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domingo, 15 de agosto de 2021 às 03:57 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


É muito satisfatório quando assistimos a um filme que se propõe contar a história de vilões saídos da prisão para realizar uma missão e consegue ser fiel à natureza violenta, dúbia e até psicótica desses sujeitos.

Na contramão do longa de 2016, "O Esquadrão Suicida" é carregado em cores, num barroco que compõe belas imagens, conferindo vida ao projeto, estabelecendo humor a partir de situações e personagens absurdos e buscando criar uma identidade a partir de seu material base. Em vários momentos temos a impressão de estar de fato passando os olhos por uma página de quadrinhos, dada a estrutura capitular que James Gunn utiliza, nomeando os capítulos com elementos da cena, algo que remete à linguagem das histórias em quadrinhos. Ao optar por dar o ponto de vista de seus personagens mais psicóticos, o diretor entrega momentos engraçados na figura do sujeito que enxerga a sua mãe em tudo, mais freudiano impossível, e uma das melhores cenas da Arlequina ao longo da sua trajetória no cinema, mostrando que ao invés do sangue e da brutalidade, ela se enxerga como uma espécie de princesa num animação cartoon envolta numa ação que remete aos videogames. O sangue e a violência aqui são usados com a maior liberdade, algo impensável num filme da Marvel que, sob a batuta da Disney, pode mostrar seus heróis em duelos numa violência sem consequências e praticamente sem sangue. Gunn tem toda a liberdade para explorar o sangue, a violência e a escatologia de maneira estilizada que serve ao filme como uma luva, e ainda por cima pode explorar o desejo e sexualidade, sem objetificação, em contraponto à assexualidade dos heróis da Marvel.

Contando com um monstro gigante de aparência inofensiva (uma estrela do mar poderia muito bem ser um bicho de pelúcia) e colorido, mas que entra na cabeça das pessoas em seu projeto de dominação (cultural?) e atacando um país fictício subdesenvolvido, não deixa de ser gratificante e ao mesmo tempo curioso vermos essa temática numa obra norte-americana. Os ratos são posicionados como um símbolo de humildade, simplicidade e poder do povo sobre o monstro invasor estrangeiro. Todavia não deixa de ser um alerta sobre um outro tipo de monstro que pode surgir, engolindo grandes estúdios e franquias, entrando na cabeça das pessoas disseminando valores conservadores e escapistas, simbolizados pelo grande rato - Disney.

Direção: James Gunn

Roteiro: James Gunn

Montagem: Fred Raskin

Fotografia: Henry Braham

Design de Produção: Beth Mickle

Música: John Murphy

Elenco: Margot Robbie, Idris Elba, John Cena, Joel Kinnaman, Sylvester Stallone, Viola Davis, David Dastmalchian, Daniela Melchior, Peter Capaldi, Jai Courtney, Michael Rooker, Nathan Fillion, Alice Braga, Pete Davidson, Storm Reid, Joaquín Cosío, Juan Diego Botto, Flula Borg, Sean Gunn, Steve Agee, Jennifer Holland, Tinashe Kajese, Mayling Ng, Julio Ruiz, Taika Waititi, Lynne Ashe, Dee Bradley Baker, John Ostrander, Stephen Blackehart

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