• RSS
  • Delicious
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
domingo, 22 de junho de 2014 às 00:11 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

“Millennium” na versão de David Fincher é um daqueles filmes capazes de criar um clima tão perfeito que faz você ter vontade de ler os livros de Stieg Larsson. Em uma sequência específica, Fincher nos mostra o quanto a personagem de Rooney Mara se encontra abalada e perdida através da construção de um frame invertido, estabelecido a partir de um travelling tecnicamente impecável, como demostra o vídeo. Para quem não reparou, aí vai a indicação para rever o filme sob a ótica dos enquadramentos escolhidos por Fincher.

Imagem

Imagem

Imagem


quinta-feira, 19 de junho de 2014 às 19:38 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Dona de um passado carregado de solidão e criada com certo distanciamento, o que não lhe impedia de ver a vida com certa graciosidade e poesia, Amélie Poulain enxerga prazer nas pequenas situações e sensações da vida. Mas ao mesmo tempo ela conta com certa dificuldade de resolver seus próprios problemas e criar laços mais profundos com outras pessoas, especialmente homens. Rodeada de personagens inusitados que lidam com seus próprios conflitos, que por sinal tem em seu centro a solidão ou o fracasso, e que geralmente colecionam algum objeto estranho ou possuem manias singulares, Poulain determina-se a encontrar o dono de certa caixinha de objetos antigos que encontra em sua casa. Pois é nessa jornada é que ela vai descobrir como se apaixonar e passar por cima de alguns de seus problemas.


Imagem

Jean-Pierre Jeunet possui uma identidade narrativa muito forte em alguns de seus filmes. Ao narrar a sua história através do uso da voz off e introduzindo efeitos visuais, travelings, quebra da quarta parede entre outros recursos que tornam o filme um retrato bem humorado dos personagens presentes nele, Jean-Pierre Jeunet expõe ao expectados elementos de manipulação narrativa de maneira aberta, assim como a sua personagem procura influenciar a vida das pessoas ao seu redor, exercendo o domínio sobre o acaso, quase que de maneira metalinguística ao trabalho de direção de Jeunet. Pois o roteiro de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” se estabelece como uma crônica de situações cômicas e dramáticas, por vezes conceituais, sobre uma vida carregada pelos fardos pesados dos problemas inerentes à condição humana e que por vezes perdemos a oportunidade de resolver. Nesse sentido a interpretação Audrey Tautou como a heroína dotada de toda a graciosidade e inocência é muito bem sucedida na construção da dramaturgia proposta pelo roteiro, já que todo o filme gira em torno da sua jornada. Do elenco de apoio o destaque vai para Serge Merlin como Raymond Dufayel e a subtrama que envolve a um dos seus quadros.


http://www.youtube.com/watch?v=0LPxU7659D4

Atravessando a sua jornada através do simples e do cotidiano, mas nunca do ordinário, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” nos propõe que é possível se permitir viver uma vida mais aberta às oportunidades que surgem para que possamos esquecer-nos de algumas dores do passado e nos aventurar com coragem num futuro e das experiências que dele surgir.


Elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Maurice Bénichou, Lorella Cravotta, Serge Merlin, Jamel Debbouze

Direção: Jean-Pierre Jeunet

Roteiro: Jean-Pierre Jeunet, Michael Moore

quarta-feira, 4 de junho de 2014 às 22:01 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Um dia Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, que fora filmada por uma câmara instalada na rua juntamente com alguns desenhos sinistros. Assustado, o casal tenta descobrir o autor daquelas misteriosas ameaças. Logo percebem que quem os persegue conhece mais sobre o seu passado do que eles poderiam esperar.


Imagem

Por mais que amemos ter nossas emoções manipuladas pelos filmes, estes não passam de imagens captadas e montadas para nos passar tais impressões. E se, no início de” Caché”, achamos que estamos vendo o filme enquanto narrativa do diretor, na verdade estamos vendo uma fita que tem existência própria dentro do longa. Porém, até onde vai as imagens captadas pela fita que tanto ameaçam o protagonista, e onde começa a narrativa de Michael Haneke? Pois, entre uma e outra, há, de fato, alguma diferença?


Preferindo não criar nenhum tipo de identidade em termos de fotografia, como uma iluminação diferente, para diferenciar as imagens filmadas da narrativa do longa, Haneke nos somente permite perceber que se trata da fita quando seus personagens a assistem ou quando vemos que a objetiva não se meche. Mas, por assim dizer, muitos planos do filme poderiam ser oriundos do misterioso cinegrafista. Como confiar naquilo que vemos?


Pois se daquilo que vemos construímos lembranças, e estas constantemente são reeditadas pela nossa mente, é sabido que muitas das lembranças ou detalhes que temos de determinados momentos não são de todo reais. Estaria o protagonista escondendo algum segredo por trás do conflito que tem com o personagem que surge em dado momento da trama? Suas lembranças são reais? Ou é o que ele acredita serem reais? Sim, há grande diferença entre o que é real, e aquilo que acreditamos ser real. Se cada indivíduo tem as suas impressões da realidade, de maneira a construir a sua visão própria e pessoal dela a comunicação exerce o seu papel chave de tentar encontrar fatos, e não interpretações. E é isso que Haneke faz em seu filme, dialoga com o expectador sobre o que é real e o que ainda permanece em segredo na história de Georges, e o cineasta conta com uma parcela de cumplicidade do público para que se realize a sua intenção nesse filme.


Georges, personagem centro do segredo da trama, aos poucos vai conduzindo o expectador à uma série de dúvidas e incertezas, que faz com que seja, ao final do longa, tão incerto e misterioso quanto a imagem que o filma. E Anne também reflete essa incerteza no relacionamento com o marido e em si própria, tornado complexa e muito bem sucedidas as performances de Daniel Auteuil e Juliette Binoche.


http://www.youtube.com/watch?v=8Dgoi6Ea59k

Manipulando o publico constantemente, mas ao mesmo tempo entregando as ferramentas que usa para fazê-lo, Michael Haneke pretende criar um expectador mais crítico e que saiba que um filme é só um filme, mas que ao entregar as suas emoções ao fluxo de uma narrativa, deve ter em mente que refletir sobre ela por vezes é mais importante do ter todas as respostas prontas ao seu final.


Direção e roteiro: Michael Haneke


Elenco: Daniel Auteuil, Juliette Binoche, Maurice Bénichou, Annie Girardot

segunda-feira, 2 de junho de 2014 às 21:20 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Imagem 
Já tendo trocado Abu Dhabi por Londres, algum penetra ou membro da equipe do longa dirigido por J.J. Abrams andou, para a nossa felicidade, tirando algumas fotos que foram publicadas pelo site TMZ.

domingo, 1 de junho de 2014 às 14:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Adaptação da autobiografia de Solomon Northup, publicada em 1853, quando Northup, um homem negro livre e casado, foi sequestrado e forçado a viver como escravo.


Imagem

O tema da liberdade, muito caro ao diretor Steve McQueen, é desenvolvido em seu “12 Anos de Escravidão” de maneira a fugir de certos mecanismos de persuasão do expectador que outros diretores abraçariam. Desse forma, McQueen faz um retrato sincero da situação, dos pontos de vista de seus personagens, e um retrato ideológico da época, lembrando, como diria Nietzsche, que não há fatos, apenas interpretações.


Montando seu filme de maneira que possamos entender a ordem cronológica dos acontecimentos somente após uma virada fundamental no enredo, somos apresentados a Solomon Northup, chamado de Platt por seus Mestres, descrito como um negro excepcional que sabe ler, escrever, tocar violino, e também lutar pela sobrevivência. Pois ao ser sequestrado e tratado como mera mercadoria, o mérito da interpretação de Chiwetel Ejiofor se iguala aos méritos de uma fotografia que trabalha com luz e sombras em dado momento, em outros mostra a beleza dos cenários naturais como belo contraste às atitudes desumanas demonstradas, enquanto Hans Zimmer compõe uma trilha sutil que envolve por seus tons melancólicos que lembram, inclusive, a faixa Time, da trilha de “A Origem”, também composta por Zimmer. McQueen tem o mérito de narrar a sua história sem criar nenhum personagem caricato ou maniqueísta, pois mesmo a rígido Epps de Michael Fassbender, em dado momento do filme, apresenta suas motivações à Platt enquanto chicoteia determinada escrava, evidenciando que, como dono de uma grande propriedade que obtém seu máximo lucro através do trabalho escravo, nada mais é do que um produto do seu meio, burguês, escravista e machista, sendo o juiz dentro de suas próprias terras e dono de crenças atrasadas de superioridade racial e ideológica. Pois Epps aceita sua condição dessa maneira sem contestar a falta de humanidade com que trata seus trabalhadores. Pois até em dado momento em que conversa com Platt após receber uma advertência sobre uma certa carta, este dá-se conta da perspicácia e da inteligência de Platt, enquanto nós, como público, admiramos a maneira como este é capaz de manipular Epps.


Tendo parte de sua vida roubada por crenças desumanas motivadas por essencialmente por uma mão-de-obra escrava capaz de maximizar lucros e ideologias criadas em torno disso, ainda vemos em nossa sociedade, mesmo depois de pouco mais de 100 anos, esse tipo de máscara configurar no palco em que somos atores e audiência ao mesmo tempo, por vezes tais máscaras são por nós mesmos usadas, ao ressaltar parte de um grupo como inferior. Pois não nos façamos escravos de uma superioridade inexistente em um mundo que pode ser mais justo do que é, se nos empenharmos para que o seja.


http://www.youtube.com/watch?v=bAbIf0VUqCs

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Brad Pitt, Paul Dano, Benedict Cumberbatch, Lupita Nyong’o

Direção: Steve McQueen

Roteiro: John Ridley, Steve McQueen