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sexta-feira, 31 de agosto de 2012 às 10:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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No início de sua projeção de cara somos apresentados ao decadente circo Esperança (com todas as interpretações possíveis que podemos dar a esta frase). O contraponto em que Selton Mello nos permite ver a decadência do circo é exatamente na subjetividade do palhaço Benjamin.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012 às 20:08 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Se Laranja Mecânica é um filme sobre violência, Apocalipse Now é sobre guerra e Todos os homens do Presidente sobre investigação jornalística, A Doce Vida é um filme sobre a trivialidade e futilidade. Na verdade, assim como os longas que usei como exemplo, é um épico sobre o assunto.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012 às 21:21 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” conta a história do jornalista Mikael Blomkvist (Craig), condenado por uma matéria escrita contra um empresário poderoso. Temendo prejudicar a reputação da revista “Millennium”, ele decide se afastar e é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Plummer) para investigar o desaparecimento de sua sobrinha ocorrido há 40 anos. Cercado pela estranha família Vanger, que inclui ex-nazistas e segredos pesados, Mikael acaba contando com o auxílio da hacker Lisbeth Salander (Mara), uma jovem problemática que encontra-se sob supervisão do Estado em função de seu passado.

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O filme de cara já nos apresenta um ritmo ágil de contar o seu prólogo, ao apresentar os personagens. Vem diminuindo seu ritmo após o seu envolvente clip musical, em que começa a estabelecer a trama policial e posteriores conflitos entre personagens, até o momento em que a dupla central de encontra e dá início a investigação. Uma improvável dupla de investigadores composta por um jornalista econômico acusado de difamação e uma hacker órfã. Dado o bom desenvolvimento que temos de ambos, é interessante notar que mesmo depois de o “mistério ter sido solucionado”, David Fincher nos entrega mais alguns minutos de sua projeção para que possamos acompanhar o rumo de seus personagens, uma vez que são estes que nos impulsionam a entrar nessa história, em especial Lisbeth Salander.

Tecnicamente, é interessante a maneira como as cenas são concatenadas dentro do longa, como aquela seqüência de perseguição de um carro por uma moto, demonstrando paralelismo bem estruturado entre os movimentos dos veículos e os seus respectivos destino ao final da seqüência. Apesar de cortes rápidos, a seqüência consegue ser completamente verossímil, inclusive na explosão que surge após o carro sofrer a queda, com a aproximação da personagem de Rooney Mara e o insistente pisca do carro, induzindo a interpretação de que uma faísca produzida pelo pisca é o resultado da posterior explosão.

Mais próximo do final vemos novamente a personagem de Rooney Mara comentar com seu “tutor”, enquanto jogam xadrez, que encontrou um amigo, do tipo que ele ia gostar. Após a fala, ela avança um peão, num plano bem privilegiado que temos do tabuleiro, permitindo prever uma possível “investida” pretendida pela personagem, a fim de que o “amigo” se torne “algo mais”, como o próprio roteiro já cansou de pontuar em diferentes momentos da trama.

Assim, apesar de um grande mistério por trás da já comentada investigação e de sua inusitada e surpreendente conclusão (e, porque não, emocionante), o que prevalece em Millenium são, acima de tudo seus personagens. E seu eu disse anteriormente que a dupla de investigadores era improvável, ao final percebemos o porquê, quebrando não só a ilusão alimentada por Lisbeth Salander, mas também como um interessante recurso de David Fincher para nos ajudar a sair de sua projeção e encarar o pragmatismo do mundo real, que inevitavelmente Salander terá de enfrentar também. Dessa forma, após a experiência vivida, saímos modificados, apesar de voltarmos ao nosso estágio inicial, onde tudo teve início (personagens e expectadores).

Direção: David Fincher

Roteiro: Steven Zaillian

Título original: The girl with the dragon tattoo, 2011

às 21:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Tem filmes que merecem ser lembrados eternamente pela sua importância política e social. É o caso de Mississipi em Chamas, de Alan Parker.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012 às 10:16 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O primeiro filme dos irmãos Wachowski se trata de um eficientíssimo suspense muito bem dosado de violência e sensualidade. Jennifer Tilly interpreta a mulher de um integrante da Máfia (Joe Pantoliano), que se envolve com uma ex-presidiária (Gina Gershon) e ao mesmo tempo em que fazem juras de amor armam um plano para fugir com uma grande quantia em dinheiro.

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O filme consegue estabelecer um clima de suspense do início ao fim através de bem executados movimentos de câmera, câmeras altas, travellings, superando a limitação das poucas locações que conta, uma vez que se passa a maior parte do tempo em ambientes fechados de quartos. Até mesmo soluções visuais que não contam com efeitos de computação soam elegantes, como a sequência em que uma personagem está ligando para a outra em quartos com parede lado a lado, e a câmera segue o caminho do fio do telefone até chegar ao outro quarto, usando só movimento de câmera e corte, contribuindo para a “narrativa dos ambientes” fechados, que David Fincher faria de maneira maravilhosa e inventiva em “O quarto do pânico”, mas dessa vez com ajuda de computação gráfica. Mas não só a técnica se sobressai no filme, mas a sua história, escrita pela dupla, também consegue envolver, principalmente pelos rumos que um plano inicialmente brilhante vai tomando, só aumentando a tensão do filme. A sensualidade de Jennifer Tilly remete a uma femme fatalle noir e as sequências envolvendo ações da máfia e posteriores assassinatos conseguem remeter a uma brutalidade quase ao estilo Tarantino.

Assim, é um filme que conseguiu se tornar uma boa surpresa para mim, que não esperava muito dele, mas que se mostra muito eficaz em entreter o público sem os recursos de efeitos ou explosões. Deixemos isso para Matrix.

ORIGINAL:  Bound (1996)

DIRETOR: Andy Wachowski, Larry Wachowski

ROTEIRISTA: Andy Wachowski, Larry Wachowski

TRILHA: Don Davis

sexta-feira, 24 de agosto de 2012 às 14:01 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Sabe aqueles filmes que mesmo partindo de uma premissa dramática consegue deixar no ar uma sensação de esperança e bem-estar? É o que acontece quando assistimos a esse filme de Cameron Crowe.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012 às 10:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Em se tratando de fazer cinema, o Brasil apresenta alguns impasses para os seus realizadores. Sim, é difícil produzir cinema aqui, como se torna igualmente difícil tentar definir ou mesmo criar uma identidade brasileira no cinema. Mas Cidade de Deus consegue superar esses problemas e se mostrar um filme inventivo, ao mesmo tempo em que, contando uma história chocantemente real, não tenta ser mero produto de consumo escapista e descartável.

domingo, 19 de agosto de 2012 às 10:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Em mais de cem anos de cinema, poucos de nós viveu a época do cinema mudo. Sem dúvida uma das épocas mais importantes para que fossem desenvolvidas estratégias de linguagem que viraram convenções obrigatórias e para estabelecer astros e estrelas desse circuito.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012 às 06:25 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Este texto apresenta alguns spoilers (revelações sobre a trama).

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Guerreiro é um ótimo filme até os seus minutos finais, onde pega todas as suas qualidades e simplesmente as joga para o ar “pra ver no que vai dar”, ou simplesmente por querer concluir a história de maneira mais aceitável ou digestível para o público, ou porque seus realizadores perderam a mão no final, o que é uma pena.

terça-feira, 14 de agosto de 2012 às 19:42 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Este filme de Ang Lee marca uma subversão de dois gêneros clássicos no cinema americano: o faroeste e o drama romântico, conseguindo matar os dois numa trama só. O filme conta a história de Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhal) que, enquanto trabalhavam isolados cuidando de ovelhas no interior de Wyoming no verão de 1963, se conhecem e se apaixonam mantendo um caso secreto por toda a vida.


ImagemBrokeback Mountain se estrutura como um drama romântico clássico: O encontro dos amantes, a consolidação e a certeza do amor, a consumação do sentimento (lua-de-mel, momentos de felicidade, estrategicamente no meio do longa) seguido pela reação do meio externo, que agirá para atrapalhar esse amor, até que se torna tão difícil que haverá uma separação inevitável. Lee estrutura todos esses elementos de maneira sutil. O período que passam em Brokeback Mountain é a consumação do amor, que vão procurar reviver às escondidas sempre que puderem até tornar-se cada vez mais incômodo se esconderem dos outros. Heath Ledger compõe um Ennis Del Mar complexo, que esconde sua fragilidade em suas atitudes tímidas e introspectivas, que por muitos momentos se vê descontrolado e agressivo. Michelle Willians emociona ao dar vida à Alma, esposa de Ennis Del Mar, que vê seu casamento ruir na primeira aparição de Twist. Gyllenhal se sai muito bem, com um Jack Twist que não vê problema em dizer ou fazer o que pensa. A trilha suave e as paisagens calmas pontuam a melancolia própria dos personagens, além de estabelecer o clima de faroeste norte- americano. Sem cometer excessos que comprometeriam o filme, a direção de Lee flui suavemente entre os acontecimentos, deixando que a emoção fique por conta do expectador, que já se vê envolvido por uma história de amor que luta contra o preconceito, mas que encontra nessa oposição um implacável inimigo. E a solidão em que Del Mar se coloca, seja por temer o que uma reação mais aberta pode lhe custar, seja por medo de se envolver e machucar-se como já se machucara antes, enfim, é o que de mais tocante o filme pode nos deixar.


Título Original: Brokeback Mountain

Direção: Ang Lee

 Roteiro: Larry Mcmurtry e Diana Ossana

 Gênero: wester/drama/romance

 Origem: EUA

 Duração: 134 min

 Tipo: longa-metragem

às 19:32 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Acho que se eu lesse uma biografia de Jane Austen no Wikipédia me emocionaria mais do que assistindo a esse filme, que parece ter sido feito todo ele no piloto automático. “Amor e Inocência” conta a história de escritora inglesa Jane Austen, autora de importantes títulos da literatura inglesa e mundial, tendo também parte de sua obra servindo de adaptação para o cinema.

sábado, 11 de agosto de 2012 às 18:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Nos primeiros minutos já somos surpreendidos com um letreiro advertindo sobre a veracidade dos fatos que serão ali dramatizados. Mas não se enganem, pois a história não é real, pelo menos da maneira como entendemos com aquele aviso. Contando a história de Jerry, um vendedor de carros de uma cidadezinha de Minnesota que se encontra endividado. Para resolver seus problemas, resolve contratar dois bandidos para seqüestrar sua esposa e embolsar o resgate que seu rico sogro irá pagar. Mas o problema é que algumas mortes inesperadas vão acontecer.

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O realismo presente no filme não se transmite através do já citado letreiro inicial. Nunca contestamos a veracidade dos fatos ali relatados se aceitamos a sua premissa. Isso por que os irmãos Coen acertam na maneira de contar a sua história: De maneira cadenciada, poucos cortes, alguns planos abertos para dar-nos noção de onde estamos no filme. Vale reparar na cena em que a policial Marge foi chamada no meio da noite e está tomando café com seu marido, vai até lá fora, vê que tem um problema no carro e entra novamente para pedir ajuda ao marido, onde vemos tudo que está acontecendo sem que haja nenhum corte ou mesmo nenhum movimento de câmera. A maneira como o elenco vive seus personagens é igualmente interessante, confiando nos sotaques carregados e nos trejeitos interioranos. A psicologia dos personagens é muito bem desenvolvida, contando com um Jerry que encarna a faceta de perdedor, vivendo como que à custa do sogro, por quem é cobrado e menosprezado. Será mesmo que Jerry gosta da esposa, ou é o dinheiro dela que o chamou atenção. Não se enganem com o desempenho de William Macy para conceder pena ao seu personagem, pois prefiro manter a dúvida sobre ele. Marge conserva seus hábitos caseiros e simples, ao mesmo tempo em que está grávida e conduzindo a investigação. A relação desta com o marido denota um companheirismo e amor admiráveis que a leva a reconhecer, ao fim do filme, que não entende o porquê dos crimes, que se justificam unicamente por dinheiro. O sogro de Jerry é o homem de negócios que quer sempre levar a melhor e tomar conta da situação. A dupla de banidos vive momentos de humor negro hilariantes.

Assim, pensando em como se justificaria os atos de Jerry, que são injustificáveis, e admirando a simplicidade de pessoas ali retratadas, descubro, para minha surpresa, que não se trata de uma história verídica. Mas na verdade é verídica sim. Pode não ter ocorrido no mesmo lugar, na mesma hora, mas em algum lugar aquilo tudo aconteceu. É uma antologia de fatos reais. Alguns assustadoramente reais outros agradavelmente reais.

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às 13:33 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O ótimo “Jogos Vorazes” se vale de conceitos muito interessantes para construir sua trama e sua relação personagens-expectadores. A história se baseia num conflito anual envolvendo jovens casais de 12 distritos em um jogo de sobrevivência em que somente um sobreviverá.  Depois que a irmã mais nova é convocada a participar no jogo, a garota de 16 anos Katniss Everdeen se voluntaria para substituí-la. Kainiss se vê obrigada a tomar atitudes de ordem moral e inclusive em questões de amor.


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Gary Ross acerta ao fazer da câmera um termômetro emocional de Kainiss. Quando somos apresentados ao distrito 12 Ross conta sua história através de cortes ágeis em planos fechados, em angulações não muito convencionais, tendendo para o documental. É o que dá credibilidade à natureza miserável e triste dos habitantes do distrito 12, me lembrando Inverno a Alma em sua estética.  Ao chegarmos na “cidade grande”, onde ocorrerão os jogos, o seu visual soa pouco futurístico, sem muitos detalhes, mais dedicado aos figurinos (quase que cosplay). Novamente é nos momentos mais subjetivos de Katniss que a câmera capta planos fechados, altera o som e busca angulações diferentes, de maneira sutil. A substituição do som por uma trilha mais suave acaba sendo fundamental em dados momentos, do longa. Em um filme que as mortes de jovens são inevitáveis, por mais comercial e escapista que procure ser, a decisão de Ross de dar certa dignidade a uma seqüência em particular que conta com muitas cenas de morte, usando-se da trilha suave de que falei e de cortes rápidos dando um ritmo frenético ao momento relatado, enfim, é uma decisão acertada, servindo de base para as decisões morais de Katniss ao lidar com a morte de uma personagem que a auxilia. Mas a sobrevivência é um instinto básico do ser humano e Katniss não abre mão disso, como também nos não abrimos mão dele ao nos vermos projetados na personagem central. Mas Katniss precisa também vencer fora da floresta, uma vez que se encontra num reality show, e o poder da imprensa e opinião pública tornam-se vitais. Mesmo que para obtê-lo ela tenha que dizer que sente aquilo que não sente, uma vez que ela precisa conquistar a vitória sob os olhos de quem faz daquilo um espetáculo.


É no final que o filme perde um pouco a sua força, surgindo ameaças armadas pelos produtores do programa que perdem um pouco de sua dramaticidade ao sabermos para qual do lado eles pendem. Outro momento forçado é o do, eu diria, “vamos comer o fruto proibido”. Ou Katniss tem uma moral de ferro ou é altamente experta para prever a atitude dos produtores do jogo. O filme também carece de detalhes sobre o seu mundo, não tornando obrigatória, mas remetendo que se trata de uma adaptação de um material literário. Em suma, é um ótimo filme, que se sustenta por seus personagens e seus conflitos, não tendo pressa pra contar a sua história, não foge da natureza política da trama, e não abre mão de estabelecer um conflito romântico triangular no desfecho e uma promessa de um conflito ainda maior.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012 às 19:38 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Como virou moda em Hollywood dividir livros em adaptações. Depois da decisão de partir Harry Potter e as relíquias da morte em duas partes no cinema, a saga crepúsculo recebe esse mesmo tratamento, e, de maneira surpreendente, O Hobbit. Este último irá ganhar três filmes, apesar de o livro não render tanto. O próprio Peter Jackson irá inflar a trama com novos personagens e sabe-se lá mais o que. Novamente o que eu escrevi no post sobre O Espetacular Homem Aranha toma forma: repetir a fórmula de sucesso de olho no resultado financeiro. Mas até onde isso pode dar certo? É obvio (pelo menos pra mim), que o epílogo de Harry Potter poderia ter sido um só filme, mesmo que fosse de três horas. A síntese e os cortes são fundamentos básicos do cinema que funcionam para adaptar obras com grande volume, seja de páginas ou de trama. Porém, o que diferente no meio dessas adaptações é que O hobbit vai fazer o contrário: encorpar o filme, sendo que o livro, presumo, parecerá uma síntese do longa, que lhe é sucessor. Não sei se me alegro ou me assusto diante disso.

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Peter Jackson conseguiu dar luz a três memoráveis filmes, com início, meio e fim satisfatórios, que funcionam bem por si só, tanto é que nem sei dizer qual é o meu preferido. Eu poderia simplesmente pegar qualquer um pra rever sabendo que sairia satisfeito no final. É um resultado difícil de obter em se tratando de trilogias. Mesmo O Poderoso Chefão conta com um terceiro capítulo que empalidece (apesar de ser ótimo) perto dos outros dois. Mas me pergunto se Jackson conseguirá repetir isso em sua nova trilogia que irá estrear na sombra da trilogia anterior até que consiga tomar forma por si. Não quero ser pessimista, pelo contrário, uma vez que temos motivos para ter esperança de que serão ótimos longas: tem ótimo elenco para lhe dar vida, um ótimo diretor para lhe dar forma, um equipe igualmente talentosa por trás das câmeras. Mas espero que Jackson consiga conjurar o espírito que transformou O Senhor dos Anéis num filme memorável, que transmita o tom adequado para compartilharmos de sua apreciação sobre o material. É ai que entra a necessidade de incluir muitos detalhes e criações do diretor. Não tornará a trama muito inflada, uma vez que se trata de um livro não tão extenso, e principalmente, não se tornará artificial ao incluir detalhes? Será que conseguirão ser filmes que funcionarão independentemente? Lembre-se que se trata de uma história recortada em três partes. Eu confesso não ter lido o livro, mas, mesmo sabendo ser Tolkien um detalhista nato, temos um livro com início, meio e fim; este terá que gerir três longas, cada um de três atos. Como disse, não li o livro e pretendo fazê-lo até assistir o filme, mas será que ele rende tanto “pano pra manga” ou teremos que engolir um monte de “enchessão de linguiça”? Em se tratando acima de tudo de fã de cinema, desde que a “enchessão de linguiça” funcione de maneira orgânica e lógica dentro do longa, estarei desde já satisfeito.

Para finalizar, só quando o filme estrear que poderemos saber, mas esperarei pacientemente e com um friozinho na barriga, o mesmo que sinto quando algum diretor que gosto se envolve num projeto que outros menos talentosos poderiam estragar. Mas, mesmo com um pouco de medo, eu confio em Peter Jackson. “#In Jackson we trust”

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 às 10:49 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



Que dizer deste belo filme de Steve Mcqueen? Soa como um misto de Closer com Taxi Driver, no melhor estilo Dogma 95 (quebrando algumas regras deste, sim, é verdade, mas usando as que emprega com uma maestria e dramaticidade incríveis).

às 10:24 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O meu livro favorito do falecido professor de astronomia Carl Sagan é “Contato”. Seu primeiro e único romance, tem como enredo a fascinante história sobre a busca de inteligência fora da Terra, contando com realistas relatos de como tal descoberta se configuraria no imaginário humano moderno.



A história é protagonizada por Ellie Arroway, uma jovem que desde cedo ficou órfão do pai. Sendo cientista, dedica sua vida à busca de contato com seres inteligentes no universo através de radiotelescópio. Entretanto, o trabalho de Ellie é comprometido pela falta de credibilidade com os demais cientistas, governo e investidores, os quais não vêem aplicação prática em seu trabalho. Porém Ellie descobre um sinal supostamente vindo das proximidades da estrela Vega, sinal este que, uma vez decifrado, revelou-se sendo um projeto de construção de uma espécie de máquina que conduziria um grupo de seres humanos para Vega. Além de contar com uma protagonista que inspira admiração pela complexidade que Sagan a relata, eu diria, do modo quase autobiográfico, com a dura perda do pai, difícil relacionamento com a mãe e padrasto, dificuldade com relacionamentos amorosos, intelecto aguçado, enfim. Não que Sagan apresentasse todas as características citadas, mas a maneira como a ciência instiga intelectualmente a personagem, sem dúvida, é reflexo de anos de experiência na área e que só pode ser transmitido por um profissional dedicado e dotado de profundo respeito pela profissão. Mas Contato também é a oportunidade de confrontar argumentos céticos e religiosos de maneira hábil, reconhecendo que nem um nem outro é capaz de contemplar o Universo plenamente, mesmo sabendo que um o faz melhor que outro, que a análise científica conduz resultados mais palpáveis e mesmo mais importantes para a humanidade. A ciência é consagrada e devidamente valoriza pela pessoa que mais lutou para que fosse amplamente difundida. Mas a fé também recebe o seu valor fundamental na história de Sagan, e mesmo quando um pastor de grande apelo ao público e dotado de sinceras boas intenções reconhece incapaz de responder a dadas perguntas científicas, constatamos o quanto sua crença é mais de explanação subjetiva e menos de explicação do todo. Não perde o seu mérito de poder representar um apelo positivo, mas nunca poderá tomar o lugar da ciência na visão de mundo que esta conduz. Mas fé e ceticismo se confundem nessa singular história, quando o contato se estabelece a minúcia com que a situação é relatada e esmiuçada não é menos que memorável. O apelo emocional que estabelece também é um dos pontos altos, eu diria a principal lição que Sagan deixa de herança aos que seguem até o final de seu enredo rico em detalhes.


Divulgação da ciência, apresentação do ceticismo científico aplicado na vida, emocionante relato sobre a condição humana, enfim, todos esses conceitos se aplicam ao livro de Carl Sagan, que merece ser redescoberto em uma época que clama por um maior contato com a leitura e, principalmente, com o pensar cético.




 

 

 

 

domingo, 5 de agosto de 2012 às 22:05 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
“Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor!”

às 20:51 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
Grande papel de Robert De Niro, em numa atuação soberba e nunca mais esquecida pela história do cinema, interpretando Travis Bickle, um motorista de táxi que, para a sua ruína, conhece como a palma de sua mão uma Nova York suja, drogada e prostituída, assim ficando embriagado por esse mundo, ao mesmo tempo que percebe sua impotência diante deste.

sábado, 4 de agosto de 2012 às 00:30 Postado por Gustavo Jacondino 2 Comments

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Sem dúvida que o filme de Nolan deixou forte impressões no público que o assistiu. Não raro surgem relatos de aplausos nos cinemas ao término do longa, críticas bem favoráveis (outras não tanto), mas enfim, apesar de seus defeitos, que existem aos montes, é um filme que apela à catarse para dar certo, provocando a aprovação imediata pela eficiência do elenco em interpretar as nuances do roteiro não menos que grandioso dos Nolan. A escala do filme também impressiona, contribuindo para arrebatar o espectador. Há muito não se via um filme produzir tal efeito, de um filme de ideias bem construídas com sequências magistralmente montadas, ficando na memória não somente como um meio de escapismo e diversão. Todavia, ele não é perfeito. Nada é perfeito nesse mundo.

Em termos de roteiro, surge perguntas, como:

  • A própria consequência do ato final do segundo filme e a informação de que uma lei foi criada inspirada em Dent, que nada mais é do que uma lei que praticamente tira os direitos dos cidadãos considerados bandidos, não é uma forma de severidade política quase totalitária aplicada em Gothan?

  • Bruce Wayne, tanto no segundo capítulo como nesse terceiro, mostra que decide sobre aquilo que pode ou não ser divulgado em termos de tecnologia a fim de proteger Gothan. Parece que ele detém um monopólio tecnológico dentro de Gothan, evidenciando que o roteiro o coloca como o seu único salvador.

  • A própria influência de Bruce Wayne não se restringe ao domínio tecnológico ou de vigilante, mas também suas atitudes de ajuda ou omissão filantrópicas, como somos informados no início do filme, podem ter graves consequências. Gothan depende por demais de Bruce Wayne, e em diferentes aspectos, é o que transmite o roteiro dos Nolan. Por mais inspirado em quadrinhos que seja, o fato dos cidadãos de Gothan não poderem tomar suas próprias decisões em detrimento de um poder concentrado nas mãos de poucos, por mais bem intencionados que sejam, soa politicamente perigosa.

  • A maneira como Blake descobre a identidade do herói é, no mínimo, bem estranha, e a maneira como Batman se revela a Gordon no final se mostra igualmente pouco cerebral, a não ser se supormos que Gordon já desconfiava da identidade de Batman (algo que não parece, devido a surpresa que ele tem ao descobrir).

  • O segundo ato do filme, marcado pela ausência de Batman, é também marcado pela sequência em que Wayne se encontra numa prisão. Ao descobrirmos que uma criança foi capaz de deixar a prisão, simplesmente porque lá nasceu, e Bruce, recuperado e já mais forte fisicamente, não o consegue, necessitando de uma força moral-espiritual de pseudo-filosofia, é um artifício pouco complexo do roteiro, que funciona unicamente pelo empenho empregado por Bale.

  • A maneira como Bruce retorna à Gothan é um mistério que eu gostaria de saber.

  • A ausência da menção do curinga também me incomodou um pouco.

  • A cena de Gordon e alguns dos policiais de Gothan sendo obrigados a andar no gelo, sendo que um indivíduo sozinho conseguiu dar uns poucos passos para o gelo partir, e vemos Gordon e seus companheiros dando vários passos, para surgir depois Batman, aparentemente também pisando no gelo, e este não quebra, isso sim é fantástico.

  • A ideia de toda a polícia de Gothan simplesmente presa no subsolo da cidade, e ainda por cima recebendo mantimentos dos capangas de Bane, devo dizer, goza de igual caráter fantástico.

  • A batpod deve ser bem fácil de dirigir, já que a mulher-gato o faz com maestria fantástica já na primeira vez em que pilota.

  • A facada que Batman leva por determinada personagem, para depois simplesmente agir como se nada aconteceu, é mais um fato fantástico do qual somos privados de qualquer explicação racional.

  • A maneira como Marion Tate se revela ao final do filme e sua morte aproveitam pouco de Marion Cotillard, que de gordurinha a mais no meio dos personagens acaba se revelando nos 45 do segundo tempo.


Enfim, longe de querer ser um estraga prazeres ou mais um que acha defeitos, penso que sempre é bom refletir sobre aquilo que assistimos, e no caso do excelente Batman, temos que ter em mente que sua história apresenta, sim, alguns furos e suas posições políticas são bem ambíguas. O que é melhor, uma verdade confortante mas falsa, ou uma verdade dura, porém genuína? O que é melhor, dar ao povo o poder de escolha, e os meios de informação para tomar decisões sensatas, ou manipular a opinião pública, mesmo que seja na melhor das intenções (sempre o é). Esse último aspecto é uma importante constatação proveniente da análise do roteiro, e seria um ponto positivo, não fosse ela um mecanismo para que pudéssemos admirar o caráter  altruísta do Batman, uma vez que muitos ditadores começaram como Batman.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 às 22:44 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
É difícil não olharmos para esta reinvenção do mais popular herói da Marvel e não traçarmos uma comparação daquela aventura muito bem dirigida por Sam Raimi há dez anos.

às 21:46 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
Emoção. Essa é a palavra que melhor define o capítulo final da trilogia do cavaleiro das trevas que Nolan deu início em 2005 ao projetar a origem do Batman nas telas, passando pelo segundo capítulo do devastador Curinga ,que tentou roubar a esperança do povo de Gotham, e teria conseguido caso o cavaleiro das trevas não tivesse salvado a imagem do cavaleiro branco, tornando- se, assim, maldito.

às 14:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



O filme de Ridley Scott pode não agradar a todos que esperam um grande filme de ficção científica, mas o seu ritmo, os belos quadros que o acompanham e o seu simbolismo, além de performances muito boas, lhe garantem um lugar privilegiado na história do cinema moderno.