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Lady Bird”, primeiro filme solo de Greta Gerwig na direção,  que já escrevera e atuara no ótimo “Frances Ha”, é um daqueles longas que se destacam pelas diferentes maneiras que podem ser lidos pelos espectadores. É uma história de amadurecimento, sem dúvida, mas não fala só do amadurecimento de Christine McPherson que se auto intitula Lady Bird. O amadurecimento de sua mão também ocorre no decorrer do filme e o desenvolvimento e as dificuldades da relação de ambas é o grande conflito do longa.


Gerwig narra a sua história sem firulas estilísticas, mostrando que sabe conferir força e intensidade à narrativa de maneira sutil e simples, conferindo um ar real e autêntico à cada troca de diálogos, a cada história que conta sobre os seus ótimos personagens coadjuvantes (com ótimas subtramas que vão desde o padre que dá aulas de teatro, o pai da protagonista que é vítima de depressão, a sua amiga que tem problemas com a própria imagem, o segredo de seu namorado, a cunhada de Lady Bird que teve problemas em ser aceita pela própria família), e a cada tentativa de Lady Bird de tomar decisões próprias e ser independente,  ao mesmo tempo que se descobre muitas vezes não tão talentosa quanto gostaria para entrar na universidade que desejava, às vezes um pouco egoísta, mas sempre capaz de reparar seus erros e reconhecer quais pessoas são importantes em sua vida. O que marca a sua personagem é a maneira sonhadora e inquieta que rege a sua vida em Sacramento, uma cidade pequena que pouco tem a oferecer à Lady Bird. Já sua mãe, Marion (Laurie Metcalf, que tece sua personagem com características fortes, ao mesmo tempo que tem momentos doces e suaves na sua interação com a filha, numa composição sutil que evidencia o crescimento da personagem ao longo do filme) luta para manter a família estável e manter as contas em dia e constantemente essas duas personalidades entram em conflito, mas fica sempre a impressão do amor entre as duas. Todas as aventuras e conflitos da protagonista ao se relacionar com os garotos, ao interagir com as amigas e sonhar em ir estudar numa universidade são vividos com uma sutileza e inteligência pela sempre graciosa Saoirse Ronan, fazendo aqui mais um trabalho brilhante e que se assemelha levemente com o arco que vivera ao retratar a protagonista de "Brooklyn". A sub trama que envolve o seu namorado e o segredo que ele esconde tem um resolução muito comovente e revela a compaixão e empatia da personagem em perdoar algo que pode tê-la machucado. Mesmo tendo menos tempo em tela, Tracy Letts compõe brilhantemente o pai da protagonista como uma figura compreensiva e doce, ao mesmo tempo que carrega um forte ar de melancolia.

Em seu desfecho , “Lady Bird” é um filme que reconhece tanto a vontade e a intensidade de uma garota que sabe bem o que quer e luta para que isso aconteça mas ao mesmo tempo também reconhece a força de sua mãe que nunca desistiu de seus filhos e lutara para manter a uma família unida apesar de todas as dificuldades econômicas e pessoais. E é nesse duplo discurso que se complementa que "Lady Bird" ganha força.



Direção: Greta Gerwig

Elenco: Saoirse Ronan , Laurie Metcalf , Tracy Letts , Lucas Hedges , Timothée Chalamet , Beanie Feldstein , Odeya Rush , Jordan Rodrigues , Marielle Scott , Jake McDorman , Stephen Henderson , Lois Smith

Roteiro: Greta Gerwig

Fotografia: Sam Levy

Música: Jon Brion

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