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terça-feira, 18 de setembro de 2012 às 11:09 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 


Wood Allen consegue nos transmitir uma importante visão sobre arte e conhecimento no seu “Meia Noite em Paris”. E concluir isso não é de maneira nenhuma enxergar mais do que o filme pode oferecer. Gil (Owen Wilson) é um roteirista frustrado de Hollywood que aspira ser escritor e viaja para Paris com sua mulher Ines (Rachel McAdams), convivendo com seus pais e amigos, mas inesperadamente acaba também se relacionando com seus escritores prediletos na Paris dos anos 1920.


Imagem


Patrick Wilson encarna o alter ego de Allen, pelo jeito afetado-apressado-intelectualizado de falar, pelo interesse puramente sexual pela esposa (não estou julgando a vida pessoal do diretor, mas unicamente reconhecendo que ele poderia ter feito a mesma coisa que seu personagem se tivesse na mesma situação. Se é que não fez no passado – presente, sei lá,eu também não resistiria aos encantos de uma Rachel McAdams), por ser um roteirista frustrado (imagino que Allen não seja tão frustrado e que nem venha a levar a literatura muito a sério como o personagem). Mas o que faz com que vejamos Allen na pele do personagem central é a melancolia pelo passado não vivido. Veja bem, o termo “não vivido” não pode ser interpretado em seu sentido literal, uma vez que apesar de não ter nascido na época em questão, e consequentemente não ter existido para os que lá existiram, viver uma época pode ser também pensar sobre ela e ser influenciado por pessoas que lá viveram através do que deixaram. Nesse sentido estamos vivendo a época dos nossos sonhos de maneira idealizada. Fazendo os retrocessos temporais que o filme sugere, da Paris dos anos 1920, até a Belle Époque de 1820, indo direto até a renascença, poderíamos seguir viagem, pulando toda a Idade Média das sombras, e fazermos uma parada na Grécia Antiga dos filósofos racionais e dos artistas. Porém, os grandes artistas da Grécia Antiga considerariam qual época a época de ouro? De acordo com a lógica do filme, somente quando uma pessoa tem a melancolia despertada por julgar uma determinada época a época de ouro é que ela consegue viajar para lá. Pois bem, no nosso atual cenário, para onde iríamos parar depois? Ao julgar pelas eternas referências que faz a arte e o conhecimento às épocas passadas, eu imagino que os gregos viveram uma época de transcendência do pensamento e da razão, uma vez os maiores expoentes da filosofia e ciência gregas não pareciam olhar para o passado e nem para um futuro, mas para um ideal de filosofia que busca a compreensão da realidade e da subjetividade (e na subjetividade). E é essa transcendência que eu julgo ser a transcendência criadora do conhecimento e da arte. Enfim, voltando ao filme, que não viaja até a Grécia Antiga como eu, mas que aprofunda sua viajem em camadas de três ou quatro níveis de realidade, tomando um quê de “A Origem”. 


 


E nessa viajem o próprio personagem começa a conhecer a si mesmo e a sua esposa (o fato de ele não perceber que ela o traía, precisando ser alertado por um personagem de existência física contestável é hilário, uma vez que qualquer expectador com um mínimo de atenção já percebera isso muito antes). Afundado numa subjetividade que encontra ao fim uma forma de expressão através de uma conversa com uma bela mulher, a caminhada na chuva e uma esperança de um futuro promissor como escritor, o longa de Wood Allen consegue ser mais que mais uma das suas comédias intelectuais-existenciais, mas uma visão deste sobre a própria insatisfação da vida por quem vive e da formação do conhecimento e concepção da arte.


 


Midnigth  in  Paris, 2011


 


Direção: Woody allen


 


Roteiro: Woody allen


 


Produção: Letty Aronson


 

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