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vorazes

Vindo de uma crescente qualidade em seus filmes, tendo como ponto alto a primeira parte de seu desfecho, "Jogos Vorazes: A Esperança - O Final" não repete o feito do filme anterior, sendo o pior filme da franquia, mas mesmo assim apresentando ideias minimamente interessantes.


Junto com um grupo de amigos próximos, Katniss sai em uma missão com  a unidade do distrito 13 com o objetivo de libertar os cidadãos de Penem e combater o Presidente Snow.

Como seu antecessor, o longa, que tem início exatamente onde o anterior parou, investe numa atmosfera de profunda escuridão e sombras. A influência de Katniss. na propaganda da rebelião se faz presente, assim como questões sobre liberdade e poder. Porém o longa passa a investir em momentos de ação que mais tendem às batalhas retratadas em filmes de guerra, conseguindo criar tensão e envolver na maior parte do tempo, mas em dados momentos a monotonia toma conta e só é substituída pela previsibilidade do enredo. Em dado momento o diretor Frances Lawrence passa a compor cenas muito silenciosas, o que antecipa um ataque sofrido pelos protagonistas, tentando dar sustos no expectador como num legítimo filme de horror B. Inclusive, por se tratar do desfecho da trama e pelo enredo criar justificativas para que se reviva o clima dos jogos vividos pelas personagens nos dois primeiros longas, a direção, apesar de criar urgência e tentar dar um clima de ameaça constante, parece estar distante e menos envolvente.

É no segundo ato que parece que o longa irá ceder completamente ao clima de batalha e esquecer das ideias desenvolvidas até ali, surgindo diálogos bem fracos no decorrer da trama, como um que envolve uma conversa de dois personagem sobre um beijo, ou justificativas, eu diria, injustificáveis, para as ações de outros personagens, envolvendo também um beijo.

A caracterização de Katniss neste capítulo final é extremamente eficiente pela talentosa Jennifer Lawrence, que ao longo dos quatro filmes conhece bem a personagem e consegue transmitir muito com um simples olhar ou uma expressão. Pois esse sem dúvida é o ponto alto do filme, pois Jennifer Lawrence consegue vender basicamente tudo que sua personagem fala, sente, expressa e sofre. O elenco de apoio também se sai muito bem, com destaque para Donald Sutherland, que compõe um Snow sarcástico e ameaçador, Julianne Moore, que, apesar de ter pouco tempo em tela, compõe uma personagem sempre interessante e complexa. Phillip Seymour Hoffman faz sentir a sua ausência neste longa, tendo momentos em que é substituído por outros personagens ou tem as ações meramente citadas. O par de atores que disputam a atenção de protagonista, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth, eclipsados pelos outros nomes do elenco, não soam tão expressivos ou mesmo interessantes neste capítulo final, que por sinal soa carregado demais no romance.

Quando se encaminha para o terceiro ato, o longa passa a ganhar novamente força, pois relembra ideias plantadas no longa anterior, apesar de Katniss tomar uma decisão previsível no filme, que não surpreende em nada a quem assiste, mas mesmo assim Jennifer Lawrence consegue vender a confusão mental e a revolta que sua personagem sente e que justifica o uso que faz de seu arco e flecha.

Vale citar que grande parte dos últimos capítulos de cine séries tem a característica de serem insensíveis a algumas mortes de personagens importantes. Basta comparar a sensível morte de Sirius Black em "Harry Potter e o Cálice de Fogo", com as constantes mortes do último filme da série, "Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2", que soam insípidas e repentinas, apesar do contexto de batalha que é criado. Neste Jogos Vorazes, apesar de não inflar o longa com personagens ou momentos que quebrariam o tom do filme, o longa parece que só consegue fazer sentir a morte de uma personagem somente vários minutos depois de ocorrida, numa cena tocante e, por isso mesmo, extremamente necessária.

Ao discutir com certa liberdade e eficiência temas como abuso de poder, pobreza, política do pão e circo, a banalidade da vida humana quando vista numa tela, o poder da imprensa e da imagem, e brilhantemente refletir que muitas vezes quando tiramos um ditador ou um mau governante do poder, estamos colocando outro no lugar, enfim, a franquia Jogos Vorazes é digna de méritos por suscitar todas essas questões. No que diz respeito ao seu próprio desfecho, naturalmente que ao tentar dar um final indulgente para a sua personagem, o filme cai bastante, principalmente no epílogo que por si só destoa de toda a franquia. O que é uma pena, pois bastava ter concluído o filme uns dois minutos antes para que tivéssemos uma última imagem mais marcante e envolvente.



Direção: Frances Lawrence

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth,Woody Harrelson, Julianne Moore, Donald Sutherland

Roteiro: Peter Craig, Jon Killik

Fotografia: Jo Willems

Música: James Newton Howard

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