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domingo, 24 de agosto de 2014 às 15:50 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos em 1962 Curt e Steve vivem grandes aventuras no último dia de verão, antes de partirem para a universidade. Nesta noite, vários acontecimentos ocorrem ao mesmo tempo.

É injusto lembrar-se de George Lucas unicamente pela sua saga espacial: Star Wars. Os seus dois primeiros filmes não apontam para uma promessa, mas para um diretor que sabia exatamente o que estava fazendo, de maneira muito talentosa e madura.

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Em “American Graffit ” Lucas inova o cinema na época e provoca encantamento a cada revisão, ao fazer um filme que reflete as angústias de jovens que se veem obrigados a tomar decisões por si sós e descobrir o que querem da vida. A naturalidade como Lucas retrata esse universo num tom praticamente documental encanta e diverte muito, reservando sequências hilárias, como um balão com água que acerta o rosto de uma garota e esta, que deveria se irritar, acaba por não parar de rir, ou o garoto tentando comprar bebida alcoólica.

Vale comentar que George Lucas consegue narrar ao mesmo tempo, numa mesma noite, quatro histórias diferentes que partem de um ponto em comum e convergem num mesmo final, mas que do desenvolvimento do filme tomam caminhos próprios e por vezes se encontram de maneira muito fluida dentro da narrativa. Méritos ao roteiro muito bem escrito.

Lucas é brilhante também ao escolher narrar cada cena com uma música especialmente pensada para ela. Intercalando momentos em que ouvimos a narração de um importante programa de rádio, as músicas aparecem para comentar as situações retratadas no filme, tornando mais envolvente o retrato da época que é construído.

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Assim, investindo num final melancólico e optando por informar o destino de alguns de seus personagens, George Lucas prova que por trás de um talentoso produtor, criador de uma das maiores mitologias da cultura pop, havia um grande diretor, e esperamos que ele possa voltar a nos encantar com histórias mais inventivas e personagens cativantes.

Direção: George Lucas
Roteiro: Willard Huyck, George Lucas, Gloria Katz
Fotografia: Ron Eveslage, Jan DAlquen, Haskell Wexler
Elenco: Richard Dreyfuss, Ron Howard, Paul Le Mat, Charles Martin Smith.

sábado, 9 de agosto de 2014 às 22:55 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Se "O Grande Golpe" não foi o filme que Stanley Kubrick teve grande liberdade artística, tendo que ceder um final politicamente correto em que o crime não compensa e ter uma estranha narrativa em off que narra exatamente aquilo que estamos vendo, em compensação esse grande diretor (o meu preferido) consegue contar a sua história como ninguém, se utilizando de enquadramentos muito bem planejados, economizando nos cortes, dando a magnitude merecida a cada diálogo (em um roteiro muito bem escrito), e entregando planos-sequência magníficos.


Um plano-sequência em destaque chama a atenção, quando Kubrick acompanha Johnny Clay (Sterling Hayden) por um corredor, revelando ser na verdade o ponto de vista de um espelho (ou na verdade um ponto de vista de fora do espelho) e seguindo a trajetória do personagem na busca de um parceiro para  desempenhar uma dada função em seu plano. Chama a atenção o plano-sequência, que além de ser tecnicamente perfeito, condensa a cena num contínuo dentro da narrativa, sem a necessidade do uso do corte, conferindo mais realismo e imersão do expectador ao narrar visualmente as ações do personagem.


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quarta-feira, 6 de agosto de 2014 às 22:39 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Uma das características que diferencia o Ser Humano dos outros animais é a sua capacidade de romper a barreira do tempo. Mas em que sentido? No sentido de que temos a habilidade de programar a nossa existência no cenário do tempo, estimá-la com as nossas visões de futuro e planejar o tempo vindouro antes que já tenha se convertido em presente.


capa-o-valor-do-amanha

Pois o livro de Eduardo Giannette explora com muita habilidade e concisão esse tema importante através de um histórico biológico (o estabelecimento da senescência nos animais vem a ser um escolha feita pela natureza, aproveite agora, desconte depois, gerando na juventude o máximo desempenho do corpo, e com o tempo a falência dos órgãos, muito prudente numa terra primitiva repleta de ameaças por toda a parte), enveredando pelas raízes sociais (desde o pensamento burguês ao escravocrata) findando nas consequências econômicas, tendo num único termo o resumo do livro: JUROS.  O livro é sobre juros, em suas várias manifestações na vida, e não somente na economia.


Por vezes tendo uma forma de narrar um pouco prolixa, cheia de citações à pensadores, economistas, poetas e músicos, a leitura acaba se revelando não tão complicada quanto possa parecer, mas exige atenção e digo que, pela visão que defende, vale a pena ler.

sábado, 2 de agosto de 2014 às 14:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Apesar das más interpretações que o título pode sugerir com o emprego da palavra egoísta, o autor Richard Dawkins traça aqui muitas respostas para perguntas fundamentais sobre a natureza dos seres vivos multicelulares. Uma das principais é a de como seres inicialmente provenientes de uma única célula vieram a se tornar formações de conglomerados dessas entidades. Ou mesmo, tendo num filamento de DNA a unidade replicante, como esta veio a formar a estrutura celular conhecida, e desta, a multiplicidade de organismos que povoam o nosso planeta?



12134 - GEne egoista
Unicamente propondo a ideia do gene replicante, ou gene imortal, o gene egoísta que dá nome à obra, e partindo deste raciocínio para que pensemos todo o comportamento animal individual e em grupos (primeiro o que é bom para o gene, para a sua perpetuação, não para o indivíduo ou para o organismo), Dawkins abre caminho para possíveis respostas. Se for mais seguro para o gene estar agrupado com outros genes em um “casulo funcional”, comando sua síntese toda vez que se replicaram, por que não o fariam, e por que a seleção natural não lhes favoreceria? Pois não seria mais fácil uma concatenação de “casulos”, cada qual especializado em determinado função, dentro do microcosmo de um organismo ainda maior? Pois a seleção natural não favoreceria esse tipo de mutação? Que tal uma bactéria que viesse a se especializar em alguma função dentro do organismo, como a síntese de alguma proteína útil, e que tivesse igualmente interesse e meios de se reproduzir pelo mesmo canal, ou “gargalo”, que esse organismo maior se reproduz? Essa bactéria não poderia ser incorporada ao indivíduo, sem que possamos habilmente distinguir entre dois organismos distintos após alguma geração?


Pois estas são algumas ideias interessantes que tomam forma nesta fascinante leitura do autor de “Deus, um delírio”. Pois, para bem compreender as nuances que permeiam os conceitos usados por Dawkins, se faz obrigatório o conhecimento básico de biologia (se você não sabe quem é Darwin e a sua contribuição para a ciência, nem toque em “O Gene Egoísta”), algumas noções de estatística e muita mente aberta, a fim de não deixar de apreciar a leitura por falta de referências ou mesmo preconceitos. Tive contato com a tradução de Rejane Rubino, publicada pela Companhia Das Letras, em edição revista e atualizada publicada em 2013.