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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 às 15:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


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 Em 2089 uma equipe de cientistas viajam através da nave Prometheus até um planeta distante baseados nas escavações de Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) em cavernas, que encontraram padrões nos desenhos que aparentemente apontam para um lugar específico do Universo, de onde extraterrestres podem ter partido para criar a vida humana na Terra.

às 15:04 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Os momentos mais importantes da nossa vida são os primeiros. A influência que as impressões que a infância nos deixa de herança são a semente da nossa definição como seres humanos. Nesse sentido, “Árvore da vida” discorre sobre isso de uma maneira tal que promove um estudo sobre o ser humano enquanto estrutura que se forma física e psiquicamente. Contando a história de Jack O’Brien (Sean Penn adulto; Hunter McCracken na adolescência), filho mais velho do Sr. O’Brien (Bradd Pitt) e sua esposa (Jessica Chastain), que vivem numa cidadezinha do Texas durante a década de 50, e dos irmãos R.L. (Laramie Eppler) e Steve (Tye Sheridan), Jack cria um laço mais estreito com o primeiro, que tem a morte citada ao início do filme.

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Terrence Malick capta suas imagens de maneira a focar em detallhes como mãos, olhares, angulos baixos, planos tortos e ângulos inusitados, construindo seu filme com o que parece serem fragmentos de lembranças dos seus personagens, principalmente de Jack. E ao buscar diferenciar a ‘natureza’ da ‘graça’, dando à primeira a característica de ser fria e egoísta, ao passo que a segunda se estabelece como generosa cheia de dádivas, Malick vai corroborar para que possamos concluir que uma está presente na outra, pois ao ter que confrontar a dor da perda de seu filho, a personagem de Jessica Chastain nos faz ver não só o significado da compaixão, mas sim de onde ela surgiu. Com sequências lindas do Big Bang, da formação do Planeta e do surgimento da vida, podemos presenciar a gênese da compaixão presente em dois seres pré-históricos que de certa forma acabam por ir de encontro ao puro extinto e questionar o seu papel com o outro. E quando vemos um meteoro atingir a Terra e que causará a extinção dessa espécie em particular, podemos refletir se o ato de compaixão demonstrado não é algo constante dos seres dotados da capacidade de viver, independente da espécie que pertencem. Pois essa é a única segurança e aconchego que temos num Universo que acabamos de presenciar a formação: o outro. Viver e ter a capacidade de amar se constitui na maior dádiva que a natureza nos concedeu em milênios de evolução. Quanto a presença de Deus e propósitos específicos e metafísicos da vida, essa considero ser uma criação humana muito subjetiva para a leitura daquilo que nos rodeia.

A simbologia de Malick atinge objetivos religiosos bem específicos, mas que também louva a ciência, como na cena em que a mãe irá dar luz ao seu filho e vemos uma criança sair de uma casinha debaixo d’agua, remetendo a origem aquática da célula primitiva já mostrada anteriormente pelo cineastra.

A maneira como Malick contrasta dois mundos diferentes para Jack se estabelece quando o vemos adulto, rodeado por ambientes geométricos que exprimem a sensação de vazio e inexpressividade pela quase ausência de elementos de decoração e por um ar sempre formal. Em contrapartida as passagens que envolvem a sua infância surgem com a ambientação que mostram calor humano, do quintal, às histórias contados por sua mãe, a exploração dos ambientes que empreende na companhia de outros garotos, até a criação que seu pai lhe imprime. Esta tem uma importância fundamental através do constaste que proporciona, remetendo às definições de ‘natureza’ e ’graça’ anteriormente citadas. Enquanto sua mãe é doce, gentil, amável, o pai é duro, severo, exigente e punitivo. Um representa as belezas do mundo e aquilo que pede admiração e amor, devolvendo-os em dobro. Outro representa as durezas do mundo, a luta contra a própria destruição e a vontade do auto-crescimento a fim de se estabelecer como ser diante de tudo que vai contra isso. Na minha visão, enquanto uma vem da capacidade de admirarmos e compreender o mundo, do nosso contato e compreensão da natureza, a segunda se encontra mais presente na sociedade construída através do tempo, através da afirmação do indivíduo e da necessidade de sobreviver às intempéries da sociedade de consumo. Posso complementar dizendo que essa estrutura social construída pelo ser humano encontra paralelo na própria vida na natureza, que sempre cobrou de nós (mais de nossos ancestrais  sem dúvida) a capacidade de enfrentar adversidade, oponentes mais fortes e adaptação ao que estava por surgir. Mas as duas maneiras de viver se completam, não se vive uma sem sentir falta da outra. Malick nos aconselha então que valorizemos a descoberta, a curiosidade, o amor. Dessa maneira a plenitude da vida será atingida fazendo uso de todas as ferramentas que a natureza nos entrega para que possamos viver. E descobrindo isso, Jack é capaz de olhar para o seu mundo frio e enxergar um lampejo de esperança. Quiça possamos também fazer o mesmo.

The Tree of Life, 2011

Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Diretor de fotografia: Emmanuel Lubezki

Compositor: Alexandre Desplat

quinta-feira, 11 de outubro de 2012 às 12:15 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Festival de Cannes, 1960. O filme vaiado pelo público será o que receberá celebrado por influentes críticos e cineastras por meio de uma declaração e apontado como segundo melhor filme já feito pela revista Sight & Sound três anos depois. “A Aventura” estabelece o já consagrado Michelangelo Antonioni e é o seu divisor de águas tanto para sua carreira como para o cinema. Então vamos a ela: um grupo de romanos burgueses resolve ir para um cruzeiro, parando numa pequena e desolada ilha rochosa para uma tarde de ócio, até que Anna (Lea Massari) desaparece, a quem somos apresentados ao início do filme, junto de sua amiga Claudia (Monica Vitti) e de seu namorado Sandro (Gabriele Ferzetti), com o qual tem uma problemática relação que é sugerida.


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Aliás, em “A Aventura” tudo é simplesmente sugerido, como o tubarão e o barco misterioso que aparecem em dado momento em cena, que podem servir de possíveis explicações para o desaparecimento de Anna. Esta inclusive inventara que vira um tubarão, terminando com a tarde de banhos dos amigos e demonstrando que algum sentimento indeterminado que varia entre insatisfação, monotonia, tudo com alguma culpa atrapalhava o relacionamento com Sandro. Se inventara ou não o tubarão, se fora pega por ele ou não, se fugira para realizar o seu desejo de estar sozinha e longe de Sandro ou se fora raptada por extraterrestres, enfim, não importa e nem essa é a preocupação de Antonioni. Naquele ponto esse já havia estabelecido as pessoas pelas quais teria o interesse de estudar ao longa da narrativa, e o posterior romance que se constrói de maneira intensa e vívida por Claudia e Sandro é a cereja do bolo, que já fora sugerido pelo plano da janela em que Anna, no apartamento de Sandro, se deita em sua cama e vemos Claudia a olhar da rua e Sandro reagindo com o fechar da cortina. Interessante notar que antes do desaparecimento de Anna e pouco depois desse fato, não acreditamos que ali irá surgir uma paixão, pois ela é construída aos poucos de uma maneira autêntica e cadenciada que só Antonioni poderia conceber.


Dessa forma, a busca desesperada por Anna vai se transformando em um amor culpado vivido por Claudia, e é instigante vermos como a culpa caminha de dentro para fora. Quando esta já se rende ao romance com Sandro, numa maravilhosa sequência filmada por Antonioni vemos que a culpa de Claudia agora se apresenta sob os olhares de desejo e curiosidade vindos dos homens que lhe rodeiam. E haja homens para fazer aquela cena do retrato subjetivo de uma alma atormentada pelo desejo de ter aquilo que não é seu. Por essa razão a busca por pistas de Anna se converte numa descoberta sexual pelo casal, uma desculpa para se conhecerem e viverem a paixão, tanto que não mais esperam encontrar a desaparecida, mas unicamente encontrar um espaço para viverem juntos.


Curioso fato que permeia “A Aventura” é sua semelhansa com “Psicose” por apresentar na premissa o elemento da “protagonista” que morre no meio do filme. A sempre interessante inversão de expectativas. Poderíamos traçar paralelos com “A Doce Vida”, que encontra também a sua equivalente estrela de Anita Ekberg do filme de Fellini, na pele da escritora interpretada por Dorothy De Poliolo. Curioso o fato, uma vez que as três produções datam de 1960.


É notável perceber o realismo conseguido por Antonioni através do olhar perdido e gestos fúteis de seus personagens, que ele insiste em filmar, tornando simples sequências em longos momentos de introspecção e verdade que nenhum filme dogma 95 seria capaz de retratar. Podemos muitas vezes, ao assistir ao “A Aventura”, pararmos para pensar na vida e nos perdermos nos olhos de Monica Vitti, como eu fiz em vários momentos, mas terminamos por reconhecer na traição de Sandro a quebra de uma promessa, e no perdão de Claudia a esperança no feminino que pode resistir ao advento da burguesia, das horas preenchidas por ócio, de fraudes e do sexo fácil. Mas podemos temer que Claudia possa partilhar de sentimentos similares aos de Anna no início do longa.


L'Avventura, 1960


Direção: Michelangelo Antonioni


Roteiro: Michelangelo Antonioni, Elio Bartolini, Tonino Guerra


Produção: Cino del Duca 

às 12:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O cinismo mordaz de Billy Wilder, que por sinal encontra paralelo com os personagens aqui retratados, é a força motriz deste clássico que se mantém atual até hoje, e provavelmente sempre será atual não importa quanto tempo a humanidade durar, uma vez que os sentimentos ali trabalhados são universais e a muito arraigados pelos seres humanos. Isso e muito mais podemos concluir da história de Joe Gill (William Holden), um roteirista desempregado que se vê obrigado a narrar as circunstâncias que levaram a sua morte, resultado de um relacionamento com uma megalomaníaca e ex-estrela do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson).


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De cara o roteiro já estabelece a personalidade de cada personagem dentro da trama, levando o malfadado Joe Gill a encontrar na sua crítica interpretada por Nanci Olson o sepultamento de seu sonho de fazer sucesso em Hollywood e no encontro com Norna Desmond a estranha, assustadora e ao mesmo tempo cômica chance de ter todo o glamour que buscava, mas desta vez vindo de um passado que já estava sepultado.


A composição das cenas que nos mostram o interior da mansão em Sunset Boulevard consiste maravilhosamente numa mescla de climas, do decadente ao gótico, sempre com o toque insano e que flerta com o terror, não é a toa que a figura do mordomo careca e aparentemente frio que esconde um segredo me pareça algo tão orgânico a esse gênero. Me refiro ao personagem de Erich von Stroheim, o grande protetor de Norma Desmond e também, a propósito, fora seu primeiro marido.


Recheado de frases memoráveis (“Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.”), “O Crepúsculo dos Deuses” também conta com atores que fazem completamente jus a sua metalinguagem e crítica a Hollywood, uma vez que Norma Desmond, a atriz ultrapassada é interpretada por Gloria Swanson, também uma atriz nesse estado de carreira (e confia plenamente na sanidade de Swanson em sua vida pessoal na época em questão), que em dado momento do longa é levada a assistir um filme mudo (Queen Kelly - 1920) do qual ela estrelara na vida real, sob a direção de Erich von Stroheim, filme traumático para ambos devido ao desastre gerado para suas careiras. Contando também com as presenças dos “bonecos de cera” Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson, Cecil B. DeMille interpretando a si mesmo, que aos olhos de Wilder parece estar a um passo da decadência protagonizada por sua amiga. O olhar incisivo de Wilder lhe rendeu uma boa história.


Contado com um final de cunho sombrio e ao mesmo tempo presenteando sua protagonista com mais uma chance de flertar com as câmeras, que é sugerida na nostalgicamente sensível cena do interior do estúdio da Paramout com DeMille, a loucura de sua de Norna Desmond (“Ninguém dá as costas para uma estrela”) não depende só dela. Hollywood e os meios de comunicação contribuem para que pessoas assim se tornem, e Wilder teve a coragem de dizer isso aqui, como teria coragem de dizer em outras oportunidades (“A Montanha dos Sete Abutres”).


Sunset Boulevard,1950


Direção: Billy Wilder


Roteiro: Charles Brackett /Billy Wilder / D.M. Marshman Jr.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012 às 15:13 Postado por Gustavo Jacondino 1 Comment

É impossível assistir a Mad Max sem perder o folego. De cara já somos apresentados a uma sequência tomada de inspiração técnica e olhar apurado parte de George Miller. E é assim o filme inteiro. Max Rockansky é um policial corajoso e extremamente bem treinado, como podemos concluir na resolução da sequência inicial, em uma Austrália pós-apocalíptica em que a sociedade se encontra em deterioração, tomada de violência, uma sociedade que 'não acredita mais em heróis'. Porém, quando sua família é destruída por motoqueiros sádicos, Max não terá de ser um herói que esta decadente sociedade carece, mas simplesmente fazer justiça, resolver a sua vendeta.

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Estabelecido o clima de rooad-movie-pós-destruição na referida sequência inicial, descobrimos que de fato Max se trata de um pai de família que aparentemente acredita que alguma ordem ordem pode ser estabelecida em seu meio, não se surpreendendo quando é ameaçado após matar um conhecido bandido. E os poucos policiais que aparecessem no decorrer do filme parecem compartilhar de tal idealismo por simplesmente se entregarem àquela tarefa numa terra destruída e quase sem esperança. Eu disse quase, e é compreensível que Max queira contribuir para criar um ambiente mais favorável, uma vez que tem um filho, e não irá querer vê-lo crescer num lugar daqueles.

A sonoplastia do filme é arrasadora ao colocar ensurdecedores barulhos de motor, que aliados à maravilhosa filmagem, faz com que cada vez mais fiquemos inseridos no longa.

O clima bárbaro estabelecido pela trupe de motoqueiros consegue realmente se estabelecer como uma 'inspiração pré-tarantinesca' de bela execução imagética na cena em que perseguem um rapaz e sua namorada, seguida da destruição do veículo e dos gritos da moça.

Um dos elementos que torna convincente a trajetória do anti-herói é o seu choque em relação ao destino do amigo também policial, e se Max se sente abalado de ver seu colega naquele estado, sente-se igualmente chocado em imaginar-se em seu lugar. Entre ser um 'herói' e cuidar de sua família, Max escolhe sua esposa e filho. E a bela dinâmica do estreante Gibson e da bela Joanne Samuel só faz com que o trágico peça uma vingança inevitável. E os ideias de justiça não se aplicam num mundo sem lei. Engraçado que após o ocorrido, a sequência em que Max avista sua roupa de coro e sai com seu caro (desta vez sugestivamente de cor preta), lembra uma abordagem de herói de quadrinhos, apesar de não de aplicar ao personagem, que trilha o caminho de um anti-herói com causa.

Tão envolvente quanto o início, o final do filme só nos faz olhar para o desejo de justiça de Max e tentar imaginar o que será dele agora. Até aqui temos um homem com uma família destruída sozinho numa estrada.

Diretor: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Tim Burns, Roger Ward

Produção: Byron Kennedy

Roteiro: James McCausland, George Miller, Byron Kennedy

Fotografia: David Eggby

Trilha Sonora: Brian May

Duração: 93 min.

Ano: 1979

País: Austrália

Gênero: Ficção Científica

Estúdio: Kennedy Miller Productions / Crossroads / Mad Max Films

às 15:10 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Nesse vídeo temos a descrição do desenvolvimento das roupas utilizadas pelo personagem Batman no decorrer de suas adaptações, partindo da fábula gótica de Tim Burton, passando pelo desfile de de carnaval de Joel Schmacker, até chegar na armadura de 'batman begins' e a sua versão melhorada em 'O cavaleiro das trevas'.





às 15:06 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Aos que amam ou tem curiosidade sobre a arte magnífica de fazer cinema, nada mais inspirador do que ver um filme por trás das câmeras. E nada mais satisfatório do que postar para o motivo em questão um vídeo de um dos filmes mais importantes dos últimos tempos, que além de representar um novo paradigma para as adaptações de quadrinhos, é um filme que trabalha suas ideias de maneira rente à perfeição, senão já perfeita. Curtam o tanto quanto eu curti alguns momentos dos bastidores de 'O cavaleiro das trevas'.





às 14:56 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Do diretor Zack Snyder e do produtor Christopher Nolan, temos para dar um gostinho um belíssimo teaser  do novo longa do superman. Reparem na preferencia pelas paisagens rurais, conferindo um realismo que eu espero ver no filme, ao exemplo do clássico de Richard Donner. E que dizer do garotinho vestindo um lençol vermelho? Superman é um mito e merece mais um filme a sua altura.

 





às 14:53 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

'Terror em Silent Hill 2' (Silent Hill Revelation 3D) ganhou seu segundo cartaz.


A distribuidora Open Road lançará o filme nos EUA dia 26 de Outubro, próximo ao Halloween.

No Brasil, o terror segue sem previsão.

 

 

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às 14:45 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments




'The Collection' longa de terror dos roteiristas de 'Jogos Mortais'

'The Collection', roteirizado por Marcus Dunstan e Patrick Melton (dos quatro últimos 'Jogos Mortais'), divulga seu cartaz.

Parece que é uma de sequência de 'O Colecionar de Corpos' (2009).

A julgar pelo trailer, lembra um pouco a série Albergue e, apesar de não ter assistido 'O Colecionar de Corpos', parece bem interessante e pode provocar 'agradáveis' sustos.



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terça-feira, 25 de setembro de 2012 às 11:08 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

É interessante como a mão de um diretor define o material e o seu foco. Entre fazer um filme de terror com toques dramáticos, o foco desse projeto, e a presença de Walter Salles se faz importante nesse sentido, é a de fazer um filme de construção dramática, com toques de terror, sendo que os elementos sobrenaturais inerentes a esse tipo de terror tem uma explicação alternativa de cunho psicológico. A história discorre sobre  Dahlia, uma mãe que tem que lidar com o divórcio do marido e a luta pela guarda da filha Ceci. Acaba por alugar um apartamento barato com problemas de encanamento, o que inexplicavelmente acaba ocasionando à Ceci a presença marcante de uma 'amiga imaginária'.

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Jennifer Connelly é excepcional com personagens de forte construção dramática. A sua Dhalia tem elementos dramáticos da infância que vão encontrar respaldo em muitas de suas atitudes no presente e que irão casar com a resolução do filme e com a 'amiga imaginária' de Ceci. Connelly é muito realista nessa construção e comove realmente ao ver que trata e educa sua fiha da maneira como nunca foi tratada por sua mãe, transcendendo toda a perturbação que disso poderia surgir.

As locações mostram uma espécie de submundo Nova Yorkino, num paleta de cores desaturadas evidenciando a pobreza. O design do som dá enfase aos 'ruídos de objetos', como as goteiras, o bonde, máquina de lavar, elevador, que constitui praticamente uma trilha sonora. Destaques para os cortes secos em alguns momentos e os corredores, tanto da escola como do condomínio, que por vezes se confundem, sem que saibamos ao certo onde  Dhalia está de fato até que tenhamos visto um elemento do cenário. Nesse sentido Salles mostra conhecer bem os clássicos 'Bebê de Rosemary' e 'Repulsa ao Sexo', marcantes histórias ocorridas em ambientes fechados de apartamentos. E como não lembrar de 'O Iluminado' na cena do banheiro, que temos, sim, um plano kubrickniano no arrombamento da porta e na visão da 'amiga imaginária', marcada pelo casaco vermelho, assim como o garotinho do filme de Kubrick, elemento que este último usou para conferir cores quentes aos ambientes fechados. Sem contar que as câmeras altas e um posterior close no olho me fez imediatamente lembrar de 'Psicose', independente de ser ou não a intensão do diretor.

Mas o filme de Walter Salles não e de todo perfeito. Ora, vemos uma cena em particular que nos leva a achar que certas presenças desagradáveis no condomínio são estão lá por influência do  marido de Dhalia, que com isso tentaria deixá-la louca a fim de ter a guarda de sua filha. Porém, esse é um elemento sobre o qual a sua veracidade se encontra na própria cena, e não duvidamos dela, unicamente somos levados a questionar se Salles não coloca ali elementos para tornar sua trama realista por demais. Afinal, é um filme de terror, vendido dessa maneira, e seu lado sobrenatural, mesmo após o seu desfecho, pode sim ser interpretado como consequência psicológica, o que enfraquece o terror em si.

Enfim, quem não se incomoda em assistir um filme rico em construção dramática, com belas atuações, Jennifer Connelly se destacando como sempre, tem nesse longa uma maravilhosa diversão. Porém fãs de 'O Chamado', 'O Grito' e outras obras do gênero, infelizmente, poderão se sentir entediados.

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Diretor: Walter Salles

Elenco: Jennifer Connelly, Ariel Gade, Shelley Duvall, Perla Haney-Jardine, Camryn Manheim, Pete Postlethwaite, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray Scott.

Produção: Doug Davison, Roy Lee, Bill Mechanic

Roteiro: Rafael Yglesias

Fotografia: Affonso Beato

Trilha Sonora: Angelo Badalamenti

Ano: 2005

País: EUA

Gênero: Terror

às 10:54 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Na onda dos blockbusters que ainda não estrearam, no caso deste Looper, de Rian Johnson,  acontecerá em 28 de setembro no Brasil, a história que se passa em um futuro próximo onde viagens no tempo serão possíveis porém proibidas, uma máfia de assassinos denominados pelo título do filme fazem uso desta para destruir as pistas de seus assassinatos, aparentemente enviando as vítimas ao passado. Porém, um desses assassinos, Joe (Joseph Gordon-Levitt), recebe a visita de seu eu do futuro (Bruce Willis), tendo que lutar contra si mesmo a fim de não ser vítima de seus próprios métodos. O potencial do história é bem grande, como todas as histórias que envolvem viagens no tempo, e só confirma a boa fase na carreira de Joseph Gordon-Levitt.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012 às 21:50 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Já esperava ver o filme de Sélton Mello representando o Brasil na disputa para a lista dos cinco filmes que concorrerão ao prêmio de filme estrangeiro no Oscar 2013. É o que melhor retrata algo típico do Brasil, sem deixar de ser tocante e autoral. Pois concorreu com mais de 15 filmes brasileiros, entre eles "Heleno", de José Henrique Fonseca, "Xingu", de Cao Hamburguer e "Paraísos Artificiais", de Marcos Prado. O filme teve um público no cinema de mais de 1 milhão de pessoas e foi bem avaliado por boa parte da crítica.

A lista com os cinco indicados para disputar a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro só será conhecida em janeiro.A cerimônia do Oscar acontece no dia 24 de fevereiro. Além do filme brasileiro, outros países já indicaram seus fortes representantes, como a Áustria ("Amore"), a Croácia ("Cannibal Vegetarian") e a França ("Intocáveis").

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às 21:39 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

A interessantíssima história de uma dupla de ginecologistas rivais em constante disputa, principalmente motivada pelo amoral e ciumento Danko Babic tem como pano de fundo o submundo dos abortos ilegais que Babic  s vê obrigado a participar após um acidente que pôs em risco a vida de uma paciente. Mas antes que ele possa retomar a sua carreira e triunfar sobre seu rival, ele precisa cumprir um favor: Um aborto para uma mulher que está grávida. Esse é o interessante e instigante representante da Croácia para o Oscar.

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às 21:28 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

A dupla francesa Emanuelle Riva, 85 anos, e Jean Louis Trintignant, 81, interpretam em Amour um casal cheio de amor e cumplicidades. Porém quando a esposa adoece, toda essa estrutura de vida harmoniosa se vê abalada. Ao que parece procura tratar sobre sofrimento, comoção e até a própria morte, a deterioração pela velhice pretende ter aqui um alcance universal. O longa será o representante da Áustria para a disputa a fim de configurar na lista dos cinco filmes que serão indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

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às 21:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

A história de amizade entre um tetraplégico milionário e um imigrante senegalês, além de ser o filme mais visto do cinema francês dos últimos tempos irá representar a França no Oscar . Intocáveis, dos diretores Olivier Nakache e Eric Toledano foi anunciado como um dos concorrentes ao prêmio. Lembremos que "O Artista" foi o último vencedor do Oscar, e se tratando de uma produção francesa, só vem a evidenciar a boa fase da sempre lembrada e reverenciada franco-cinematografia.

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às 16:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 

Sean Penn, além de um ator incrível, vem demonstrando ser um igualmente incrível e competente diretor. Em seu “Na Natureza Selvagem” conta a história real de Christopher McCandless (Emile Hirsch), um jovem idealista que resolve realizar uma viagem até o Alasca, buscando viver isolado na natureza, procurando a essência de si mesmo.

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Seria fácil num filme desses perder o contato essencial entre expectador e personagem. Nesse contexto, os recursos narrativos de Penn se mostram eficazes desde o início do filme a fim de que possamos entrar no mundo interior de Christopher McCandless, para que as suas aventuras, motivações e coragem não soem artificiais. Pelo contrário, atrás da aparente segurança que Christopher apresenta no decorrer do filme, vamos sendo apresentados ao real motivo que fez com que um rapaz que poderia ter uma vida confortável e segura, ter construído facilmente uma carreira na área que quisesse, escolhe se desligar da sua identidade social, num niilismo subjetivo que anseia pela autodescoberta. Dessa maneira a narrativa em off de Christopher e posteriormente de sua irmã (que consegue ser bem tocante), só faz com que nos aproximemos daquela personalidade, tornando-se menos uma ideia e mais um ser humano real.

 

O uso da trilha sonora é um show a parte, principalmente nos seus temas de violão que regem a jornada de maneira tão sensível e envolvente.

 

As pessoas que Christopher McCandless vai encontrando no caminho o ajudam a perceber quem ele é ao demonstrar as suas fragilidades, sofrimentos e preconceitos. Cada ser humano anseia pelo que não tem, seja um filho que não se vê há anos, uma família que tragicamente se foi, um amigo para conversar. Christopher anseia em se descobrir, em se reconhecer a partir da negação das suas origens e na subversão do meio social. O que define um ser humano? A sociedade em que ele está inserido, a educação que recebeu dos pais, ou somos mais que isso? Ou melhor, podemos ser mais que isso? Pode o ser humano descobrir suas origens ancestrais e retornar a elas quando necessário?

 

O que de mais envolvente que se percebe na filmagem de Sean Penn é a maneira como procura valorizar e dar um sentido poético a cada plano, entremeando as sequências do filme com sobreposição de quadros sobre os outros e com belas imagens da natureza a dos ambientes experimentados por nosso protagonista. Mais no final do filme, com mais ou menos duas horas e dezenove de tempo, algumas transições de planos me lembra muito o Road- movie clássico “Easy Rider”, fora ouros elementos de filme de Dennis Hopper que poderiam servir de referência para o filme de Sean Penn. É difícil não sentir o contraste causado pela paisagem urbana quando ela surge no longa, e até mesmo o clima ameaçador que Christopher enfrenta em dado momento, quando é expulso de um trem por viajar ilegalmente, tornando sua aventura não apenas um grito de liberdade, mas uma ameaça às convenções e regras sócias, como também uma ameaça a si mesmo.

 

E se no decorrer do filme vemos um segurança e sabedoria que naturalmente não esperaríamos encontrar num garoto tão jovem, aos poucos vemos que tal situação não poderia durar tanto tempo. A natureza é essencialmente bela e imponente, mas ao mesmo tempo fria e imparcial, tornando tudo em sua volta seguidores de suas regras e súditos em seu Reino. Christopher compreende de verdade o significado da sua vida. Na verdade o significado que deu para sua vida, atingindo essa percepção num momento crucial, belo, tocante e ao mesmo tempo chocante. Enfim, somos capazes de entender a sua mensagem ao final do longa e, quiçá possamos todos nós aplicá-las nesse período limitado de tempo e recheado de sensações e escolhas que chamamos vida.

 

In to the Wild, 2007

 

Direção: Sean Penn

 

Produção: Sean Penn

 

Roteiro: Sean Penn

 

Fotografo: Eric Gautier

 

Compositor (músicas do filme): Eddie Vedder

 

terça-feira, 18 de setembro de 2012 às 11:09 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 


Wood Allen consegue nos transmitir uma importante visão sobre arte e conhecimento no seu “Meia Noite em Paris”. E concluir isso não é de maneira nenhuma enxergar mais do que o filme pode oferecer. Gil (Owen Wilson) é um roteirista frustrado de Hollywood que aspira ser escritor e viaja para Paris com sua mulher Ines (Rachel McAdams), convivendo com seus pais e amigos, mas inesperadamente acaba também se relacionando com seus escritores prediletos na Paris dos anos 1920.


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Patrick Wilson encarna o alter ego de Allen, pelo jeito afetado-apressado-intelectualizado de falar, pelo interesse puramente sexual pela esposa (não estou julgando a vida pessoal do diretor, mas unicamente reconhecendo que ele poderia ter feito a mesma coisa que seu personagem se tivesse na mesma situação. Se é que não fez no passado – presente, sei lá,eu também não resistiria aos encantos de uma Rachel McAdams), por ser um roteirista frustrado (imagino que Allen não seja tão frustrado e que nem venha a levar a literatura muito a sério como o personagem). Mas o que faz com que vejamos Allen na pele do personagem central é a melancolia pelo passado não vivido. Veja bem, o termo “não vivido” não pode ser interpretado em seu sentido literal, uma vez que apesar de não ter nascido na época em questão, e consequentemente não ter existido para os que lá existiram, viver uma época pode ser também pensar sobre ela e ser influenciado por pessoas que lá viveram através do que deixaram. Nesse sentido estamos vivendo a época dos nossos sonhos de maneira idealizada. Fazendo os retrocessos temporais que o filme sugere, da Paris dos anos 1920, até a Belle Époque de 1820, indo direto até a renascença, poderíamos seguir viagem, pulando toda a Idade Média das sombras, e fazermos uma parada na Grécia Antiga dos filósofos racionais e dos artistas. Porém, os grandes artistas da Grécia Antiga considerariam qual época a época de ouro? De acordo com a lógica do filme, somente quando uma pessoa tem a melancolia despertada por julgar uma determinada época a época de ouro é que ela consegue viajar para lá. Pois bem, no nosso atual cenário, para onde iríamos parar depois? Ao julgar pelas eternas referências que faz a arte e o conhecimento às épocas passadas, eu imagino que os gregos viveram uma época de transcendência do pensamento e da razão, uma vez os maiores expoentes da filosofia e ciência gregas não pareciam olhar para o passado e nem para um futuro, mas para um ideal de filosofia que busca a compreensão da realidade e da subjetividade (e na subjetividade). E é essa transcendência que eu julgo ser a transcendência criadora do conhecimento e da arte. Enfim, voltando ao filme, que não viaja até a Grécia Antiga como eu, mas que aprofunda sua viajem em camadas de três ou quatro níveis de realidade, tomando um quê de “A Origem”. 


 


E nessa viajem o próprio personagem começa a conhecer a si mesmo e a sua esposa (o fato de ele não perceber que ela o traía, precisando ser alertado por um personagem de existência física contestável é hilário, uma vez que qualquer expectador com um mínimo de atenção já percebera isso muito antes). Afundado numa subjetividade que encontra ao fim uma forma de expressão através de uma conversa com uma bela mulher, a caminhada na chuva e uma esperança de um futuro promissor como escritor, o longa de Wood Allen consegue ser mais que mais uma das suas comédias intelectuais-existenciais, mas uma visão deste sobre a própria insatisfação da vida por quem vive e da formação do conhecimento e concepção da arte.


 


Midnigth  in  Paris, 2011


 


Direção: Woody allen


 


Roteiro: Woody allen


 


Produção: Letty Aronson


 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012 às 16:31 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Nos primeiros minutos desse incrível filme de Jonathan Demme somos literalmente apresentados à Filadélfia ao som da bela canção de Bruce Springsteen, uma vez que a câmera passeia pela cidade roubando momentos da vida comum dos cidadãos no melhor estilo documental possível.

às 09:57 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Steven Sodenbergh é inegavelmente um cineasta interessantíssimo. Em Traffic isso se torna evidente. Inspirado na série britânica de TV Traffik (1989), Traffic acompanha uma série de histórias paralelas que expõe as diversas facetas do tráfico de drogas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012 às 11:06 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

No maravilhoso "Uma mente brilhante" de Ron Howard, John Nash recebe o prêmio NOBEL, e não um prêmio Noble. Esse erro tem justificativa? Assim fica difícil.
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sábado, 8 de setembro de 2012 às 13:45 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Em Cassino, o épico de três horas de Martin Scorsese que acabou ganhando a fama de ser um complemento do "Os Bons Companheiros", temos logo na sequência inicial uma substituição de Robert DeNiro por um boneco nada parecido com o astro. Mas com certeza é melhor que mandar o próprio DeNiro pelos ares. Apesar de Scorsese nos induzir ao erro nessa sequência...
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às 08:49 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Primeira publicação do novo tópico do Blog cultcomentário que será dedicada aos erros de filmes, tanto erros de montagem e edição como os de continuidade ou pequenos detalhes que passam despercebidos, como é o caso da foto abaixo. Trata-se do filme Gladiador de Ridley Scott, quando os gladiadores, sob o comando de Maximus, encenam a segunda derrota de Cartago em pleno Coliseu numa luta que envolve bigas. Em um dado plano, podemos ver uma espécie de cilindro no interior da biga, provavelmente um cilindro de gás usado para fazer com que a biga vire de lado através da propulsão do gás. Deixo vocês com a foto para conferirem da próxima vez que assistirem ao filme. Essa gafe foi tirada do livro “Falha Nossa – as maiores gafes do cinema”, de Cesar Kos, como serão também algumas das outras que postarei nessa categoria. Recomendo o livro e o link do site “Falha Nossa” . Espero que gostem, abraços.

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às 08:24 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Instigante é pouco para tentar descrever esse filme de Pedro Almodóvar. O grande cirurgião plástico Robert Ledgard (Antonio Banderas), após a esposa ter morrido carbonizada num acidente de carro, resolve desenvolver um novo tipo de pele mais resistente. Para tanto ele usa uma cobaia humana, Vera (Elena Anaya).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012 às 13:06 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Acima de tudo uma obra de grandiosidade visual, pena que em detrimento de seu conteúdo intelectual. Ben-Hur conta a história da amizade de Messala (Stephen Boyd) e Judah Ben-Hur (Charlton Heston), que termina numa falsa acusação de atentado ao governador romano e nas juras de vingança de Ben-Hur seguida da escravidão e uma “ajudinha” do destino, passando por encontrar um Jesus Cristo sem rosto que, na verdade, é o verdadeiro protagonista do filme.

domingo, 2 de setembro de 2012 às 10:52 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Mesmo com a possibilidade de fazer um filme sonoro, Chaplin decidiu ignorar a nova tecnologia em “Luzes da Cidade”, mesmo tendo acrescido efeitos e trilha sonora após as filmagens.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012 às 10:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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No início de sua projeção de cara somos apresentados ao decadente circo Esperança (com todas as interpretações possíveis que podemos dar a esta frase). O contraponto em que Selton Mello nos permite ver a decadência do circo é exatamente na subjetividade do palhaço Benjamin.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012 às 20:08 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Se Laranja Mecânica é um filme sobre violência, Apocalipse Now é sobre guerra e Todos os homens do Presidente sobre investigação jornalística, A Doce Vida é um filme sobre a trivialidade e futilidade. Na verdade, assim como os longas que usei como exemplo, é um épico sobre o assunto.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012 às 21:21 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” conta a história do jornalista Mikael Blomkvist (Craig), condenado por uma matéria escrita contra um empresário poderoso. Temendo prejudicar a reputação da revista “Millennium”, ele decide se afastar e é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Plummer) para investigar o desaparecimento de sua sobrinha ocorrido há 40 anos. Cercado pela estranha família Vanger, que inclui ex-nazistas e segredos pesados, Mikael acaba contando com o auxílio da hacker Lisbeth Salander (Mara), uma jovem problemática que encontra-se sob supervisão do Estado em função de seu passado.

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O filme de cara já nos apresenta um ritmo ágil de contar o seu prólogo, ao apresentar os personagens. Vem diminuindo seu ritmo após o seu envolvente clip musical, em que começa a estabelecer a trama policial e posteriores conflitos entre personagens, até o momento em que a dupla central de encontra e dá início a investigação. Uma improvável dupla de investigadores composta por um jornalista econômico acusado de difamação e uma hacker órfã. Dado o bom desenvolvimento que temos de ambos, é interessante notar que mesmo depois de o “mistério ter sido solucionado”, David Fincher nos entrega mais alguns minutos de sua projeção para que possamos acompanhar o rumo de seus personagens, uma vez que são estes que nos impulsionam a entrar nessa história, em especial Lisbeth Salander.

Tecnicamente, é interessante a maneira como as cenas são concatenadas dentro do longa, como aquela seqüência de perseguição de um carro por uma moto, demonstrando paralelismo bem estruturado entre os movimentos dos veículos e os seus respectivos destino ao final da seqüência. Apesar de cortes rápidos, a seqüência consegue ser completamente verossímil, inclusive na explosão que surge após o carro sofrer a queda, com a aproximação da personagem de Rooney Mara e o insistente pisca do carro, induzindo a interpretação de que uma faísca produzida pelo pisca é o resultado da posterior explosão.

Mais próximo do final vemos novamente a personagem de Rooney Mara comentar com seu “tutor”, enquanto jogam xadrez, que encontrou um amigo, do tipo que ele ia gostar. Após a fala, ela avança um peão, num plano bem privilegiado que temos do tabuleiro, permitindo prever uma possível “investida” pretendida pela personagem, a fim de que o “amigo” se torne “algo mais”, como o próprio roteiro já cansou de pontuar em diferentes momentos da trama.

Assim, apesar de um grande mistério por trás da já comentada investigação e de sua inusitada e surpreendente conclusão (e, porque não, emocionante), o que prevalece em Millenium são, acima de tudo seus personagens. E seu eu disse anteriormente que a dupla de investigadores era improvável, ao final percebemos o porquê, quebrando não só a ilusão alimentada por Lisbeth Salander, mas também como um interessante recurso de David Fincher para nos ajudar a sair de sua projeção e encarar o pragmatismo do mundo real, que inevitavelmente Salander terá de enfrentar também. Dessa forma, após a experiência vivida, saímos modificados, apesar de voltarmos ao nosso estágio inicial, onde tudo teve início (personagens e expectadores).

Direção: David Fincher

Roteiro: Steven Zaillian

Título original: The girl with the dragon tattoo, 2011

às 21:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Tem filmes que merecem ser lembrados eternamente pela sua importância política e social. É o caso de Mississipi em Chamas, de Alan Parker.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012 às 10:16 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O primeiro filme dos irmãos Wachowski se trata de um eficientíssimo suspense muito bem dosado de violência e sensualidade. Jennifer Tilly interpreta a mulher de um integrante da Máfia (Joe Pantoliano), que se envolve com uma ex-presidiária (Gina Gershon) e ao mesmo tempo em que fazem juras de amor armam um plano para fugir com uma grande quantia em dinheiro.

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O filme consegue estabelecer um clima de suspense do início ao fim através de bem executados movimentos de câmera, câmeras altas, travellings, superando a limitação das poucas locações que conta, uma vez que se passa a maior parte do tempo em ambientes fechados de quartos. Até mesmo soluções visuais que não contam com efeitos de computação soam elegantes, como a sequência em que uma personagem está ligando para a outra em quartos com parede lado a lado, e a câmera segue o caminho do fio do telefone até chegar ao outro quarto, usando só movimento de câmera e corte, contribuindo para a “narrativa dos ambientes” fechados, que David Fincher faria de maneira maravilhosa e inventiva em “O quarto do pânico”, mas dessa vez com ajuda de computação gráfica. Mas não só a técnica se sobressai no filme, mas a sua história, escrita pela dupla, também consegue envolver, principalmente pelos rumos que um plano inicialmente brilhante vai tomando, só aumentando a tensão do filme. A sensualidade de Jennifer Tilly remete a uma femme fatalle noir e as sequências envolvendo ações da máfia e posteriores assassinatos conseguem remeter a uma brutalidade quase ao estilo Tarantino.

Assim, é um filme que conseguiu se tornar uma boa surpresa para mim, que não esperava muito dele, mas que se mostra muito eficaz em entreter o público sem os recursos de efeitos ou explosões. Deixemos isso para Matrix.

ORIGINAL:  Bound (1996)

DIRETOR: Andy Wachowski, Larry Wachowski

ROTEIRISTA: Andy Wachowski, Larry Wachowski

TRILHA: Don Davis

sexta-feira, 24 de agosto de 2012 às 14:01 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Sabe aqueles filmes que mesmo partindo de uma premissa dramática consegue deixar no ar uma sensação de esperança e bem-estar? É o que acontece quando assistimos a esse filme de Cameron Crowe.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012 às 10:18 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments


Em se tratando de fazer cinema, o Brasil apresenta alguns impasses para os seus realizadores. Sim, é difícil produzir cinema aqui, como se torna igualmente difícil tentar definir ou mesmo criar uma identidade brasileira no cinema. Mas Cidade de Deus consegue superar esses problemas e se mostrar um filme inventivo, ao mesmo tempo em que, contando uma história chocantemente real, não tenta ser mero produto de consumo escapista e descartável.

domingo, 19 de agosto de 2012 às 10:43 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Em mais de cem anos de cinema, poucos de nós viveu a época do cinema mudo. Sem dúvida uma das épocas mais importantes para que fossem desenvolvidas estratégias de linguagem que viraram convenções obrigatórias e para estabelecer astros e estrelas desse circuito.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012 às 06:25 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Este texto apresenta alguns spoilers (revelações sobre a trama).

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Guerreiro é um ótimo filme até os seus minutos finais, onde pega todas as suas qualidades e simplesmente as joga para o ar “pra ver no que vai dar”, ou simplesmente por querer concluir a história de maneira mais aceitável ou digestível para o público, ou porque seus realizadores perderam a mão no final, o que é uma pena.

terça-feira, 14 de agosto de 2012 às 19:42 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Este filme de Ang Lee marca uma subversão de dois gêneros clássicos no cinema americano: o faroeste e o drama romântico, conseguindo matar os dois numa trama só. O filme conta a história de Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhal) que, enquanto trabalhavam isolados cuidando de ovelhas no interior de Wyoming no verão de 1963, se conhecem e se apaixonam mantendo um caso secreto por toda a vida.


ImagemBrokeback Mountain se estrutura como um drama romântico clássico: O encontro dos amantes, a consolidação e a certeza do amor, a consumação do sentimento (lua-de-mel, momentos de felicidade, estrategicamente no meio do longa) seguido pela reação do meio externo, que agirá para atrapalhar esse amor, até que se torna tão difícil que haverá uma separação inevitável. Lee estrutura todos esses elementos de maneira sutil. O período que passam em Brokeback Mountain é a consumação do amor, que vão procurar reviver às escondidas sempre que puderem até tornar-se cada vez mais incômodo se esconderem dos outros. Heath Ledger compõe um Ennis Del Mar complexo, que esconde sua fragilidade em suas atitudes tímidas e introspectivas, que por muitos momentos se vê descontrolado e agressivo. Michelle Willians emociona ao dar vida à Alma, esposa de Ennis Del Mar, que vê seu casamento ruir na primeira aparição de Twist. Gyllenhal se sai muito bem, com um Jack Twist que não vê problema em dizer ou fazer o que pensa. A trilha suave e as paisagens calmas pontuam a melancolia própria dos personagens, além de estabelecer o clima de faroeste norte- americano. Sem cometer excessos que comprometeriam o filme, a direção de Lee flui suavemente entre os acontecimentos, deixando que a emoção fique por conta do expectador, que já se vê envolvido por uma história de amor que luta contra o preconceito, mas que encontra nessa oposição um implacável inimigo. E a solidão em que Del Mar se coloca, seja por temer o que uma reação mais aberta pode lhe custar, seja por medo de se envolver e machucar-se como já se machucara antes, enfim, é o que de mais tocante o filme pode nos deixar.


Título Original: Brokeback Mountain

Direção: Ang Lee

 Roteiro: Larry Mcmurtry e Diana Ossana

 Gênero: wester/drama/romance

 Origem: EUA

 Duração: 134 min

 Tipo: longa-metragem

às 19:32 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

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Acho que se eu lesse uma biografia de Jane Austen no Wikipédia me emocionaria mais do que assistindo a esse filme, que parece ter sido feito todo ele no piloto automático. “Amor e Inocência” conta a história de escritora inglesa Jane Austen, autora de importantes títulos da literatura inglesa e mundial, tendo também parte de sua obra servindo de adaptação para o cinema.

sábado, 11 de agosto de 2012 às 18:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Nos primeiros minutos já somos surpreendidos com um letreiro advertindo sobre a veracidade dos fatos que serão ali dramatizados. Mas não se enganem, pois a história não é real, pelo menos da maneira como entendemos com aquele aviso. Contando a história de Jerry, um vendedor de carros de uma cidadezinha de Minnesota que se encontra endividado. Para resolver seus problemas, resolve contratar dois bandidos para seqüestrar sua esposa e embolsar o resgate que seu rico sogro irá pagar. Mas o problema é que algumas mortes inesperadas vão acontecer.

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O realismo presente no filme não se transmite através do já citado letreiro inicial. Nunca contestamos a veracidade dos fatos ali relatados se aceitamos a sua premissa. Isso por que os irmãos Coen acertam na maneira de contar a sua história: De maneira cadenciada, poucos cortes, alguns planos abertos para dar-nos noção de onde estamos no filme. Vale reparar na cena em que a policial Marge foi chamada no meio da noite e está tomando café com seu marido, vai até lá fora, vê que tem um problema no carro e entra novamente para pedir ajuda ao marido, onde vemos tudo que está acontecendo sem que haja nenhum corte ou mesmo nenhum movimento de câmera. A maneira como o elenco vive seus personagens é igualmente interessante, confiando nos sotaques carregados e nos trejeitos interioranos. A psicologia dos personagens é muito bem desenvolvida, contando com um Jerry que encarna a faceta de perdedor, vivendo como que à custa do sogro, por quem é cobrado e menosprezado. Será mesmo que Jerry gosta da esposa, ou é o dinheiro dela que o chamou atenção. Não se enganem com o desempenho de William Macy para conceder pena ao seu personagem, pois prefiro manter a dúvida sobre ele. Marge conserva seus hábitos caseiros e simples, ao mesmo tempo em que está grávida e conduzindo a investigação. A relação desta com o marido denota um companheirismo e amor admiráveis que a leva a reconhecer, ao fim do filme, que não entende o porquê dos crimes, que se justificam unicamente por dinheiro. O sogro de Jerry é o homem de negócios que quer sempre levar a melhor e tomar conta da situação. A dupla de banidos vive momentos de humor negro hilariantes.

Assim, pensando em como se justificaria os atos de Jerry, que são injustificáveis, e admirando a simplicidade de pessoas ali retratadas, descubro, para minha surpresa, que não se trata de uma história verídica. Mas na verdade é verídica sim. Pode não ter ocorrido no mesmo lugar, na mesma hora, mas em algum lugar aquilo tudo aconteceu. É uma antologia de fatos reais. Alguns assustadoramente reais outros agradavelmente reais.

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às 13:33 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O ótimo “Jogos Vorazes” se vale de conceitos muito interessantes para construir sua trama e sua relação personagens-expectadores. A história se baseia num conflito anual envolvendo jovens casais de 12 distritos em um jogo de sobrevivência em que somente um sobreviverá.  Depois que a irmã mais nova é convocada a participar no jogo, a garota de 16 anos Katniss Everdeen se voluntaria para substituí-la. Kainiss se vê obrigada a tomar atitudes de ordem moral e inclusive em questões de amor.


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Gary Ross acerta ao fazer da câmera um termômetro emocional de Kainiss. Quando somos apresentados ao distrito 12 Ross conta sua história através de cortes ágeis em planos fechados, em angulações não muito convencionais, tendendo para o documental. É o que dá credibilidade à natureza miserável e triste dos habitantes do distrito 12, me lembrando Inverno a Alma em sua estética.  Ao chegarmos na “cidade grande”, onde ocorrerão os jogos, o seu visual soa pouco futurístico, sem muitos detalhes, mais dedicado aos figurinos (quase que cosplay). Novamente é nos momentos mais subjetivos de Katniss que a câmera capta planos fechados, altera o som e busca angulações diferentes, de maneira sutil. A substituição do som por uma trilha mais suave acaba sendo fundamental em dados momentos, do longa. Em um filme que as mortes de jovens são inevitáveis, por mais comercial e escapista que procure ser, a decisão de Ross de dar certa dignidade a uma seqüência em particular que conta com muitas cenas de morte, usando-se da trilha suave de que falei e de cortes rápidos dando um ritmo frenético ao momento relatado, enfim, é uma decisão acertada, servindo de base para as decisões morais de Katniss ao lidar com a morte de uma personagem que a auxilia. Mas a sobrevivência é um instinto básico do ser humano e Katniss não abre mão disso, como também nos não abrimos mão dele ao nos vermos projetados na personagem central. Mas Katniss precisa também vencer fora da floresta, uma vez que se encontra num reality show, e o poder da imprensa e opinião pública tornam-se vitais. Mesmo que para obtê-lo ela tenha que dizer que sente aquilo que não sente, uma vez que ela precisa conquistar a vitória sob os olhos de quem faz daquilo um espetáculo.


É no final que o filme perde um pouco a sua força, surgindo ameaças armadas pelos produtores do programa que perdem um pouco de sua dramaticidade ao sabermos para qual do lado eles pendem. Outro momento forçado é o do, eu diria, “vamos comer o fruto proibido”. Ou Katniss tem uma moral de ferro ou é altamente experta para prever a atitude dos produtores do jogo. O filme também carece de detalhes sobre o seu mundo, não tornando obrigatória, mas remetendo que se trata de uma adaptação de um material literário. Em suma, é um ótimo filme, que se sustenta por seus personagens e seus conflitos, não tendo pressa pra contar a sua história, não foge da natureza política da trama, e não abre mão de estabelecer um conflito romântico triangular no desfecho e uma promessa de um conflito ainda maior.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012 às 19:38 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

Como virou moda em Hollywood dividir livros em adaptações. Depois da decisão de partir Harry Potter e as relíquias da morte em duas partes no cinema, a saga crepúsculo recebe esse mesmo tratamento, e, de maneira surpreendente, O Hobbit. Este último irá ganhar três filmes, apesar de o livro não render tanto. O próprio Peter Jackson irá inflar a trama com novos personagens e sabe-se lá mais o que. Novamente o que eu escrevi no post sobre O Espetacular Homem Aranha toma forma: repetir a fórmula de sucesso de olho no resultado financeiro. Mas até onde isso pode dar certo? É obvio (pelo menos pra mim), que o epílogo de Harry Potter poderia ter sido um só filme, mesmo que fosse de três horas. A síntese e os cortes são fundamentos básicos do cinema que funcionam para adaptar obras com grande volume, seja de páginas ou de trama. Porém, o que diferente no meio dessas adaptações é que O hobbit vai fazer o contrário: encorpar o filme, sendo que o livro, presumo, parecerá uma síntese do longa, que lhe é sucessor. Não sei se me alegro ou me assusto diante disso.

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Peter Jackson conseguiu dar luz a três memoráveis filmes, com início, meio e fim satisfatórios, que funcionam bem por si só, tanto é que nem sei dizer qual é o meu preferido. Eu poderia simplesmente pegar qualquer um pra rever sabendo que sairia satisfeito no final. É um resultado difícil de obter em se tratando de trilogias. Mesmo O Poderoso Chefão conta com um terceiro capítulo que empalidece (apesar de ser ótimo) perto dos outros dois. Mas me pergunto se Jackson conseguirá repetir isso em sua nova trilogia que irá estrear na sombra da trilogia anterior até que consiga tomar forma por si. Não quero ser pessimista, pelo contrário, uma vez que temos motivos para ter esperança de que serão ótimos longas: tem ótimo elenco para lhe dar vida, um ótimo diretor para lhe dar forma, um equipe igualmente talentosa por trás das câmeras. Mas espero que Jackson consiga conjurar o espírito que transformou O Senhor dos Anéis num filme memorável, que transmita o tom adequado para compartilharmos de sua apreciação sobre o material. É ai que entra a necessidade de incluir muitos detalhes e criações do diretor. Não tornará a trama muito inflada, uma vez que se trata de um livro não tão extenso, e principalmente, não se tornará artificial ao incluir detalhes? Será que conseguirão ser filmes que funcionarão independentemente? Lembre-se que se trata de uma história recortada em três partes. Eu confesso não ter lido o livro, mas, mesmo sabendo ser Tolkien um detalhista nato, temos um livro com início, meio e fim; este terá que gerir três longas, cada um de três atos. Como disse, não li o livro e pretendo fazê-lo até assistir o filme, mas será que ele rende tanto “pano pra manga” ou teremos que engolir um monte de “enchessão de linguiça”? Em se tratando acima de tudo de fã de cinema, desde que a “enchessão de linguiça” funcione de maneira orgânica e lógica dentro do longa, estarei desde já satisfeito.

Para finalizar, só quando o filme estrear que poderemos saber, mas esperarei pacientemente e com um friozinho na barriga, o mesmo que sinto quando algum diretor que gosto se envolve num projeto que outros menos talentosos poderiam estragar. Mas, mesmo com um pouco de medo, eu confio em Peter Jackson. “#In Jackson we trust”

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 às 10:49 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



Que dizer deste belo filme de Steve Mcqueen? Soa como um misto de Closer com Taxi Driver, no melhor estilo Dogma 95 (quebrando algumas regras deste, sim, é verdade, mas usando as que emprega com uma maestria e dramaticidade incríveis).

às 10:24 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

O meu livro favorito do falecido professor de astronomia Carl Sagan é “Contato”. Seu primeiro e único romance, tem como enredo a fascinante história sobre a busca de inteligência fora da Terra, contando com realistas relatos de como tal descoberta se configuraria no imaginário humano moderno.



A história é protagonizada por Ellie Arroway, uma jovem que desde cedo ficou órfão do pai. Sendo cientista, dedica sua vida à busca de contato com seres inteligentes no universo através de radiotelescópio. Entretanto, o trabalho de Ellie é comprometido pela falta de credibilidade com os demais cientistas, governo e investidores, os quais não vêem aplicação prática em seu trabalho. Porém Ellie descobre um sinal supostamente vindo das proximidades da estrela Vega, sinal este que, uma vez decifrado, revelou-se sendo um projeto de construção de uma espécie de máquina que conduziria um grupo de seres humanos para Vega. Além de contar com uma protagonista que inspira admiração pela complexidade que Sagan a relata, eu diria, do modo quase autobiográfico, com a dura perda do pai, difícil relacionamento com a mãe e padrasto, dificuldade com relacionamentos amorosos, intelecto aguçado, enfim. Não que Sagan apresentasse todas as características citadas, mas a maneira como a ciência instiga intelectualmente a personagem, sem dúvida, é reflexo de anos de experiência na área e que só pode ser transmitido por um profissional dedicado e dotado de profundo respeito pela profissão. Mas Contato também é a oportunidade de confrontar argumentos céticos e religiosos de maneira hábil, reconhecendo que nem um nem outro é capaz de contemplar o Universo plenamente, mesmo sabendo que um o faz melhor que outro, que a análise científica conduz resultados mais palpáveis e mesmo mais importantes para a humanidade. A ciência é consagrada e devidamente valoriza pela pessoa que mais lutou para que fosse amplamente difundida. Mas a fé também recebe o seu valor fundamental na história de Sagan, e mesmo quando um pastor de grande apelo ao público e dotado de sinceras boas intenções reconhece incapaz de responder a dadas perguntas científicas, constatamos o quanto sua crença é mais de explanação subjetiva e menos de explicação do todo. Não perde o seu mérito de poder representar um apelo positivo, mas nunca poderá tomar o lugar da ciência na visão de mundo que esta conduz. Mas fé e ceticismo se confundem nessa singular história, quando o contato se estabelece a minúcia com que a situação é relatada e esmiuçada não é menos que memorável. O apelo emocional que estabelece também é um dos pontos altos, eu diria a principal lição que Sagan deixa de herança aos que seguem até o final de seu enredo rico em detalhes.


Divulgação da ciência, apresentação do ceticismo científico aplicado na vida, emocionante relato sobre a condição humana, enfim, todos esses conceitos se aplicam ao livro de Carl Sagan, que merece ser redescoberto em uma época que clama por um maior contato com a leitura e, principalmente, com o pensar cético.




 

 

 

 

domingo, 5 de agosto de 2012 às 22:05 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
“Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor!”

às 20:51 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
Grande papel de Robert De Niro, em numa atuação soberba e nunca mais esquecida pela história do cinema, interpretando Travis Bickle, um motorista de táxi que, para a sua ruína, conhece como a palma de sua mão uma Nova York suja, drogada e prostituída, assim ficando embriagado por esse mundo, ao mesmo tempo que percebe sua impotência diante deste.

sábado, 4 de agosto de 2012 às 00:30 Postado por Gustavo Jacondino 2 Comments

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Sem dúvida que o filme de Nolan deixou forte impressões no público que o assistiu. Não raro surgem relatos de aplausos nos cinemas ao término do longa, críticas bem favoráveis (outras não tanto), mas enfim, apesar de seus defeitos, que existem aos montes, é um filme que apela à catarse para dar certo, provocando a aprovação imediata pela eficiência do elenco em interpretar as nuances do roteiro não menos que grandioso dos Nolan. A escala do filme também impressiona, contribuindo para arrebatar o espectador. Há muito não se via um filme produzir tal efeito, de um filme de ideias bem construídas com sequências magistralmente montadas, ficando na memória não somente como um meio de escapismo e diversão. Todavia, ele não é perfeito. Nada é perfeito nesse mundo.

Em termos de roteiro, surge perguntas, como:

  • A própria consequência do ato final do segundo filme e a informação de que uma lei foi criada inspirada em Dent, que nada mais é do que uma lei que praticamente tira os direitos dos cidadãos considerados bandidos, não é uma forma de severidade política quase totalitária aplicada em Gothan?

  • Bruce Wayne, tanto no segundo capítulo como nesse terceiro, mostra que decide sobre aquilo que pode ou não ser divulgado em termos de tecnologia a fim de proteger Gothan. Parece que ele detém um monopólio tecnológico dentro de Gothan, evidenciando que o roteiro o coloca como o seu único salvador.

  • A própria influência de Bruce Wayne não se restringe ao domínio tecnológico ou de vigilante, mas também suas atitudes de ajuda ou omissão filantrópicas, como somos informados no início do filme, podem ter graves consequências. Gothan depende por demais de Bruce Wayne, e em diferentes aspectos, é o que transmite o roteiro dos Nolan. Por mais inspirado em quadrinhos que seja, o fato dos cidadãos de Gothan não poderem tomar suas próprias decisões em detrimento de um poder concentrado nas mãos de poucos, por mais bem intencionados que sejam, soa politicamente perigosa.

  • A maneira como Blake descobre a identidade do herói é, no mínimo, bem estranha, e a maneira como Batman se revela a Gordon no final se mostra igualmente pouco cerebral, a não ser se supormos que Gordon já desconfiava da identidade de Batman (algo que não parece, devido a surpresa que ele tem ao descobrir).

  • O segundo ato do filme, marcado pela ausência de Batman, é também marcado pela sequência em que Wayne se encontra numa prisão. Ao descobrirmos que uma criança foi capaz de deixar a prisão, simplesmente porque lá nasceu, e Bruce, recuperado e já mais forte fisicamente, não o consegue, necessitando de uma força moral-espiritual de pseudo-filosofia, é um artifício pouco complexo do roteiro, que funciona unicamente pelo empenho empregado por Bale.

  • A maneira como Bruce retorna à Gothan é um mistério que eu gostaria de saber.

  • A ausência da menção do curinga também me incomodou um pouco.

  • A cena de Gordon e alguns dos policiais de Gothan sendo obrigados a andar no gelo, sendo que um indivíduo sozinho conseguiu dar uns poucos passos para o gelo partir, e vemos Gordon e seus companheiros dando vários passos, para surgir depois Batman, aparentemente também pisando no gelo, e este não quebra, isso sim é fantástico.

  • A ideia de toda a polícia de Gothan simplesmente presa no subsolo da cidade, e ainda por cima recebendo mantimentos dos capangas de Bane, devo dizer, goza de igual caráter fantástico.

  • A batpod deve ser bem fácil de dirigir, já que a mulher-gato o faz com maestria fantástica já na primeira vez em que pilota.

  • A facada que Batman leva por determinada personagem, para depois simplesmente agir como se nada aconteceu, é mais um fato fantástico do qual somos privados de qualquer explicação racional.

  • A maneira como Marion Tate se revela ao final do filme e sua morte aproveitam pouco de Marion Cotillard, que de gordurinha a mais no meio dos personagens acaba se revelando nos 45 do segundo tempo.


Enfim, longe de querer ser um estraga prazeres ou mais um que acha defeitos, penso que sempre é bom refletir sobre aquilo que assistimos, e no caso do excelente Batman, temos que ter em mente que sua história apresenta, sim, alguns furos e suas posições políticas são bem ambíguas. O que é melhor, uma verdade confortante mas falsa, ou uma verdade dura, porém genuína? O que é melhor, dar ao povo o poder de escolha, e os meios de informação para tomar decisões sensatas, ou manipular a opinião pública, mesmo que seja na melhor das intenções (sempre o é). Esse último aspecto é uma importante constatação proveniente da análise do roteiro, e seria um ponto positivo, não fosse ela um mecanismo para que pudéssemos admirar o caráter  altruísta do Batman, uma vez que muitos ditadores começaram como Batman.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 às 22:44 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
É difícil não olharmos para esta reinvenção do mais popular herói da Marvel e não traçarmos uma comparação daquela aventura muito bem dirigida por Sam Raimi há dez anos.

às 21:46 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments

 
Emoção. Essa é a palavra que melhor define o capítulo final da trilogia do cavaleiro das trevas que Nolan deu início em 2005 ao projetar a origem do Batman nas telas, passando pelo segundo capítulo do devastador Curinga ,que tentou roubar a esperança do povo de Gotham, e teria conseguido caso o cavaleiro das trevas não tivesse salvado a imagem do cavaleiro branco, tornando- se, assim, maldito.

às 14:19 Postado por Gustavo Jacondino 0 Comments



O filme de Ridley Scott pode não agradar a todos que esperam um grande filme de ficção científica, mas o seu ritmo, os belos quadros que o acompanham e o seu simbolismo, além de performances muito boas, lhe garantem um lugar privilegiado na história do cinema moderno.