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terça-feira, 25 de setembro de 2012 às 11:08 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



É interessante como em um filme a mão de um diretor define a abordagem do projeto e o seu foco. Em "Água Negra" a sensibilidade do brasileiro Walter Salles, de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta" se encaixa muito bem com a proposta dessa refilmagem do terror japonês de mesmo nome lançado em 2002. A história discorre sobre  Dahlia, uma mãe que tem que lidar com o divórcio do marido e a luta pela guarda da filha Ceci. Ela acaba por alugar um apartamento barato com problemas de encanamento, o que inexplicavelmente termina ocasionando à Ceci a presença marcante de uma "amiga imaginária".



Jennifer Connelly é excepcional com personagens de forte construção dramatúrgica. A sua Dhalia tem elementos dramáticos da infância que vão encontrar respaldo em muitas de suas atitudes no presente e que irão casar com a resolução do filme e com a 'amiga imaginária' de Ceci. Connelly é muito expressiva nessa construção e comove realmente ao ver que trata e educa sua filha da maneira como nunca foi tratada por sua mãe, transcendendo toda a perturbação que disso poderia surgir.


As locações mostram uma espécie de submundo nova-iorquino, numa paleta de cores dessaturadas. O design do som dá enfase aos 'ruídos de objetos', como as goteiras, o bonde, máquina de lavar, elevador, que constitui praticamente uma trilha sonora por si só. Destaques para os cortes secos em alguns momentos e os corredores, tanto da escola como do condomínio, que por vezes se confundem, sem que saibamos ao certo onde  Dhalia está de fato até que tenhamos visto um elemento do cenário. Nesse sentido Salles mostra conhecer bem os clássicos "O Bebê de Rosemary" e "Repulsa ao Sexo", marcantes histórias ocorridas em ambientes fechados de apartamentos. E como não lembrar de "O Iluminado" na cena do banheiro, que temos, sim, um plano kubrickiano no arrombamento da porta e na visão da "amiga imaginária", marcada pelo casaco vermelho, assim como o garotinho do filme de Kubrick, elemento que este último usou para conferir cores quentes aos ambientes fechados. Sem contar que as câmeras altas e um posterior close no olho me fez imediatamente lembrar de "Psicose".


Enfim, um produto da onda de refilmagens de terror japonês,  junto com  "O Chamado" e "O Grito", com belas atuações, Jennifer Connelly se destacando como sempre, certamente faz jus ao material original e à carreira de Walter Salles.


Diretor: Walter Salles

Elenco: Jennifer Connelly, Ariel Gade, Shelley Duvall, Perla Haney-Jardine, Camryn Manheim, Pete Postlethwaite, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray Scott


Produção: Doug Davison, Roy Lee, Bill Mechanic


Roteiro: Rafael Yglesias


Fotografia: Affonso Beato


Trilha Sonora: Angelo Badalamenti


Ano: 2005


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