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terça-feira, 25 de setembro de 2012 às 11:08 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

É interessante como a mão de um diretor define o material e o seu foco. Entre fazer um filme de terror com toques dramáticos, o foco desse projeto, e a presença de Walter Salles se faz importante nesse sentido, é a de fazer um filme de construção dramática, com toques de terror, sendo que os elementos sobrenaturais inerentes a esse tipo de terror tem uma explicação alternativa de cunho psicológico. A história discorre sobre  Dahlia, uma mãe que tem que lidar com o divórcio do marido e a luta pela guarda da filha Ceci. Acaba por alugar um apartamento barato com problemas de encanamento, o que inexplicavelmente acaba ocasionando à Ceci a presença marcante de uma 'amiga imaginária'.

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Jennifer Connelly é excepcional com personagens de forte construção dramática. A sua Dhalia tem elementos dramáticos da infância que vão encontrar respaldo em muitas de suas atitudes no presente e que irão casar com a resolução do filme e com a 'amiga imaginária' de Ceci. Connelly é muito realista nessa construção e comove realmente ao ver que trata e educa sua fiha da maneira como nunca foi tratada por sua mãe, transcendendo toda a perturbação que disso poderia surgir.

As locações mostram uma espécie de submundo Nova Yorkino, num paleta de cores desaturadas evidenciando a pobreza. O design do som dá enfase aos 'ruídos de objetos', como as goteiras, o bonde, máquina de lavar, elevador, que constitui praticamente uma trilha sonora. Destaques para os cortes secos em alguns momentos e os corredores, tanto da escola como do condomínio, que por vezes se confundem, sem que saibamos ao certo onde  Dhalia está de fato até que tenhamos visto um elemento do cenário. Nesse sentido Salles mostra conhecer bem os clássicos 'Bebê de Rosemary' e 'Repulsa ao Sexo', marcantes histórias ocorridas em ambientes fechados de apartamentos. E como não lembrar de 'O Iluminado' na cena do banheiro, que temos, sim, um plano kubrickniano no arrombamento da porta e na visão da 'amiga imaginária', marcada pelo casaco vermelho, assim como o garotinho do filme de Kubrick, elemento que este último usou para conferir cores quentes aos ambientes fechados. Sem contar que as câmeras altas e um posterior close no olho me fez imediatamente lembrar de 'Psicose', independente de ser ou não a intensão do diretor.

Mas o filme de Walter Salles não e de todo perfeito. Ora, vemos uma cena em particular que nos leva a achar que certas presenças desagradáveis no condomínio são estão lá por influência do  marido de Dhalia, que com isso tentaria deixá-la louca a fim de ter a guarda de sua filha. Porém, esse é um elemento sobre o qual a sua veracidade se encontra na própria cena, e não duvidamos dela, unicamente somos levados a questionar se Salles não coloca ali elementos para tornar sua trama realista por demais. Afinal, é um filme de terror, vendido dessa maneira, e seu lado sobrenatural, mesmo após o seu desfecho, pode sim ser interpretado como consequência psicológica, o que enfraquece o terror em si.

Enfim, quem não se incomoda em assistir um filme rico em construção dramática, com belas atuações, Jennifer Connelly se destacando como sempre, tem nesse longa uma maravilhosa diversão. Porém fãs de 'O Chamado', 'O Grito' e outras obras do gênero, infelizmente, poderão se sentir entediados.

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Diretor: Walter Salles

Elenco: Jennifer Connelly, Ariel Gade, Shelley Duvall, Perla Haney-Jardine, Camryn Manheim, Pete Postlethwaite, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray Scott.

Produção: Doug Davison, Roy Lee, Bill Mechanic

Roteiro: Rafael Yglesias

Fotografia: Affonso Beato

Trilha Sonora: Angelo Badalamenti

Ano: 2005

País: EUA

Gênero: Terror

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