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domingo, 23 de fevereiro de 2014 às 18:38 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre em Emma (Léa Seydoux) a sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.

O diretor Abdellatif Kechiche resolve contar história de Adèle, através essencialmente de planos fechados em seu rosto e de algumas pessoas à sua volta. Sempre temos, assim, o seu ponto de vista. O interessante é notar que diversas vezes o importante é retratar as reações da personagem, suas expressões, enquanto dorme, come, lê, deixando de lado as expressões dos outros para simplesmente situar a personagem num contexto específico: sala de aula, passeata, janta com a família, momento de descontração com os amigos.

Retratando todos os detalhes da vida de Adèle, Kechiche expõe a descoberta da identidade sexual da menina. A encenação procura retratar paixão e autodescoberta na performance das atrizes, evocando um misto de admiração pela entrega e dedicação, mas um certo exagero que por vezes parece querer tirar o espectador do filme.

O que vemos é uma autodescoberta através do sexo, do desejo, que aos poucos torna-se um amor que consome, cria vazios e deixa marcas profundas.

E Adèle, com o decorrer da relação, termina por se estabelecer como um complemento de Emma, sendo feliz por estar ao seu lado, aparentemente não almejando nada mais na própria vida, a não ser o seu trabalho e seu relacionamento, tendo neste a felicidade da manutenção por ter sido aquilo que de mais intenso experimentara na vida. Porém Emma é capaz de encontrar prazer em sua arte, tendo um arsenal de referenciais para sua vida que a tornam independente de Adéle.

A simbologia adotada ao redor da cor azul, em pontos chave do filme, numa luz que preenche Emma, num vestido, toalha, água do mar, contribui para enfatizar a importância de Emma para Adèle e a sua luta para resgatar momentos importantes de seu relacionamento.

Assim, é pesaroso perceber a dependência de uma em relação à outra, no caminhar sem rumo, em função daquilo que de mais importante viveu até ali, mas que infelizmente agora habita no passado.


Direção: Abdellatif Kechiche

Roteiro: Abdellatif Kechiche


Elenco: Léa Seydoux, Aurélien Recoing, Adèle Exarchopoulos, Catherine Salée, Salim Kechiouche, Benjamin Siksou, Mona Walravens, Alma Jodorowsky, Jérémie Laheurte


 

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