras, motivações e coragem não soem artificiais. Pelo contrário, atrás da aparente segurança que Christopher apresenta no decorrer do filme, vamos sendo apresentados ao real motivo que fez com que um rapaz que poderia ter uma vida confortável e segura, ter construído facilmente uma carreira na área que quisesse, escolhe se desligar da sua identidade social, num niilismo subjetivo que anseia pela autodescoberta. Dessa maneira a narrativa em off de Christopher e posteriormente de sua irmã (que consegue ser bem tocante), só faz com que nos aproximemos daquela personalidade, tornando-se menos uma ideia e mais um ser humano real.

 

O uso da trilha sonora é um show a parte, principalmente nos seus temas de violão que regem a jornada de maneira tão sensível e envolvente.

 

As pessoas que Christopher McCandless vai encontrando no caminho o ajudam a perceber quem ele é ao demonstrar as suas fragilidades, sofrimentos e preconceitos. Cada ser humano anseia pelo que não tem, seja um filho que não se vê há anos, uma família que tragicamente se foi, um amigo para conversar. Christopher anseia em se descobrir, em se reconhecer a partir da negação das suas origens e na subversão do meio social. O que define um ser humano? A sociedade em que ele está inserido, a educação que recebeu dos pais, ou somos mais que isso? Ou melhor, podemos ser mais que isso? Pode o ser humano descobrir suas origens ancestrais e retornar a elas quando necessário?

 

O que de mais envolvente que se percebe na filmagem de Sean Penn é a maneira como procura valorizar e dar um sentido poético a cada plano, entremeando as sequências do filme com sobreposição de quadros sobre os outros e com belas imagens da natureza a dos ambientes experimentados por nosso protagonista. Mais no final do filme, com mais ou menos duas horas e dezenove de tempo, algumas transições de planos me lembra muito o Road- movie clássico “Easy Rider”, fora ouros elementos de filme de Dennis Hopper que poderiam servir de referência para o filme de Sean Penn. É difícil não sentir o contraste causado pela paisagem urbana quando ela surge no longa, e até mesmo o clima ameaçador que Christopher enfrenta em dado momento, quando é expulso de um trem por viajar ilegalmente, tornando sua aventura não apenas um grito de liberdade, mas uma ameaça às convenções e regras sócias, como também uma ameaça a si mesmo.

 

E se no decorrer do filme vemos um segurança e sabedoria que naturalmente não esperaríamos encontrar num garoto tão jovem, aos poucos vemos que tal situação não poderia durar tanto tempo. A natureza é essencialmente bela e imponente, mas ao mesmo tempo fria e imparcial, tornando tudo em sua volta seguidores de suas regras e súditos em seu Reino. Christopher compreende de verdade o significado da sua vida. Na verdade o significado que deu para sua vida, atingindo essa percepção num momento crucial, belo, tocante e ao mesmo tempo chocante. Enfim, somos capazes de entender a sua mensagem ao final do longa e, quiçá possamos todos nós aplicá-las nesse período limitado de tempo e recheado de sensações e escolhas que chamamos vida.

 

In to the Wild, 2007

 

Direção: Sean Penn

 

Produção: Sean Penn

 

Roteiro: Sean Penn

 

Fotografo: Eric Gautier

 

Compositor (músicas do filme): Eddie Vedder

 

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